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OS FILHOS DE Dom DINIS

Abril 16th, 2010 | by Odv
OS  FILHOS  DE  Dom DINIS
Patrimonio
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Árvore Genealógica D.Dinis – clique sobre a imagem para zoom

O conhecimento que temos, até hoje, acerca dos filhos do Rei D. Dinis, foi obtido a partir dos cronistas e completado com documentos da Chancelaria deste nosso Rei. Não há dúvidas quanto aos filhos que nasceram do seu ca-samento com a Rainha Santa Isabel. Foram eles, a Infanta D. Constança, que veio a ser Rainha de Castela, por ter casado com o Rei Fernando IV, e o Príncipe D. Afonso, depois rei de Portugal. E do casamento real não houve mais filhos. Além destes filhos legítimos, teve o Rei D. Dinis nove filhos naturais, que foram:
Afonso Sanches, Pedro Afonso, João Afonso, Fernão Sanches, D. Maria Afonso, Fernando Afonso, Martim Afonso, mais um Pedro Afonso e mais uma D. Maria Afonso, (recolhida em Odivelas)
Todos foram legitimados pelo Monarca e criados como nobres de sangue real. Alguns deles tiveram altos cargos e desempenharam importantes funções. Saliento D. Afonso Sanches, Mordomo-mór, e D. Pedro Afonso, Alferes-mor, mais tarde Conde de Barcelos.
Foi este Conde, figura notabilíssima da cultura portuguesa, pois se lhe atribui a autoria do Livro de Linhagens, da Crónica Geral de Espanha de 1344  e a compilação de um livro de poesia galego-portuguesa, que é um Cancioneiro Geral onde estão incluídas poesias suas, o qual veio a ser a base dos Cancioneiros quinhentistas da Biblioteca Vaticana e da Biblioteca Nacional.
Como nos aparecem dois Infantes com o nome Pedro Afonso, poderá pensar-se que houve alguma confusão e, durante algum tempo, assim se admitiu, mas tudo leva a crer que não foi engano, porque o Conde está sepultado na igreja do Convento de Tarouca e o outro D. Pedro Afonso foi sepultado na Sé de Lisboa.
Às duas filhas naturais foi dado o mesmo nome. A mais velha casou com D. João de Lacerda, oriundo de famílias da mais alta nobreza de Castela e de Portugal. Afirmam alguns historiadores que esta Infanta já era nascida, quando o Rei contraiu casamento. Admite-se mesmo que o mosteiro de Odivelas terá sido fundado com o objectivo de aqui recolher esta Infanta, o que não veio a acontecer. Quem, na realidade, veio a ser recolhida neste mosteiro, foi a sua irmã mais nova, aqui falecida e sepultada.
As mães destes filhos d’El-Rei, nem todas são ainda conhecidas. Sabemos o nome da mãe de D. Afonso Sanches – D. Aldonça Rodrigues de Sousa. O seu nome vem declarado, pelo Rei, numa doação que fez a este seu filho, de sete casais na freguesia de Santa Maria de Real, julgado de Paiva. Era uma Senhora da alta nobreza e sabemos quem era a sua família.
A mãe do Conde de Barcelos é aquela de quem temos mais referências até agora, referências decorrentes dos seus bens e dos seus avultados rendimentos. Chamava-se Grácia Froes, também referida com o nome de Grácia Annes.
Pelo lado materno era neta do 3º alcaide de Atouguia.
Chamo à atenção para o facto de os alcaides serem funcionários régios e não os senhores das localidades ou das regiões. Dos bens de D. Grácia constavam casas em Lisboa, umas junto à Sé, outras junto às Portas do Ferro, uma herdade na Azóia e a ribeira de D. Grácia, no termo de Sacavém. Os documentos esclarecem que D. Grácia deu o nome à ribeira por ser «senhora dela». Há documentos que dizem, concretamente – «era senhora da ribeira de Sacavém». Há quem tenha suposto, erradamente, que D. Grácia viveu em Odivelas, afirmando que aqui nasceu o seu filho Pedro Afonso, Conde de Barcelos, aparentemente confundindo a ribeira de Odivelas, com a ribeira de Sacavém. Na opinião dos vários historiadores que já se ocuparam desta questão, o Conde de Barcelos terá nascido em Torres Vedras ou no seu Termo, por daí ser natural a família materna. Afirmar que nasceu em Odivelas não tem nenhum fundamento histórico.
Os bens de D. Grácia eram tão avultados que ela pode dispor de parte dos seus rendimentos para fundar e sustentar um hospital em Lisboa, assim como a capela de S. Gervás, na Sé de Lisboa, onde ela quis ficar sepultada. O Infante D. João Afonso era filho de D. Maria Pires, «boa dona», natural do Porto, conforme se declara no documento de legitimação, assinada pelo monarca. Foi um filho sempre ao lado do seu pai, quando o príncipe herdeiro, injustamente, lhe movia as guerras que tanto amarguraram os últimos anos do Rei D. Dinis. A fidelidade e o amor a seu pai, valeram-lhe a perseguição do irmão quando se tornou rei, que não teve escrúpulos em o mandar degolar. A crueldade de D. Afonso IV levou-o ainda a perseguir D. Afonso Sanches, tendo-se apossado de todos os seus bens e forçando-o a refugiar-se em Castela, para não ter o mesmo fim de seu irmão João Afonso. O Conde de Barcelos, que sempre lhe foi fiel enquanto príncipe, percebeu que não era visto de bom grado na Corte e, cautelosamente, retirou-se para os seus domínios, onde levou uma vida dedicada às letras. Os actos de crueldade são uma constante na vida de D. Afonso IV. Não esqueçamos que, já na idade madura, ordenou a morte de D. Inês de Castro.
Quanto à Infanta D. Maria Afonso casada com D. João de Lacerda, sabemos ser filha de D. Marinha Gomez, proprietária de casa em Valverde, nome que se dava aos terrenos para norte do Rossio até à «pedreira». No local da pedreira é hoje o Parque Eduardo VII.
D. Maria Afonso, a  mais nova, poderá ter sido filha de D. Branca Lourenço, a quem D. Dinis fez doação da vila de Mirandela, nos termos seguintes: «……Esta vos faço, por compra de vosso corpo. E se Deus tiver por bem, que haja de vós filho ou filhos, que ficasse a eles a dita vila, quando não, que tornasse à coroa». Este documento tem a data de 1301. Até este ano, não havia filhos. D. Maria Afonso foi criada em Odivelas, onde faleceu com idade próxima dos vinte anos, talvez em 1320. Neste período de tempo era Abadessa D. Constança Lourenço, irmã de D. Branca e filhas de um nobre de Riba Douro, D. Lourenço de Valadares.
Quanto à carta de doação, teve todos os requisitos necessários à sua validade: a assinatura do Rei e do seu Chanceler, de alguns membros da nobreza e do clero, reconhecendo-se perfeitamente as assinaturas de D. Martinho, Arcebispo de Braga e autoridade máxima da Igreja Portuguesa na altura; D. João, Bispo de Lisboa; D. Pedro, Bispo de Coimbra; D. Egas, Bispo de Viseu; D. Vasco, Bispo de Lamego e D. João, Bispo de Silves.
E se suas Excelências Reverendíssimas não viram impedimento, não temos nada a objectar.

Máxima Vaz

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