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A História Religiosa também é Património Cultural

Junho 13th, 2010 | by Máxima Vaz
A  História  Religiosa também é  Património  Cultural
Patrimonio
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Dra. Máxima Vaz

Relegada para o domínio do esquecimento, são poucos os que hoje têm conhecimento da nossa História  Religiosa, história que não podemos separar da Civilização Ocidental.

Com a queda do Império Romano do Ocidente e no caos em que as invasões bárbaras o transformaram, distinguiram-se notáveis homens da Igreja, que foram a consciência viva do Ocidente. A esses homens devemos  os fundamentos da Cultura Ocidental , filha da Cultura greco-romana, que eles preservaram e nos transmitiram.

Limitando-nos somente ao nosso País, é justo destacar aqui o Papa  S. Dâmaso, nascido em solo português,  quando Portugal ainda não existia como Estado. Isso não impede que seja considerado português. As grandes obras universais  assim o declaram. Vejamos o que nos diz o grande dicionário Larousse :

“S. Dâmaso, Papa de Outubro de 366 a  10 de Dezembro de 384. Nascido em Portugal, foi eleito à morte do Papa Libério. Reuniu  em Roma vários  concílios com vista à clarificação e debate de alguns aspectos da doutrina. Encarregou S. Jerónimo de rever a antiga versão latina da Escritura e foi deste trabalho que saiu a Bíblia designada  por Vulgata, a única conhecida no Ocidente, durante séculos.”

Duarte Nunes de Leão, notável cronista português, informa-nos que, S. Dâmaso, trigésimo sexto sucessor de S. Pedro, era natural de Guimarães, teve por secretário S. Jerónimo e que, por sua determinação, se começaram a cantar os salmos de David nas horas canónicas, terminando, sempre da mesma forma : Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo. Esta questão era, na altura, muito importante, porque tinha a finalidade de afirmar que as três pessoas da Santíssima Trindade, ao contrário do que afirmavam os heréticos arianos, eram iguais e distintas. Foi também este nosso Papa que ordenou que no início da Santa Missa, se dissesse a confissão, como ainda hoje se faz. Informa-nos ainda o mesmo autor que, S. Dâmaso “era grande letrado nas letras divinas e humanas, e poeta mui elegante.” E acrescenta ainda : “Seus estudos comunicava com S. Jerónimo a quem o mesmo santo padre dedicou as vidas dos sumos pontífices que escreveu. Foi este pontificado felicíssimo por ter por súbditos e familiares os três doutores, colunas da Igreja : S. Jerónimo, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, além de outros varões santos e doutíssimos.”

Não venho aqui falar dos santos portugueses por motivos religiosos. O meu objectivo é, tão somente, defender o que é nosso, o nosso Património Histórico/Cultural. Parece-me que a figura deste Papa  honra  Portugal e a Igreja e é um Santo a invocar pelos católicos e muito mais pelos católicos portugueses. È que os santos nacionais têm para nós a vantagem de falarem português como nós! Além disso não virarão, por certo, as costas aos seus compatriotas. Pelo contrário, serão, como portugueses que são, os nossos embaixadores junto de Deus!

Falei de S. Dâmaso, mas poderia ter falado de muitos outros santos portugueses. O cronista que referi, na sua obra intitulada “Descrição do Reino de Portugal”, fala-nos

de mais 86 santos, nossos compatriotas, dizendo donde são e o que fez deles santos.

Por uma questão de zelo pela nossa História e da nossa cultura, parecia-me bem que,

pelo menos,  soubéssemos  deles, esse mínimo.

Dir-me-ão que conhecem muito bem Santo António, S. João de Deus, S. João de Brito, a Rainha Santa, S. Francisco Xavier. Já fico satisfeita que conheçam pelo menos esses, mas então e os outros ? Faltam ainda 81 e eu gostaria de lhos apresentar um dia destes.

Convém conhecê-los a todos, porque é sempre bom ter a quem recorrer, quando nos vemos aflitos, e se um não nos ouve, pode ser que nos ouça outro !

E, antes de terminar, lembro ainda que Portugal teve no século XIII um outro Papa, João XXI, Pedro Hispano, também conhecido pelo nome de Pedro Julião, filósofo de grande nome e crédito na Europa, e também médico. Nasceu em Lisboa no ano de 1205, provavelmente.

Lembrar e defender o que é nosso e nos honra , assim como combater e corrigir o que nos diminui e envergonha, são deveres de cidadania.

Maria Máxima Vaz

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