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Quinta do Espanhol e Quinta do Espirito Santo: As Duas Quintas

Março 26th, 2010 | by Odv
Quinta do Espanhol e Quinta do Espirito Santo: As Duas Quintas
Patrimonio
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Localização – Qtª do Espirito Santo e Qtª do Espanhol (clique para zoom)

António Maria Bravo

António Maria Bravo era filho de um cidadão de nacionalidade espanhola, natural de Sevilha e cujo nome era também António Maria Bravo. Foi António Maria Bravo, sénior, que em 1849 comprou uma quinta em Odivelas, que passou a ser designada pelo povo e passou à tradição, com o nome de Quinta do Espanhol, precisamente por ser dono dela um espanhol, segundo me afirmou o seu descendente, Dr. João Maria Bravo, felizmente ainda vivo e residente na quinta do Barruncho. Como confrontava com outra quinta, a quinta do Espírito Santo, nome que se estendeu ao local, a família, que não lhe chamava quinta do espanhol, como será de supor, quando se referia à sua quinta, dizia quinta do Espírito Santo, considerando o local e não a propriedade. Como se pode verificar nos mapas da época, eram duas quintas distintas.

Quinta do Espírito Santo

A quinta do Espanhol tinha uma bela casa de habitação, onde até há poucos anos esteve instalado o lar das antigas alunas do Instituto de Odivelas. Este edifício foi declarado de interesse municipal e adquirido, recentemente, pela Câmara.

O primeiro proprietário e o seu descendente usaram-na como casa de férias e estadia periódica, pois por razões de negócios, tinham residência fixa em Lisboa.

O primeiro dono, desta família “Bravo”, aqui faleceu em 1858.

Seu filho, António Maria Bravo foi um benemérito de Odivelas, pela sua acção no campo da instrução e cultura.

Quinta do Espanhol

Na sua casa da quinta mandou instalar uma escola primária que era por ele inteiramente mantida.

 Tomou a seu cargo custear tudo o que era necessário nas aulas, material didáctico, material escolar e até alguns alimentos às crianças.

 Em 1863 fundou a Sociedade Musical Odivelense, única instituição que em Odivelas, durante muitos anos, desenvolveu actividades culturais. Ele foi o sócio n.º1 e os seus dois filhos, os sócios n.º2 e n.º3. Sendo uma sociedade musical, não podia deixar de ter uma banda. Nos livros de contas do Sr. António Maria Bravo encontra-se registado um empréstimo em dinheiro, feito à S.M.O, para comprar os instrumentos para a banda, no mês de Agosto de 1863. Vendo as dificuldades que a Sociedade tinha em satisfazer a dívida, António Maria Bravo decidiu fazer do empréstimo uma dádiva. Sabendo-se os elevados custos de cada instrumento, poderemos calcular a importância de tão generosa oferta.

 A abertura de uma escola e a fundação da Sociedade são duas obras de grande importância pelos serviços que prestaram à população de Odivelas e merecem o nosso maior reconhecimento e gratidão.

 João Maria Bravo

O Sr. Dr. João Maria Bravo, residente e proprietário da Quinta do Barruncho, é bisneto de António Maria Bravo, júnior. Manteve sempre elos de ligação com a Sociedade Musical no campo da cultura. Desejando dotar a Sociedade de uma biblioteca, instou junto da direcção para que esse objectivo se concretizasse e ofereceu, com esse fim, os primeiros 100 livros. Graças à sua dádiva, no dia 17 de Abril de 1975, foi inaugurada a Biblioteca António Maria Bravo, nas instalações da colectividade. Enquanto a saúde lho permitiu, manteve contacto com a Sociedade, estimulando sempre a direcção a manter, desenvolver e alargar as actividades culturais.

Maria Máxima Vaz

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One Comment

  1. MaximaVaz says:

    A última proprietária da quinta do Espírito Santo foi a senhora D. Angélica Proença, residente na vila de Caria, na Beira Baixa. Era avó do Sr. João Proença da UGT e da minha amiga, colega e madrinha, D. Oriete Proença. Ele, filho do filho mais velho da D. Angélica, e ela filha do filho mais novo.
    A senhora vendeu a quinta do Espírito Santo no ano de 1959 por 12 000 contos e distribuiu o dinheiro pelos filhos. A neta Oriete casou nesse ano e recebeu de prenda um carro, no qual andei muitas vezes.
    Não me digam que não sei do que falo nem me digam que a quinta do Espanhol é a quinta do Espírito Santo, porque nunca foi.