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Sr. Roubado – História

Janeiro 14th, 2010 | by Odv
Sr. Roubado – História
Patrimonio
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Entre os movimento continuo do trânsito e os altos prédios de cimento ergue-se no final da Calçada da Carriche um pequeno altar ao ar livre de extrema leveza e delicadeza, de finas colunas que sustentam um tecto que abriga o altar ao Menino Jesus Roubado da Igreja matriz de Odivelas em 1671.

António Ferreira, um trabalhado rural entrou na igreja na noite de 10 para 11 de Maio de 1671, após ter bebido e folgado, e ali resolveu roubar as vestes das imagens que a igreja albergava assim como outros objectos de valor sagrado.

O produto do furto, António Ferreira enterrou num mata de caniços onde viria a erguer-se o monumento ao Senhor Roubado.

Numa época de fervor religioso e climas de anti-semitismo tal acto foi tratado com real importância.

O roubo chegou ao conhecimento da rainha D. Luísa de Gusmão,mulher de D. João IV então regente do rei, que ordenou que missivas fossem mandadas a todo o reino noticiando o facto. Fizeram-se ouvir palavras de revolta da população contra tal acto blasfemo, e logo foram organizadas flagelações, missas, mortificações e penitências para que o autor fosse encontrado e o acto não fosse punível por Deus com o envio de alguma catástrofe.

Foi feita a investigação e levantamento dos factos pela justiça e no dia 12 por ordem do regedor das justiças foram efectuadas buscas minuciosas na zona e interrogatórios á população que habitava mais próximo do local.

Ora, por queixa de um criada do convento, de um pilha galinhas que ali se deslocava todas as noites para roubar criação, a justiça foi chamada e revistaram o rapaz tendo encontrado nos seus bolsos, entre outros objectos, uma cruz que rematava o vaso dourado do Santíssimo.

O rapaz foi levado a Lisboa onde confessou a sua culpa no roubo da igreja. No dia 23 de Novembro 1671 foi sentenciado. Arrastado pelas ruas de Lisboa até à praça do Rossio onde lhe foram decepadas ambas as mãos e queimadas à sua frente, o rapaz morreu por garroteamento, e o corpo foi queimado.

O Monumento

O acontecimento foi caindo no esquecimento, no entanto no local onde António Ferreira escondera o produto do furto fora colocada uma cruz de madeira, onde mais tarde será erguido o Senhor Roubado, tendo o próprio monumento nele uma inscrição explicativa da sua origem:

“Aqui ocultou a ingratidão
Do maior roubo a insolência
Mas levou a clemência
A memória do perdão.

Este piedoso padrão
Com eterna dor se leia
Aqui um atroz ladrão
Às duas da noite e meia
Os céus enterrou no chão.

Caso de Odivelas – Ano de 1671

Este padrão dez-se no ano de 1744”

Em 1744 passou pelo local o irmão Paulo dos Santos, pedreiro, pertencente à congregação dos Descalços de S. Paulo Ermitão, que ao inteirar-se do acontecimento decidiu erguer ali um padrão. Tendo feito diligências junto do dono do terreno (Luís Paulo da Silva e Azevedo) consegui que as obras fossem feitas, sendo os  trabalhos iniciados no dia 14 de Maio de 1744.No entanto o monumento tinha como projecto final um basílica que nunca viria a ser construída.

Sobre este facto pode ler-se no pilar direito do  monumento, a inscrição:

“Para se levantar este santíssimo padrão do Senhor Roubado, no ano de 1744 deu licença Luís Paulino da Silva e Azevedo, senhor da terra entre as duas estradas”.

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