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PODER LOCAL

Janeiro 19th, 2010 | by Mariana Cascais

Portugal vive um momento de crise de que não tem o exclusivo, mas que a sua situação interna agravou.
Por falta de capacidade de iniciativa, por indefinição identitária, por excessiva dependência do exterior, por escassez de projectos sustentáveis e por deficit de educação, temo-nos tornado uma sociedade pouco motivada e que parece descaracterizar-se gradualmente.
Entretanto, vivemos entre dois quadros de valores, em muitas vertentes da nossa vida perfeitamente contraditórios e de oposição fracturante.
O sucesso de cada um parece assentar em demonstrações sem sustentabilidade e o sucesso dos outros causa-nos mal-estar; somos uma sociedade em que a democracia continua por digerir.
Somos, além disto, um país assimétrico, ao nível do território, como da distribuição da população e também do desenvolvimento.
É neste contexto que Odivelas ocupa o seu espaço, num território que, ele próprio, contém desequilíbrios.
Com a sua parte de responsabilidade e uma população que é heterogénea e multicultural, Odivelas tem problemas de desemprego e de pobreza que a crise global agravou, mas que a falta de ordenamento e de uma estratégia local originaram.
É efectivamente necessário definir uma estratégia; objectivos e caminhos; e prioridades, com a certeza de que o ponto de partida contem os erros cometidos, muitos deles integrados. É essencial encontrar o caminho, sem paradigmas, ainda que vivamos na época dos paradigmas, que aprendemos a usar para desculpabilizar insuficiências; sem obsessões de mudança pela mudança; e sem o estigma das diferenças políticas, que por vezes apenas atrofiam por impedimento das soluções. Mas também sem os constrangimentos das obras obrigatoriamente grandiosas, que não são factores de competitividade dos municípios. 
O poder local é isso mesmo, local.
É um poder assente na proximidade, na comunicação, no feedback imediato das populações; e que está nas escolas, na rua, no comércio, nas empresas; e que promove os cidadãos.
Porque, ainda que não houvesse outras razões, cada cidadão é um recurso potencial. E falta potenciar capacidades e iniciativas; falta promover a participação, que não se esgota no direito de votar e só nos preocupa quando analisamos o peso relativo da abstenção.
Tão usada no discurso político actual, ou não fosse elemento fundamental do “politicamente correcto”, a participação implica o envolvimento num projecto que deve ser de todos, mas livre das promessas falaciosas de igualdades impossíveis.
Traduz-se numa consciência de si e do espaço que lhe cabe, por parte de cada um. E que só é possível pela proximidade real do poder numa relação de reciprocidade de deveres.
Além disto, o poder local sintetiza e sistematiza um conjunto de responsabilidades transversais que vão muito para além dos diagnósticos e dos relatórios. é a acção que dá corpo à estratégia e promove a mudança real.
E a acção constitui-se de políticas e medidas frequentemente pontuais, por vezes pouco visíveis e de baixos custos, mas adequadas a cada sector e a cada problema.
Das múltiplas respostas, na mesma perspectiva de adequação das soluções sectoriais ao projecto global e integrado, acontecem sucessivamente os patamares do desenvolvimento.
O tempo e o trabalho permitir-nos-ão elencar caminhos e demonstrar que o futuro vem aí, mais pragmático e menos utópico, mais seguro ainda que eventualmente menos grandioso, a materializar o direito que cada um tem de ser protagonista da sua própria vida e actor na construção do futuro que Odivelas merece.

Mariana Torres Cascais
Deputada Municipal

Apresentação

Fui a primeira a nascer numa família de cinco irmãos, em Évora, há 63 anos.
Foi em Évora que cresci e estudei e casei, em 1968, com um açoriano.
Usei o meu tempo a fazer felizes os meus três filhos e a dar aulas na Universidade de Évora, enquanto mantinha uma vasta participação cívica na área do voluntariado social e da administração de uma IPSS e de uma cooperativa agro-pecuária.
Entretanto, nas últimas décadas tornei mais efectiva a minha participação política local ao lado do CDS-PP, particularmente como candidata à Câmara Municipal de Évora. Durante o XV Governo Constitucional fui Secretária de Estado da Educação por indicação do meu Partido.
Foi também o CDS-PP que me trouxe até Odivelas, numa coligação com o PSD, o PPM e o MPT, encabeçada pelo Dr. Hernâni Carvalho, coligação que acabou por razões que me ultrapassam. A “política”, às vezes, é mesmo assim!
Ocupo o meu lugar de Deputada Municipal com a convicção e a paixão que ponho em tudo o que faço na vida, e tento que a minha actividade de professora universitária, agora no ensino privado, possa beneficiar com esta situação e, ao mesmo tempo, ser uma mais-valia para o meu trabalho na Assembleia Municipal de Odivelas.
Serão quatro anos de serviço, em que procurarei deixar em Odivelas o melhor das minhas capacidades e dos valores em que acredito, numa oposição consciente e construtiva.

Odivelas, 16 de Janeiro de 2010

Mariana Torres Cascais

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