BLOCO debateu Desenvolvimento Económico
Sábado passado o Bloco de Esquerda/Odivelas realizou em Famões, nos “Silveirenses” um debate sobre o desenvolvimento económico regional e local, que contou com os oradores Camilo Mortágua e Maria do Carmo Gonçalves e foi moderado por Fátima Silva.
Camilo Mortágua foi a estrela do debate, ao compartilhar com os presentes a sua vasta experiência de vida. Começando por afirmar que “o desenvolvimento
tem na sua base o desenvolvimento das pessoas e das mentes”, desmistificou ao concluir que, “é preciso que alguém nos desenvolva porque estamos envolvidos em preconceitos do tipo, não se pode fazer isto ou aquilo, porque parece mal, é pecado. Os homens podem desenvolver-se, mas as coisas crescem.” Para o anti-fascista a “enxada do desenvolvimento dos dias de hoje pode ser muita coisa, mas sempre a nossa ferramenta de trabalho: um computador, uma caneta,
uma máquina e se tivermos um computador e uma impressora podemos desenvolver muita coisa”. Sobre práticas de desenvolvimento económico em Portugal, Camilo Mortágua recorreu à história, para concluir que em Portugal pouco se produz. “País de tradições rurais, quem mandava era quem tinha o poder da terra.
Mas, a terra foi abandonada porque os filhos dos senhores da terra foram estudar e tornaram-se doutores. Aí passou a mandar o poder industrial e depois o poder da banca de tal forma que hoje nada se produz nos campos.”
Maria do Carmo Gonçalves criticou as cedências às grandes superfícies, que prejudicam o comércio tradicional local. “A zona histórica da cidade não está aproveitada e as pessoas são canalizadas para a grande superfície das Patameiras, até para tratarem de assuntos pessoais, quando se têm de deslocar à Loja do Cidadão.”
O Bloco volta aos debates este sábado na Ramada, no Grupo Desportivo dos Bons-Dias, para falar de Serviços Públicos-Transportes e Mobilidade, com os oradores convidados Heitor de Sousa e César Fonseca.
Luis Filipe Silva








