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A História de Um Rei Sábio e Justo

Abril 16th, 2010 | by Máxima Vaz
A História de Um Rei Sábio e Justo
Patrimonio
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“  … foi um Príncipe capaz de ser o primeiro e não um sucessor, em qualquer monarquia “
D. Dinis nasceu no dia 9 de Outubro de 1261, na cidade de Lisboa , que, no reinado de seu Pai D. Afonso III, passara a ser a capital do reino.
Foi o primeiro rei a nascer  em Lisboa, cidade que sempre afirmou e demonstrou amar especialmente, porque, dizia, “aqui nasci, fui baptizado e levantado Rei …..”
Diz o cronista Frei Francisco Brandão, que este dia devia ser respeitado pelo nascimento de tão grande Rei.
Era  dia de S. Dinis ( ou Dionísio ), Patrono da nação francesa, e foi essa a razão do seu nome.
D. Dinis era grande devoto deste Santo, que sempre considerou seu protector.
Diz o cronista que desde tenra idade “ deu mostras de grande engenho e daquela viveza de juízo com que executou todas as acções do seu governo”.
Seu Pai, D. Afonso III, deu-lhe os melhores mestres que havia no Reino e alguns franceses que  mandou vir.
D. Afonso III viveu na Corte de França desde os 17 anos. Sua mãe, Dona Urraca, era irmã de Branca de Castela, rainha de França, mãe do Rei S. Luís. Enviou este filho para junto do primo, a fim de evitar o seu envolvimento nos conflitos que havia em Portugal, entre o clero e a nobreza.
A educação recebida por este Infante, na corte francesa, talvez seja uma das razões dos cuidados que teve com a educação do Príncipe D.  Dinis.
Com a idade de 4 anos e meio, desempenhou a sua primeira missão militar:
Por determinação de seu pai D. Afonso III, foi socorrer Afonso X, o Sábio, que foi atacado pelos mouros espanhóis e africanos. Portugal enviou auxílio por terra e por mar. A presença de D. Dinis visava despertar o brio dos portugueses nesta luta.
Em razão das doenças que afligiam D. Afonso III,  foi  D. Dinis associado às responsabilidades da governação ainda em vida do Rei seu Pai e, aos 16 anos e 9 meses de idade, a 20 de Junho de 1278, foi- lhe dada casa própria, com todo o pessoal necessário ao desempenho das suas funções.
A 16 de Fevereiro de 1279, com apenas 17 anos e 4 meses, foi coroado Rei!
No paço real de Barcelona, a 11 de Fevereiro de 1282, celebrou-se, por procuração, o seu casamento com a Princesa D. Isabel, filha do rei D. Pedro de Aragão.
A 24 de Junho do mesmo ano, realizou-se o casamento em Trancoso, já com a presença do Rei, que não tinha ainda completado os 21 anos.
Isabel tinha 11 anos.
Com 19 anos teve a Rainha  o primeiro filho e com 20 o segundo.
D. Dinis reinou 46 anos ! Um longo e feliz reinado ! As questões que ensombraram, por vezes, os seus dias, nunca foram provocadas por má administração ou tirania da sua parte.
E para terminar os dados biográficos, direi ainda, que El – Rei D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325, na cidade de Santarém , e que os seus restos mortais repousam no Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo, em ODIVELAS.
Dizem os seus cronistas  que era muito inclinado para as letras e que, só o seu elevado sentido de governação o pôde levar a não se lhe dedicar como seria seu gosto.
Mesmo assim, todos sabemos que foi poeta de grande valor e ultimamente até se descobriu um documento na Torre do Tombo, com uma pauta de sua autoria , o que nos permite admitir que comporia a música para algumas das suas poesias !
O prestígio de que gozava entre os poetas, levou o trovador galego/leonês, Jhoan a dizer, quando faleceu D. Dinis, que todos os que sabem “bem trobar” devem pôr luto, porque morreu um grande poeta.
O seu desejo de desenvolver a língua portuguesa, levou-o a ordenar que os documentos oficiais passassem a ser redigidos em Português, em substituição do Latim, que até então se tinha usado.
E todos sabemos da criação da Universidade no seu reinado e que mandou traduzir para a nossa língua muitos livros hoje desaparecidos, dos quais, ainda no século XVI, existiam alguns em Veneza.
Um dos que chegou até nós foi a “ HISTÓRIA DO MOURO RASIS “, cronista do 1.º Almançor, REI de CÓRDOVA, obra que contém muitas informações sobre a ESPANHA antiga.
Demonstrou ser um rei sábio e justo, quando criou a Ordem de Cristo,    tornando – a  herdeira dos Templários.
Nunca iniciou nem promoveu guerras e as que teve de enfrentar foram –lhe movidas pelos familiares mais próximos :
Seu irmão Afonso, mais novo que ele e lhe disputava o trono e seu filho e herdeiro que, ainda em vida do Pai, queria sentar – se no trono.

Maria Máxima Vaz

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