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Momentos Dezembro/2009

Dezembro 19th, 2009 | by Odv

Estamos em Dezembro.
Já se entrou na análise do ano que passou, tal como se entrou no planeamento para o ano que aí vem.
Ano Novo, diz-se !
Talvez seja, mas estamos pessimistas.
Nesta falácia em que todos embarcamos por força da organização do Estado (a definição de “ano” é uma convenção) de medirmos a nossa actividade por períodos de 365(6) dias, contados de 01Jan a 31Dez, as nossas perspectivas para o próximo período a considerar são péssimas.
De facto não encontramos quaisquer variáveis que nos incentivem o entusiasmo.
Economicamente, financeiramente, socialmente Portugal está em muito maus lençóis.
Sem dirigentes políticos capazes a condução do País vai aos tombos, cada tombo maior do que o anterior.
É uma fatalidade termos de nos referir aos políticos quando pensamos e nos debruçamos sobre a situação que se vive em Portugal.
Mas como é que pode ser de outra maneira ?
Qualquer estrutura nacional é dependente directamente de Governantes e Empresários.
É assim em todo o mundo e não se vislumbra alternativa.
A alternativa possível, ensaiada em alguns pontos do globo, é ainda pior. É fazer depender a condução pública de organizações religiosas.
Pare-se, escute-se e olhe-se.
Nas sociedades onde a religião tomou conta do poder a situação consegue ser, ainda, bem pior.
Vejam-se os exemplos de Israel e das nações muçulmanos, onde política e religião se confundem e onde a guerra e degradação/atraso social são calamitosos.
Mas fiquemo-nos pelo que nos está mais próximo.
E por aí o que temos é a organização do estado dependente de políticos, quase só de políticos, cada vez mais só de políticos.
Por muito que gostássemos de poder concluir de forma diferente, não temos outros indicadores.
O Estado está organizado em estruturas políticas e estas são obviamente, constituídas, mantidas desenvolvidas por políticos.
E a classe política portuguesa, actual, é péssima.
Provavelmente em Portugal não é muito diferente do que é por aí fora, mas com esses podemos bem. Daí podem resultar algumas preocupações (a globalização provoca esse efeito) mas a dependência diária dos portugueses tem a ver com o que se passa e com quem está “intra-muros”.
Dir-se-á que os dirigentes políticos são escolhidos pelos portugueses.
Pois são, mas o leque de escolhas actual é, raríssimas excepções, entre o mau e o pior. A bitola está muito baixa.
E não se vê uma “luz ao fundo do túnel”.
Portugal sempre teve grandes Homens, pensadores, escritores, cientistas, economistas, aventureiros, guerreiros, gestores…
E tem !
Então porquê esta classe política incapaz de olhar para o país como uma missão ?
Incapaz de se afastar dos seus interesses pessoalíssimos ?
Incapaz de fazer aquilo que anuncia ?
Incapaz de viver sem truques, sem golpes baixos, sem qualquer coisa que se possa aproximar ao conceito de ética ?
Esta imagem está generalizada, é anunciada por todas as classes profissionais, é denunciada por todos os que têm responsabilidade, seja no que for.
Fala-se de Medina Carreira.
Certo, é um “deita abaixo” nato. Mas então e os outros ? Henrique de Barros, Silva Lopes, João Salgueiro, Marinho Pinto, Artur Santos Silva, Fernando Ulrich, Hernâni Lopes,…
Está em curso a “vaga de fundo” jornalistaXpolítico.
Sempre houve uma quezília latente, mas em boa verdade neste últimos meses têm-se intensificado as movimentações escritas (e faladas) acerca da qualidade do jornalismo que temos e dos jornalistas que o fazem.
Esta questão sempre se intensifica nas épocas de maior “irritação” política.
É um escape que entendemos, são coisinhas más que vão ficando ao longo do tempo, são raivinhas que não são levadas ao psicólogo.
E quando a coisa aperta… o mexilhão fica entalado.
Na verdade quer-nos parecer que muito do jornalismo que se faz por aí é fraquito.
O sensacionalismo sobrepõe-se à importância da informação.
Num público mal formado, onde a falta de ensino (não é falta de escola, é falta de ensino !) é gritante, onde a informação mais corrente se divide entre os “brothers”, as péssimas novelas de cordel e um futebolês viciado, o jornalista divide-se entre o comportamento ético e a sopa para a família.
O resultado vê-se. Aí está, no sensacionalismo das 1ªs páginas e no vazio das páginas interiores.
E vê-se também nos interesses em jogo pela conquista de audiências e, claro, dos dinheiros da publicidade.
E se a primeira pode ser inflacionada mil, um milhão de vezes (quem controla ?)… já a segunda se limita ao que há, muitas vezes também por favor.
Ainda assim apetece-nos pôr no ar a pergunta: – Mas, quem manda ?
O conceito de sociedade nacional acabou.. Antes havia acabado a sociedade familiar.
A “globalização” atingiu primeiro as famílias (ninguém se apercebeu disso) e logo a seguir as nações.
Não estava digerida a primeira e já estávamos enterrados na segunda.
Os gestores destas mudanças não estão interessados em dar tempo para pensar. Isso seria uma complicação que querem evitar a todo o custo.
Decreta-se: – Povo não pensa !
E pronto, segue o processo.
E a resposta ? Qual é ?
Sim… quem manda ?
Será que são jornalistas ?
A Assembleia da República é composta por jornalistas ou por políticos ?
Os bancos são administrados por jornalistas ou por políticos armados em banqueiros ?
As grandes empresas públicas e privadas são comandadas por jornalistas ou por políticos armados em gestores/administradores ?
E os governos ?
E a Presidência da República ?
E a Justiça é feita por jornalistas ou por juízes e advogados que são, foram ou estão candidatos a políticos ?
Falando apenas de gente sobre o qual não há hipótese de engano.

Se no www.odivelas.com for escrito ou filmado o desfalque do banco. Será que o vigarista sou eu ?
Se no www.odivelas.com for escrito ou filmado os impropérios, as cenas de descrédito total das assembleias ou os murros trocados democraticamente com adversários políticos será que o arruaceiro sou eu ?
Se no www.odivelas.com for escrito ou filmada a libertação de um ladrão, assassino ou vigarista confesso, será que a péssima justiça é feita por mim ?
Pois é. Se calhar a culpa é minha, sim. Tenho que pensar nisto.

Odivelas, 19/12/2009
(Odivelas.com)

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