breaking news

Rilhafoles e o Casal Novo

Maio 5th, 2010 | by Máxima Vaz
Rilhafoles e o Casal Novo
Patrimonio
0

Pavilhão de segurança Hospital de Rilhafoles

Ultimamente tem-se afirmado,  que o convento de Rilhafoles ficava no Casal Novo. Desconheço a fonte desta afirmação, mas admito que pode resultar  de um artigo sobre o Casal Novo, escrito pelo Padre João Baptista Pereira.

Fazendo o historial dos proprietários do referido Casal, a dado passo, diz assim o Padre João Baptista Pereira:

“Após o ano de 1757 não pude descobrir quais fossem os donos desta propriedade; apenas, pela tradição e escassas referências nos livros de registo, consta que foram seus penúltimos possuidores os religiosos da Congregação da Missão, com sede no convento de Rilhafoles, que o adquiriram, como tantas outras ordens religiosas da capital faziam, para nele veranearem, e, principalmente, convalescerem de alguma mais grave enfermidade…..”

Daqui não se pode concluir que era no Casal Novo, o convento de Rilhafoles. O que o autor nos diz é que, os religiosos que adquiriram o Casal Novo, tinham a sua sede no convento de Rilhafoles.

Este convento foi nacionalizado em 1834, quando o Estado liberal nacionalizou os bens das Ordens Religiosas. Nele foi instalado, mais tarde, o conhecido hospital de Rilhafoles, destinado a doentes mentais. Mas, como “o mundo é feito de mudança”, com a implantação da República, o hospital de Rilhafoles mudou de nome e passou a chamar-se hospital Miguel Bombarda. É o nosso, tão conhecido, hospital com este nome. E nunca foi no Casal Novo. Foi sempre, onde ainda é na presente data, na zona do Campo de Santana.

Dr. Miguel Bombarda

O famoso médico Miguel Bombarda, foi director deste hospital, e a República quis homenageá-lo, dando o seu nome à instituição que dirigiu e serviu com grande competência e dedicação. Tinha sido empossado nesse cargo, em 1892.

Haverá ainda outra razão para este hospital psiquiátrico ter o seu nome – é que Miguel Bombarda foi assassinado, no seu posto de trabalho, por um seu doente, dado como curado, o tenente do Estado Maior, Aparício Rebelo Santos, no dia 3 de Outubro de 1910. Este oficial, que já se encontrava ao serviço depois da doença, apresentou-se no hospital pelas 11 horas e pediu para falar com o Director, que aceitou recebê-lo de imediato. Mal entrou no gabinete e o médico se lhe dirigiu, disparou sobre ele vários tiros de pistola, atingindo-o mortalmente com 4 balas.

Ao meio dia já os placards dos jornais espalhavam a notícia por Lisboa.

A sua morte causou uma grande consternação entre os populares, não só pela estima que o povo de Lisboa tinha por um dos médicos mais prestigiados e queridos da capital, mas também nas hostes republicanas, por ser ele o responsável pelo organização dos revolucionários civis, que iam tomar parte na revolução marcada para o dia 4 e que, por equívoco de última hora, só veio a eclodir no dia 5. Dispenso-me de contar novamente que equívoco foi esse, para não maçar os leitores, porque relatei esse facto, num artigo publicado no dia 5 /10, pela imprensa regional.

Esta é que,  tanto quanto sei, é a verdade. A História constroi-se com relatos dos factos, desde que não estejam deturpados. E é preciso saber ler! É que  a nossa imaginação só dá para contar “estórias”, não para fazer história. A História tem sempre fontes. Há quem parta do princípio que todos os documentos são fontes. Mas o problema é que nem todos os documentos são credíveis, porque sempre houve quem gostasse de contar “estórias”.

Maria Máxima Vaz

________
Proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos apresentados, sem licença do autor.

Comments are closed.