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Momentos da Vida Portuguesa… Janeiro |09

Janeiro 24th, 2009 | by Odv

Condescendendo com os conceitos sociais em vigor cá estamos no início de um Novo Ano, chegado com um segundo de atraso por necessidade de acerto do relógio e após as 12 passas, os 3 desejos e a taça de “champanhe”.
As mais variadas fontes, nacionais e internacionais, apontam para 2009 como o ano de todas as desgraças.
Cá em casa tentaremos manter o percurso já definido, sem grande vontade de embarcar no pessimismo que alguns lançaram ao mar.
Continuamos o esforço para prestar à população de Odivelas um serviço cada vez mais completo, cada vez mais na hora, sobre o que se passa no Concelho e que tenha relação direta com o seu dia a dia.
O retorno que temos tido impede-nos qualquer hesitação.

O CONCELHO
Se em alguns aspetos reconhecemos diferenças significativas entre a política nacional e a que se pratica entre muros concelhios (nestas diferenças damos vantagem à política concelhia), noutros, os mais gerais, não nos parece que haja diferença significativa.
Em Odivelas, como por passe de mágica, a política começou a ficar mais nervosa, mais “stressada”, mostrando a todos que o tiro da partida eleitoral já aconteceu.
Que a discussão política é uma das riquezas basilares da Democracia, estamos de acordo, e que quanto mais acesa for, mais rica se torna essa discussão, também estamos de acordo.
Agora que a discussão dos problemas políticos se mantenha forçadamente em banho-maria para que a temperatura suba só com a proximidade eleitoral, não nos parece forma digna de zelar pelos interesses da comunidade. Adivinhamos que, de agora até às eleições, muitas irão ser as surpresas a vir à luz do dia, mantidas que têm sido em hibernação nas gavetas dos semi-segredos políticos que os grupos parlamentares guardam religiosamente nos paióis da guerra política.
Isto é, as bancadas dos vários grupos políticos autárquicos têm vindo sistematicamente a acumular “munições” a serem utilizadas na guerra anunciada.
“Deixa-os poisar, deixa-os poisar…” é a expressão mais implícita.
Só podemos lamentar que a política seja feita com este taticismo, frequentemente adiando a resolução ou a discussão de problemas por não ser o momento taticamente oportuno.
Como se as necessidades da população coincidissem com as datas políticas dos Partidos.
No nosso dia a dia o mês de Dezembro trouxe a Odivelas, para além do “Menino Jesus” e do “Pai Natal”, o Primeiro Ministro para ensaio sobre (não é isso, não !) a emissão do Cartão do Cidadão.
Infelizmente a coisa não correu bem e José Sócrates teve de regressar a São Bento com a identificação antiga, tendo de aguardar pelo funcionamento correto do sistema instalado.
Na mesma data, e não só (com toda a propriedade), Odivelas ficou com as torneiras sem pinga. Foi a maneira mais simpática que os SMAS de Loures tiveram para ajudar à visita.
Não falamos mais sobre o assunto porque já chega de bater nesta tecla. Se tudo o que foi dito e escrito sobre a matéria não foi suficiente para envergonhar os responsáveis, então é porque têm mesmo como objetivo o divertimento de assistir às dificuldades criadas continuamente à população de Odivelas.
Uma outra visita, não menos importante, foi a de Fernando Pessoa, tanto mais que nos dá o prazer de se manter entre nós, em versão reduzida diga-se. Também pelo preço não podemos exigir a presença de todos eles (os “Fernandos Pessoas” todos, entenda-se).
Damos destaque nos eventos de Dezembro às cerimónias de realojamento de famílias de zonas degradadas do Concelho. Esse esforço tem-se mantido sem grande divergência em relação ao planeado o que é duplamente louvável (pelo acto em si e pelo cumprimento de promessas feitas).
Tivemos as iniciativas habituais de solidariedade para com os mais carenciados, Câmara e Juntas de Freguesia, cada uma para seu lado para ser mais vistoso, tiveram a criação e distribuição dos seus cabazes de Natal. Discordamos da fatalidade da data, mas do mal o menos, ao menos que em Dezembro se lembrem de quem mais precisa.
Com verdadeira relevância política foi a apresentação dos Orçamentos para 2009. Também Câmara e Juntas fizeram as suas apresentações, e as respetivas discussões seguiram… “dentro de momentos”.

