Quinta do Espanhol e Quinta do Espirito Santo:As Duas Quintas
A quinta do Espanhol tinha uma bela casa de habitação, onde até há poucos anos esteve instalado o lar das antigas alunas do Instituto de Odivelas. Este edifício foi declarado de interesse municipal e adquirido, recentemente, pela Câmara.
O primeiro proprietário e o seu descendente usaram-na como casa de férias e estadia periódica, pois por razões de negócios, tinham residência fixa em Lisboa.
O primeiro dono, desta família “Bravo”, aqui faleceu em 1858.
Seu filho, António Maria Bravo foi um benemérito de Odivelas, pela sua acção no campo da instrução e cultura.
Na sua casa da quinta mandou instalar uma escola primária que era por ele inteiramente mantida.
Tomou a seu cargo custear tudo o que era necessário nas aulas, material didáctico, material escolar e até alguns alimentos às crianças.
Em 1863 fundou a Sociedade Musical Odivelense, única instituição que em Odivelas, durante muitos anos, desenvolveu actividades culturais. Ele foi o sócio n.º1 e os seus dois filhos, os sócios n.º2 e n.º3. Sendo uma sociedade musical, não podia deixar de ter uma banda. Nos livros de contas do Sr. António Maria Bravo encontra-se registado um empréstimo em dinheiro, feito à S.M.O, para comprar os instrumentos para a banda, no mês de Agosto de 1863. Vendo as dificuldades que a Sociedade tinha em satisfazer a dívida, António Maria Bravo decidiu fazer do empréstimo uma dádiva. Sabendo-se os elevados custos de cada instrumento, poderemos calcular a importância de tão generosa oferta.
A abertura de uma escola e a fundação da Sociedade são duas obras de grande importância pelos serviços que prestaram à população de Odivelas e merecem o nosso maior reconhecimento e gratidão.
João Maria Bravo
O Sr. Dr. João Maria Bravo, residente e proprietário da Quinta do Barruncho, é bisneto de António Maria Bravo, júnior. Manteve sempre elos de ligação com a Sociedade Musical no campo da cultura. Desejando dotar a Sociedade de uma biblioteca, instou junto da direcção para que esse objectivo se concretizasse e ofereceu, com esse fim, os primeiros 100 livros. Graças à sua dádiva, no dia 17 de Abril de 1975, foi inaugurada a Biblioteca António Maria Bravo, nas instalações da colectividade. Enquanto a saúde lho permitiu, manteve contacto com a Sociedade, estimulando sempre a direcção a manter, desenvolver e alargar as actividades culturais.
Maria Máxima Vaz
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A última proprietária da quinta do Espírito Santo foi a senhora D. Angélica Proença, residente na vila de Caria, na Beira Baixa. Era avó do Sr. João Proença da UGT e da minha amiga, colega e madrinha, D. Oriete Proença. Ele, filho do filho mais velho da D. Angélica, e ela filha do filho mais novo.
A senhora vendeu a quinta do Espírito Santo no ano de 1959 por 12 000 contos e distribuiu o dinheiro pelos filhos. A neta Oriete casou nesse ano e recebeu de prenda um carro, no qual andei muitas vezes.
Não me digam que não sei do que falo nem me digam que a quinta do Espanhol é a quinta do Espírito Santo, porque nunca foi.