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Festas de tradição popular em Odivelas

Junho 22nd, 2010 | by Odv
Festas de tradição popular em Odivelas
Patrimonio
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Dra. Máxima Vaz

As festas de tradição popular em Odivelas das quais tenho encontrado referências escritas e cuja realização está interrompida, foram as que se fizeram no Senhor Roubado pelo S. João. Esta festa tinha um cunho marcadamente popular.

Conta-nos Francisco José de Almeida, no livro Apontamentos da Vida de um Homem Obscuro, que o monumento era acrescentado com cortinas e panos de arrás, sob os quais se dispunham as bancas dos festeiros para a recolha das esmolas, as bancas para a colocação das fogaças, seguida da banca onde se fariam os leilões, mais adiante a banca das medalhas, estampas e outras recordações que os festeiros gostam sempre de levar.

Realizava-se no Senhor Roubado mas era a festa do S. João.

Começava de véspera “ com fogueiras e foguetes em roda do adro”.

É tradição, na maior parte das aldeias do país, em noite de S. João, ascender fogueiras de rosmaninho, belaluz e outras plantas aromáticas da região, para as pessoas saltarem por cima delas, na convicção de que isso as vai imunizar de certos males. Os participantes procuram um ponto estratégico e aguardam o melhor momento para executarem o salto com segurança. Se têm sucesso no primeiro salto, repetem enquanto lhes agrada e a animação é grande em volta da fogueira até todos terem participado. Como o rosmaninho era colhido no próprio dia, estava verde, ardia mal e fazia muito fumo. Daí a razão de o povo dizer que se “defumava” na noite de S. João. Na mente popular correspondia a uma benção, com o mesmo mérito ou, sabe-se lá, até maior que uma benção sacerdotal. E assim se vivia a noite de S. João.

No dia seguinte, 24 de Junho, manhã cedo, antes de nascer o Sol estendiam-se as roupas de casa e de vestir, para apanharem o orvalho do S. João e deviam recolher-se antes de nascer o Sol. Com o corpo e as roupas imunizadas, estava o povo pronto para enfrentar a vida durante um ano. Até ao próximo S. João.

Em Odivelas, no Senhor Roubado, dia 24 de Junho pelas 10 horas começavam a “afluir os ranchos de devotos vindos de três léguas em redondo”.

Pelas 11 horas chegavam os mordomos e demais encarregados dos festejos, vindos pela estrada de Odivelas, precedidos de tambor e gaita de foles. Os ranchos de devotos vinham pelas três estradas que confluíam no Senhor Roubado : de Lisboa, Odivelas e Pombais.

Pelas treze horas começava o leilão das fogaças. Cada tabuleiro de fogaças vinha à cabeça de uma rapariga e começavam as ofertas, sempre comentados com gracejos e brejeirices dos leiloeiros. Só depois, aí pelas 15h e 30 é que se estendia o farnel para almoçar, geralmente sobre os carros de tracção animal, que os tinham transportado até ali. Na ementa era obrigatório o peixe frito e o bacalhau albardado, bem regado com o roxo de Torres Vedras. A reinação era grande até às 18 horas, quando se iniciava a debandada.

O dia 9 de Outubro, aniversário do Rei D. Dinis, era também muito celebrado em Odivelas, com destaque para o bodo aos feirantes.

Com a decadência da feira e a diminuição dos feirantes, o bodo continuou a fazer-se, mas para ao pobres.

Havia outras festas, mas apenas de cariz religioso:

A 10 ou 11 de Maio a festa do Santíssimo Sacramento;

Em  Janeiro, a festa do Santíssimo Nome de Jesus, mas sem um dia fixo;

No Verão a festa do Mártir S. Sebastião, que só terminou em 1940.

E, de 26 em 26 anos, a maior de todas….. O Círio dos Saloios

As marchas ainda não ganharam direito a serem classificadas como tradição, aqui em Odivelas.

Não estão ligadas ao Santo António como em Lisboa, mas sim ao S. João.

Não me parece forte aqui o culto ao Santo António. Até agora encontrei memória apenas de um lugar de culto ao nosso Santo – a quinta de Santo António da Urmeira.

Das festas das freiras não falo porque, sendo no mosteiro, o povo não participava, mas algumas delas tinham origem popular, como por exemplo a benção dos coentros em dia de S. Brás.

Divertimentos que foram tradições, mas não poderemos considerar festas, poderemos fazer referência às cegadas.

Não quero terminar sem referir os célebres Outeiros organizados pelas freiras. A entrada            era livre, mas não me parece que fosse uma festa popular.

AS  MARCHAS de Odivelas

  1. – 2000 – tema : Os Bairros de Odivelas
  2. – 2001 –     “      O Rei D. Dinis
  3. – 2002 –     “      Os Saloios
  4. – 2005 –     “      A marmelada e os Outeiros
  5. – 2006 –     “      Majoretes

As Marchas  não são uma criação espontânea popular.

Foram pensadas e organizadas por intelectuais sob a liderança de Leitão de Barros, em 1932.

As associações culturais dos bairros de Lisboa aceitaram a proposta .

Em Lisboa realizam – se pelo Santo António porque é o Santo mais popular da cidade.

Há, contudo, uma relação entre as marchas e as festas populares:

As festas dos Santos populares eram, inicialmente, apenas os arraiais que ainda hoje se realizam e de que temos notícia desde o século XIX.

Desses arraiais saíam, por vezes, grupos organizados  –  “ as Ranchadas “ –  que iam a outros bairros executar as suas danças, voltando seguidamente aos seus bairros.

O tema das marchas está sempre relacionado com a vida da população daquele bairro.

Factores determinantes na concepção das marchas : os Santos populares e a vida  , história e cultura local.

Maria Máxima Vaz

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