O PAÍS
A crise que aí vem, mais a crise que já aí está, mais ainda a outra que já foi…
Portugal está em crise desde 1139…
Qual é agora o espanto ?
Na verdade não nos apetece nada repetir as perspetivas correntes, nem estamos disponíveis para alimentar o choro geral.
O coral de lamúrias instalado “cheira-nos” a uma atitude em tudo idêntica à dos “honestíssimos” jogadores do futebol português que cometem as faltas mais selváticas, põem em perigo a integridade física de colegas de profissão e fazem a mais descarada “fita”, caras de anjinhos, os gestos mais inocentes, como se tivessem acabado de sair de um
confessionário, alma imaculada, pureza total.
É preciso que se perceba que ninguém ganha em entrar na mistificação instalada.
Quem desenha perspetivas ? Quem anuncia previsões ? Quem explica as razões da recessão ?
Vejamos o que temos em carteira lá por fora:
– Lehman Brothers, alguém sabe o que é ?
– E Merrill Lynch ?
– E a AIG ?
– Alan Greenspan, nunca ouviram falar dele ?
– Bernard Madoff saiu agora de uma lanterna mágica ?
E por cá:
– Jardim Gonçalves é um teen-ager acabado de chegar ao mundo dos negócios ?
– Oliveira Costa, João Rendeiro, Fezas Vital, Dias Loureiro, … alguém conhece ?
– Off-Shore ???
Pois é, nem Presidentes de Repúblicas, nem 1ºs Ministros, nem Presidentes de Bancos
Centrais, nem Ministros das Finanças e/ou das Economias atuais ou antigos, ninguém, ninguém nunca ouviu tais nomes, falou com tais personagens, e muito menos almoçou e/ou jantou com eles.
E no entanto todas as surpresas, todos os avisos, todas as lamúrias, todas as previsões terríveis saem de onde ?
Se responderam Presidentes, Ministros,… blá, blá, blá… acertaram.
Até parece que não sabiam, hein ?
Como diria um puto lá da rua… Gand’a surpresa, pá…
É…, sabemos que há quem acredite nos glutões ! Só pode ser isso, sim.
E se tudo o que se tem dito e escrito nos últimos 6 meses sobre a “crise” for verdadeiro, então é porque estes mesmos “responsáveis” sabem que ainda há mais coelhos para saltar destas cartolas ! Ou por outras palavras os roubos descarados, as vigarices mais absolutamente à vista de toda a gente ainda não acabaram.
Façam a comparação, são ou não tal qual os selvagens do futebol nacional ?
São todos anjos ! Partiram a perna ao colega, mas foi sem querer ! Foi acidente do jogo !
Pois a crise está aí mas não é de agora, porque a crise maior, a verdadeira e sabe-se lá se única, é a que arrasa a verdade nos comportamentos, a que esconde premeditadamente as regras do jogo.
A crise verdadeira é a generalização, a todos os setores do Estado, da corrupção sistemática com a complacência dessa coisa esquisita que se chama Justiça e que enche um Ministério vazio.
São esses os grandes temas da crise, Corrupção (a existência) e Justiça (a inexistência). Tudo o resto são anexos.
As cenas dos deputados faltosos ? Uma vergonha.
A legislação justificativa de negócios preparados com antecedência ? Uma vergonha.
As misturas de ministros, secretários e sub-secretários, diretores (gerais ou não) com empresas, mudando de cá para lá ? Uma vergonha.
Os contratos feitos à medida de alterações previamente combinadas ? Uma vergonha.
Houve um governante português que há uns anos, tendo sido apanhado para bode expiatório de uma série de vigarices nas quais de resto estava metido até ao pescoço, disse em entrevista pública, com o descaramento de todos os vigaristas, que estava descansado com a justiça porque “eu ponho a seta e só depois desenho o alvo” !
Pois bem, é esta a técnica. Primeiro faz-se o negócio, depois faz-se a lei.
Não há hipótese de falhar.
Foi um fim de ano triste. Muito triste !

O MUNDO
O mundo ?
Neste final de ano é a generalização da parcela portuguesa.
Nem mais, nem menos.

Janeiro | 2009

Odivelas.com

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