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CONFISSÕES

Maio 22nd, 2010 | by Luis F. Silva

Confesso, que não gosto de contar nada sobre a minha intimidade, porque tenho direito a ela, porque é a minha vida, porque nós não somos vedetas, porque nós também somos comuns cidadãos, com mensalidades da casa para pagar, com filhos na escola, com ordenados que não chegam ao fim do mês, com a ansiedade pela chegada do 13º mês ou subsídio de férias para compor os desvios orçamentais, como qualquer mortal, num País que não aposta na área produtiva e que numa qualquer crise, faz sempre os mesmos pagarem por todos, em medidas nem sempre justas.

Confesso, que estou a falar da classe dos jornalistas e admito que nem todos os companheiros de profissão pensem como eu. Isso tem que ver com a qualidade da formação que absorvemos e a minha foi nos Emissores Associados de Lisboa, na Alfabeta/Rádio Peninsular e Rádio Voz de Lisboa, que só os mais vividos conseguem recordar e onde se formavam grandes radialistas, mas também, homens e mulheres de bem e não vedetas como em outras escolas. Lembram-se do João Paulo Dinis? Grande professor, pai, amigo, o homem da 1ª senha do 25 de Abril que teve de ir trabalhar para França (Rádio Alfa) porque não lhe davam trabalho em Portugal. Um dos muitos proscritos do 25 de Abril. O Hermenegildo Gomes, para mim uma enorme e eterna saudade, pela capacidade de luta e resistência, o amigo sempre ali à mão. O que se falava nos corredores, à boca fechada e que eu, mero aprendiz absorvia com sofreguidão. O Júlio César, desculpa lá, “ganda maluco”, decidiste bem! Sempre é melhor o Casino Estoril e as telenovelas, que estar sujeito à ditadura das palavras inconvenientes.

Houve mais gente a influenciar-me positivamente. Nunes Forte, Costa Martins, José Là Féria e Luis Garlito no Clube Radiofónico de Portugal e para a época dos primeiros passos, ficamos por aqui, não dando importância aos vedetismos, que não o são na realidade.

Confesso, depois disto, que a minha passagem pela Rádio Nova Antena e pela Rádio Horizonte Tejo me tornou mais rico como comunicador e como pessoa. Amadureci. Por alguma razão decidi trocar a RNA pela RHT e por razões que me arrependo, interrompi a actividade e regressei anos depois, como correspondente da Rádio Jornal da Madeira que troquei há cerca de 3 anos pela Antena 1/Açores. É um percurso de vida que podem considerar atribulado, mas foi o que consegui, deixando sempre amigos por onde passei. Em jeito de confissão, também vos digo, com algum orgulho, que não está ao alcance de qualquer um, ir deixando amigos por onde passa, sem em situação nenhuma dobrar a espinha.

Confesso que, não sei se foi boa ideia, voltar a trabalhar no Concelho onde resido. Foi o António Veloso, com quem já tinha trabalhado na RNA o responsável pelo regresso. A ideia era “partir a loiça”, como tantas vezes dizíamos na RNA e eu ficaria com área desportiva de “O Meu Jornal”. Não me arrependo, mas aprendi que, às vezes, a loiça somos nós e acabamos em “cacos”. Os comerciantes e industriais deste Concelho não merecem nem têm capacidade para ter um jornal com a linha editorial de “O Meu Jornal”.

Confesso que, abracei o projecto da Odivelas TV, com todo o empenho, não me arrependo e por mim, estou para ficar. Inicialmente no desporto, agora também noutras áreas, onde tenho o grande prazer de ensinar, formar, ajudar, quem aparece de novo e tem uma carreira pela frente. Morreria feliz, se depois disso, me recordassem com a gratidão com que eu recordo os meus formadores.

Confesso que, não gostei das observações que um colega de profissão e a coberto do anonimato de uma tal Ricardina, que nada mais é do que ele próprio, fez sobre a prestação de uma colega de trabalho, no seu primeiro trabalho do seu primeiro dia, cuja responsabilidade de formação é minha. Admito confessar, saber  que a inveja é coisa feia e não está ao alcance de qualquer um ultrapassar esse sentimento negativo. Na Odivelas TV não há vedetas e vamos responder com trabalho, cada vez melhor, mais incisivo, como se dizia na RNA, “vamos partir a loiça toda”, mas sem objectivos políticos. Não somos contra nem a favor de ninguém. Somos jornalistas e é jornalismo que queremos fazer. Sério, isento, e particularmente para ti, companheiro de trabalho, confesso, que não sei se sabes o que isso é.

Confesso que, gostava que me contasses como foi o teu primeiro dia de trabalho. O meu, confesso contar. Entornei um copo de água na mesa de mistura, que como deves calcular, avariou e antes disso já tinha “dado bandeira” a ler um texto sobre o poeta Pablo Neruda, uma das figuras que hoje mais admiro. Não achas que coçar a perna é uma forma de nervosismo menos nociva que esta?  Achas que eu tinha intenção de gozar com o Paulo Neruda? Se naquela altura, algum jornal me tivesse feito a “gentileza” com que brindaste a tua colega, eu tinha prosseguido a carreira? Certamente que outro faria o mesmo que eu, mas com toda a certeza eu não estaria aqui e agora. 

Confesso que, fiquei por cá para te dizer que deves ter vergonha e retratar-te. Estas atitudes não dignificam a classe e fazem da Comunicação Social em Odivelas uma selva onde ninguém gostará de viver. Só com trabalho, urbanidade, respeito pelo próximo e isenção estaremos em condições de algum dia nos fazerem justiça e nos proporcionarem adequadas condições de trabalho. Já agora, também te confesso, que não aprecio, porque nunca me ensinaram escrever ou comunicar de qualquer outra forma, sobre anonimato de uma qualquer Ricardina. Deixa-te disso, usa-se cada vez mais, mas é o caminho mais fácil. Esquece estamos cá para o difícil: assinar o que escrevemos e dizemos.

Confesso que, assino o que digo e escrevo.

 Luís Filipe Silva

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