breaking news

As pioneiras em Medicina

Abril 28th, 2010 | by Máxima Vaz
As pioneiras em Medicina
Patrimonio
1

Dra. Máxima Vaz

Apontam-se cinco nomes: Elisa Augusta da Conceição Andrade, Amélia Cardia dos Santos Costa, Aurélia de Morais Sarmento, Laurinda de Morais Sarmento e Guilhermina de Morais Sarmento. Estes são os nomes das mulheres consideradas as primeiras médicas portuguesas, embora não seja claro se a primeira, Elisa Augusta, teria ou não concluído o curso. Matriculou-se na Escola Politécnica em 1880, que frequentou até final de 1884, desconhecendo-se se o teria finalizado, embora haja fontes que indicam que terá terminado o curso em 1889. Outras fontes porém, dizem não existir a dissertação de licenciatura que o prove e colocam a hipótese de ter desistido.

Amélia Cardia dos Santos Costa matriculou-se na Escola Politécnica em 1883, tendo frequentado este estabelecimento de ensino até ao final do ano lectivo de 1887.

Daí passou para a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde terminou o curso de Medicina no dia 20 de Julho de 1891. Tinha 36 anos de idade e foi a primeira mulher a trabalhar num internato hospitalar.

Seguiram-se no tempo, as três irmãs Morais Sarmento – Aurélia, Laurinda e Guilhermina, naturais de Aveiro e formadas na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

As duas primeiras fizeram a primeira matrícula em 30 de Setembro de 1886 e a 9 de Novembro de 1891 terminaram a licenciatura em Medicina. Guilhermina, mais nova que elas, seguiu-lhes o exemplo.

É um caso notável o desta família Morais Sarmento de Aveiro, pois a sua filha mais nova, de nome Rita, foi a primeira Engenheira Civil portuguesa, tendo feito o curso na Academia Politécnica do Porto.

Mas que instituições eram estas – a Escola Politécnica e as Escolas Médico-Cirúrgicas?

A Escola Politécnica foi fundada pelo Marquês de Sá da Bandeira, em 1837, depois de extinto o Real Colégio dos Nobres, ocupou o edifício deste e herdou dele todo o material escolar. Em princípio destinava-se às carreiras militares que necessitavam de uma base científica, mas cedo começou a admitir alunos não militares que se encaminhavam para cursos da área científica. Os futuros médicos faziam ali os preparatórios, assim como os farmacêuticos. Com o regime republicano criou-se em 1911 a Universidade de Lisboa e passou a chamar-se Faculdade de Ciências.

As Escolas Médico-Cirúrgicas de Lisboa e Porto foram criadas por Passos Manuel em 1836, por transformação das Reais Escolas de Cirurgia fundadas em 1825, respectivamente no hospital de S.José e de Santo António. Até à criação das Universidades de Lisboa e Porto em 1911, ministraram o ensino da Medicina e Farmácia. São as antecessoras das Universidades destas cidades.

Na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa se formou Adelaide Cabete em 1900 e Carolina Beatriz Ângelo em 1902. Não sendo as primeiras a formar-se em Medicina, são, mesmo assim,pioneiras na prática da Medicina e duas figuras que enchem de justificado orgulho as mulheres portuguesas!

Maria Máxima Vaz

________
Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.