breaking news

A Quinta de Gil Vaz Lobo – A Quinta Nova do Miranda – A Quinta do Mendes

Fevereiro 19th, 2010 | by Máxima Vaz

Dra. Maria Máxima Vaz

Três nomes  e uma só quinta. Aquela que todos nós designamos por Quinta do Mendes e onde hoje só existem prédios urbanos, teve, que nós saibamos, pelo menos estes três nomes.

Até 1678 foi seu dono D. Gil Vaz Lobo, filho de Gomes Freire de Andrade e de D. Luísa de Moura. Participou, com seu pai, na Revolução de 1640, tendo sido um dos que procuraram a Duquesa de Mântua para a expulsarem de Portugal. A sua carreira militar levou-o a todos os pontos onde a Guerra da Restauração precisou do seu valor, desde a Aclamação de D. João IV.

Não encontrei ainda a data do seu nascimento, mas os registos da sua carreira dizem-nos que em 5/12/1630 lhe foram concedidos 900 réis de moradia – mercê de moço Fidalgo;

–        Em 2/2/1641 recebeu a patente de Capitão de Infantaria, para servir com seu pai em Campo Maior;

–        Em 20/11/1645 passou a Capitão de Cavalaria, a prestar serviço no Alentejo;

–        A 8/3/1657 foi armado cavaleiro da Ordem de Cristo, pelo Conde de Vimioso, D. Miguel de Portugal, na igreja de N.ª S.ª da Conceição em Lisboa. Neste acto solene, foi seu Padrinho D. Diogo de Almeida;

–        Em 14/8/1659, foi-lhe dada em Lisboa, a Carta de Governador de Cavalaria da Corte e Comarcas do Ribatejo, com o título de Tenente General de Cavalaria da Beira;

–        Em 10/5/1669, foi nomeado Governador de Armas da Província da Beira, pelo Príncipe Regente D. Pedro,

(que veio a ser rei depois da morte de D. Afonso VI, seu irmão).

Este cargo retinha-o, a maior parte do tempo, em Castelo Branco, onde veio a falecer no ano de 1678. Quanto ao dia é que os documentos não são unânimes, apontando-se o dia 7/3, o dia 6/5 e ainda o dia 7/5.

E se os seus cargos militares são elevados e honrosos, os seus bens também são avultados.

A lápide tumular informa que era Alcaide de Vilar Maior, Senhor das vilas de Coriceiro e Carapito e Comendador da Comenda da vila de Puços.

Pelo seu testamento ficamos a saber que era dono de uma quinta em Odivelas. Deixou uma importância em dinheiro para que nessa quinta se construísse uma capela a N.ª S.ª do Monte do Carmo e que trasladassem para essa capela os seus restos mortais, pois até esse tempo ficaria sepultado na ermida de S. Gregório, em Castelo Branco.

Mais declarou no testamento, que a sua herdeira universal era a sua irmã D. Madalena da Silveira, casada com Manuel Henriques de Miranda.

Foi assim que a quinta passou a ser conhecida pela Quinta Nova do Miranda.

Passados 17 anos foi, finalmente, feita a trasladação dos restos mortais de Gil Vaz Lobo para a sua quinta de Odivelas. A lápide lá está ainda hoje, a comprová-lo.

O nome nela gravado é Gil Vaz Lobo Freire, mas ele não tinha o apelido “Freire”, embora esse fosse também um apelido da sua família. Em documentos oficiais nunca aparece o Freire.

Manteve-se a quinta, por heranças sucessivas, na posse dos Miranda Henriques, até que a última proprietária desta família a deu como garantia de um empréstimo, que não conseguiu pagar, vindo a ser comprada pelo senhor José Rodrigues Mendes, em 1879. Esta é a razão de lhe chamarem quinta do Mendes.

A capela de N.ª S.ª do Monte do Carmo é hoje a recepção e a galeria de exposições da Biblioteca Municipal D. Dinis, onde podemos ver a lápide tumular, feita quando da trasladação. Os restauradores do edifício tiveram o bom senso da a conservar.  Parabéns a todos os que compreendem que restaurar é integrar e não eliminar.

A nossa identidade não subsiste sem memórias e um povo sem história é um povo sem futuro.

Maria Máxima Vaz

________
Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.

Comments are closed.