Holocausto
Estamos a 2 de Fevereiro de 2010.
Há meia dúzia de dias, 27 de Janeiro, passou o “Dia Internacional de Recordação do Holocausto”, data que a ONU escolheu para lembrança daquilo que foi um dos maiores crimes da história humana, coincidindo com o aniversário da ocupação pelo exército soviético do campo de extermínio de Auschwitz em 1945.
Não demos por qualquer referência a esta data, o que consideramos no mínimo, estranho.
A história encarrega-se de manter a recordação dos acontecimentos ao longo do tempo mas se a enorme maioria desses acontecimentos resultam de situações mais ou menos correntes de importância relativa, importantes para grupos reduzidos de interesses, já no que respeita ao holocausto temos de considerar que o interesse é de todos.
Tem a ver com a humanidade no seu todo porque tem a ver diretamente com condição humana de ser mau e simultaneamente com a sua capacidade de sofrimento.
E estas duas condições fazem parte da natureza humana, seja quem for que esteja a ser considerado.
Acontece que atravessamos um tempo onde são evidentes as tentativas de branqueamento de uma quantidade de acontecimentos marcantes no percurso humano, e marcantes pelas piores razões.
E no caso do que aconteceu na Europa entre 1939 e 1945 há uma óbvia tentativa de negar o crime.
Por razões meramente de ódio religioso há, entre os dirigentes árabes (que infelizmente não estão sós nesta tarefa) com Mahmoud Ahmadinejad à cabeça e com o mais acabado desplante, afirmações de negação daquela parte da história.
Não se podem organizar visitas a Auschwitz com a mesma facilidade com que se visita o Oceanário, mas seria um serviço prestado à humanidade que as agências de viagens dispusessem de pacotes especiais para estudantes que os levassem até lá.
Porque não encaminharem as chamadas viagens de fim de curso para este objetivo ?
Vemos com a maior frequência as comemorações mais estranhas.
Há dias dedicados a tudo o que é ridículo (algum dia teremos a comemoração do “dia mundial do botox”) e no entanto não demos por qualquer referência, nem escrita nem falada, ao Dia Internacional de Recordação do Holocausto.
E isso não entendemos.
José Paiva Setúbal









Caro Paiva Setúbal,
Nem de propósito…
Foi hoje publicada no DR a Resolução da Assembleia da República n.º 10/2010, que “Consagra o dia 27 de Janeiro como dia
de Memória do Holocausto”.
É do seguinte teor:
“A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5
do artigo 166.º da Constituição, o seguinte:
1 — Associar -se à comemoração internacional lembrando
e homenageando a memória das vítimas que pereceram.
2 — Assumir o compromisso de promover a memória
e a educação sobre o Holocausto nas escolas e universidades,
nas nossas comunidades e outras instituições, para
que as gerações futuras possam compreender as causas do
Holocausto e reflectir sobre as suas consequências.
3 — Reafirmar a aspiração comum da humanidade a
uma justiça e compreensão mútua de forma a evitar futuros
actos de genocídio.
Aprovada em 28 de Janeiro de 2010.
O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.”