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Os Monumentos Megalíticos de Trigache

Fevereiro 20th, 2010 | by Máxima Vaz
Os Monumentos Megalíticos de Trigache
Patrimonio
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Dra. Máxima Vaz

O conhecimento que hoje temos dos Monumentos Megalíticos de Trigache deve- se ao trabalho,  ao saber e à sensibilidade de, pelo menos quatro pessoas :

– FRANCISCO  ANTÓNIO  CARLOS  RIBEIRO  que os reconheceu, escavou e fotografou ;

– a um seu sobrinho e herdeiro, que soube preservar o seu espólio ;

–  aos arqueólogos VERA  LEISNER  e  OCTÁVIO DA  VEIGA  FERREIRA que os tornaram conhecidos ;

Eram  5  DÓLMENS : quatro ficavam na zona de TRIGACHE, a uma distância de três quilómetros, aproximadamente, da, nessa altura, aldeia de ODIVELAS.

Havia um quinto dólmen, este já situado no território de A – DA – BEJA e a uns 700 metros desta  povoação.

O Senhor Francisco António Carlos Ribeiro vivia em Odivelas na altura da sua descoberta, porque daqui era natural  e aqui possuía alguns bens a sua esposa.

Nasceu a  3  de Fevereiro de 1889, na cidade de Faro, onde estudou até concluir o 6.º ano do Curso Geral dos liceus que, nessa altura, era de seis anos.

O  7.º ano do Curso Complementar dos liceus, que actualmente equivale ao  12.º ano, concluiu – o já em Lisboa,  em 1908. Iniciou a sua vida profissional em 1910, como funcionário do Banco de Portugal e, alguns anos depois, adoeceu e foi  durante a convalescença que, nos passeios que deu pelas redondezas, veio a encontrar os famosos monumentos Megalíticos de Trigache.

Entre 1920 e 1925 dedicou – se empenhadamente ao estudo da Arqueologia. Travou conhecimento com os grandes mestres José  Leite de Vasconcelos, David Lopes, Manuel Heleno e ainda outros.

Os conhecimentos que adquiriu permitiram – lhe explorar com método estes monumentos que encontrou.

Antes de iniciar as escavações fotografou –os a todos, o que nos permite conhecer hoje o seu estado naquela altura e ter uma ideia aproximada da sua conservação.

Guardou todo o espólio neles encontrado e desenhou as plantas e as posições em que estavam todos os blocos, quando fez estes trabalhos.

Não tendo filhos, foi um seu sobrinho que herdou a responsabilidade de lhe dar destino.

E tomou a decisão mais correcta : entregou todos os materiais, espólio retirado dos dólmens durante as escavações, plantas e fotografias feitas pelo seu tio, ao Arqueólogo que depositou tudo onde hoje se conserva – no Museu dos Serviços Geológicos.

Foi este arqueólogo, Octávio de Veiga Ferreira e a sua colega Vera Leisner, que fizeram todo o trabalho de estudo e divulgação destes monumentos.

E é pelas diligências conjugadas de todos eles, que nós podemos ter hoje conhecimento daquilo que aqui existiu, porque os monumentos já não os podemos ver  – a ignorância

do homem fê – los desaparecer e num tempo em que já havia despertado o interesse pela conservação do património. Isto passou – se já no século XX e nem sequer foi logo nos princípios. As autoridades locais andavam muito distraídas !  O Dr. Octávio da Veiga Ferreira foi um homem dos nossos dias. Foi Director deste Museu de que falei. Em 1983, numa visita que ali fiz  com os meus alunos  do 7.º ano, da Escola Secundária de Odivelas, foi  ele que veio guiar a visita, para espanto meu ! E com que simplicidade o fez ! Descendo ao nível dos alunos, chegou a sentar – se nos degraus de acesso à sala principal, com  os jovens à sua volta, seguindo, interessadísimos, as explicações que lhes deu sobre as peças que seleccionou para lhes mostrar.

Eu creio que foi ignorância a destruição dos dólmens.  No local existia uma pedreira e tanto os enormes esteios que constituíam as paredes dos dólmens como a sua cobertura, devem ter sido divididos    para irem fazer parte de algum edifício que na altura se estivesse a construir na área de  Lisboa . E parece- me que foi ignorância , porque a estação arqueológica, com a designação de “ Casal do Monte”, descoberta em 1909 numa encosta, que na altura pertencia à Póvoa de Santo Adrião, foi defendida e protegida por um Decreto – Lei .

Foi o suficiente para ainda hoje lá estar !

Maria Máxima vaz

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