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Retábulo Doceiro

Janeiro 16th, 2010 | by Odv

Roda no Mosteiro de S. Dinis

Mas o mosteiro não é só conhecido pelos escândalos amorosos das suas habitantes com os governantes de Portugal e seus iguais. O Convento de Odivelas tem uma história rica em doçaria como todos os conventos, onde as freiras se debruçavam na confecção de “divinos” manjares dignos de Deuses e Reis…. e também dos fidalgos que frequentavam os famosos outeiros!
“Estes concursos de poemas também se realizavam no pátio do convento por algumas ocasiões de algumas festividades, ali traindo grande número de fidalgos que depois eram obsequiados com deliciosas doçuras conventuais”.

Portugal é o pais da Europa com a mais rica doçaria e foi grande a importância dos Conventos nesta arte requintada. O mosteiro de Odivelas foi um dos maiores “contribuintes” para esta riqueza.

” O Convento de Odivelas foi, sem dúvida, um dos maiores retábulos doceiros do País. As suas especialidades em confeitaria e doçaria têm tradição”, com destaque para:

– Os Suspiros
– Raivas
– Tabefes
– Esquecidos
– Fartens
– Cuvilhetes de abóbora
– Mimos
– Pasteis de Nata
– Marmelada
– Outros

” A doçaria de Odivelas, primorosamente preparada, passava na roda da portaria com muita satisfação para quem a comprava, de quem a confeccionava com amor e arte e de quem a vendia.”
…” Há uma livro de receitas conventuais composto por três cadernos manuscritos pela última freira de Odivelas, Madre Carolina Augusta de Castro e Silva, nascida em Lisboa,a 11 de Janeiro de 1816, e falecida em Odivelas em 1909, cuja pedra tumular se encontra actualmente na sala do Capítulo.”

In “O Mosteiro de S. Dinis de Odivelas” retirado de In “O Mosteiro de S. Dinis de Odivelas” de Virginia Paccetti pp 82-83
 
 
Exemplo da tentação que tanto os dotes de sedução e os doces feitos pelas monjas de Odivelas, causava mesmo entre os monjes é esta ladainha inserida numa das orações, sendo longa e repleta de pedidos de ajuda ao Divino por protecção e ajuda contra a tentação “Deste sexo sem lealdades, que professaõ sem ter fée…”

“Ladaínha dos Freyraticos”

” Que fujamos sempre dellas,
que zombaõ, sem para ellas
haver forca, nem algoz ……
……Te rogamos, audio nos.
Que para nos naõ emfadar,
naõ nos deixes enganar
com pratos de doce arroz…..
……Te rogamos, audio nos.”
…..
“Ouvi vozes taõ sentidas,
E livrainos de freyras taõ garridas.”

“Quem compoz esta ladainha era frade, decerto; ninguèm como elles conhecia o assumpto.”

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