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O “velho novo” Hospital

Janeiro 16th, 2010 | by J Paiva Setubal

Quando há mais de 40 (quarenta) anos viemos viver para Odivelas tivemos a notícia da futura/próxima construção de um hospital na zona.
Algum tempo depois, pouco, em passeio de fim de semana passando pela antiga estrada que conduzia o passeante ao Cabeço de Montachique deparamo-nos com uma placa sinalizadora do local onde, segundo o texto nela inscrito, “aqui vai nascer o fututro hospital de Loures” (não garantimos a fidelidade deste conteúdo, mas o significado sim).
Foi preciso esperar dezenas de anos, foi precisa a passagem de dezenas de governos e desgovernos, para que as populações vejam, finalmente, a luz ao fundo… do hospital !
E não só a passagem dos anos e dos governos, mas temos legitimidade para pensar que sem a crise económico-financeira-social instalada, continuaríamos sem 1ª pedra e sem hospital.
Acreditamos que uma razão forte para este arranque de construção está ligada à necessidade de um forte investimento público que force a economia a movimentar-se e controle, até onde for possível, os números do desemprego.
Provavelmente sem esta situação ainda não seria agora que o “Hospital de Loures” sairia do papel.
Acontece porém que saiu, é bom que tenha saído sejam quais forem as razões profundas para ter acontecido agora, e nós consideramo-lo tão significativo que entendemos fazer aqui uma chamada para este acontecimento, sem dúvida da maior relevância para os cuidados médicos à população da região, com Odivelas bem no centro deste interesse.

Algo que adicionamos no nosso interesse por este tema.
O que é realmente importante está acima, mas há uma questão adicional que merece também a nossa atenção.
E essa é a relação que se pretendeu estabelecer entre o acontecimento “um hospital novo” e a comemoração do centenário da República (a esperança neste hospital tem quase a mesma idade…) chamando para referência o nome de Carolina Beatriz Ângelo, médica que em 1911 “enganou” os legisladores e conseguiu ver o seu voto aceite em urna eleitoral.
Como se vê, já nessa altura as leis tinham “buracos” por onde quem tivesse um “dedo de testa” passava sem a cumprir e sem ilegalidade.
Desta vez por uma boa, forte e democratíssima razão. As mulheres também votam.
Carolina Beatriz Ângelo não deve ter tido vida fácil.
Primeiro por ser mulher naquela época, depois por ser médica (mulher ? médica ? naquela época ?), ainda porque enviuvou cedíssimo na sua vida, tal como cedíssima foi a sua morte aos 33 anos.
Teve pois muito pouco tempo para ser 1ª em tanta coisa:
– 1ª médica a operar em S.José;
– 1ª mulher com direito a voto e a exercê-lo;
– Integrante e líder do primeiro grupo de mulheres ativistas pelos direitos respetivos;
– Integrante e líder do primeiro grupo de mulheres e integrar a maçonaria feminina;
– Integrante da 1ª Liga Republicana das Mulheres Portuguesas;
– …
 
Foi uma vida muito curta, mas tão cheia que deu frutos, de tal modo que hoje, quase 100 anos depois, é o seu nome que anda nas 1ªs. páginas dos jornais.

José Paiva Setúbal

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