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Software – Um Office Gratuito

Agosto 21st, 2010 | by Antonio Tavares

Esta coluna surge como resposta a diversas questões do dia-a-dia relacionadas com a Informática e a Internet em geral e pretende tornar o conhecimento destas matérias mais acessível aqueles que usando a Informática e a Internet como ferramenta de trabalho não são especialistas na matéria.

Neste primeiro artigo vou falar-vos da questão do Software(1) Gratuito.

A grande dúvida inicial para quem equaciona o uso de Software Gratuito é a sua qualidade. Pois bem, no software gratuito como no software pago, há bons e maus Programas. Antes de se usar qualquer programa em trabalho real convirá sempre passarmos por um período de testes. Obviamente que isto é uma regra do bom senso mas há casos nos Programas pagos em que o utilizador não tem hipótese de usar uma versão demo e assim sendo comprar no escuro nunca será uma solução acertada… No caso dos Programas gratuitos alguns há que deixam muito a desejar no suporte e isso é uma questão fundamental. Antes de usar de uma forma profissional um Programa pago ou gratuito coloque questões nos Forums de suporte e veja a velocidade e a qualidade das respostas às suas questões.

Vamos a um caso prático, que aliás tentarei sempre trazer a esta coluna, do Office. Os programas que compõem o Office da Microsoft nomeadamente o Word, o Excel ou o Powerpoint são dos mais usados em casa e no escritório. A Microsoft usou aqui uma estratégia interessante que veio a dar os seus frutos alguns anos depois, ao permitir, numa fase inicial, a cópia indiscriminada e sem controlo do seu “Office” levando a que todas as pessoas e sobretudo os mais novos começassem a usar em casa os programas do Office e mais tarde, nas empresas, o Office começasse a ser um standard.

Na verdade a maioria das pessoas não tira partido mais de 30% das potencialidades dos programas do Office, mas a marca Microsoft tem a força que tem e como diria o poeta “Nunca ninguém foi despedido por comprar Microsoft”.
A alternativa gratuita de que Vos quero falar, é o OpenOffice que, à data da escrita deste artigo vai na versão estável 3.2.1 e que pode ser descarregado (Versão Portuguesa) da internet aqui: http://pt.openoffice.org/.

O OpenOffice inclui os programas equivalentes do Office da Microsoft e mais além, como diria o Buzz Ligther. Versões para Windows, Mac e Linux.
Programas incluídos no OpenOffice: Writer, Calc, Impress, Base, Draw, Math.
Os nomes dos programas incluídos dizem tudo mas o Math por exemplo fará as delícias dos que usam fórmulas e símbolos matemáticos. Quanto ao problema da compatibilidade com os programas da Microsoft o Write, por exemplo, na gravação, dá a escolher o tipo de ficheiro a gravar e um deles é o formato Word.

Um último pormenor que relevo de muito importante é, o facto, do pacote já incluir na gravação, a exportação no formato PDF, ou seja, com o OpenOffice não precisamos de ter um programa adicional para criar os tão usados PDFs, essa funcionalidade já vem incluída no pacote gratuito.

Numa altura em que tanto se fala em controlo de custos, a alternativa OpenOffice faz todo o sentido e, o que não faz sentido é que por este País fora se continue a pagar licenças de dezenas de milhares de euros quando se tem uma alternativa funcional e gratuita. As grandes entidades têm aqui uma oportunidade de poupar largamente no orçamento e as pequenas entidades de interesse social, que lutam no dia-a-dia pela sobrevivência e para arranjar receitas para prosseguirem os seus fins, não têm qualquer desculpa para não usarem Software Gratuito.
Tendo em conta que existem alternativas para equipar um Computador totalmente com Software gratuito – Sistema Operativo (Linux) e Programas, a bem de todos nós, não deveria ser apoiada financeiramente pelo Governo Central e Autarquias qualquer instituição que se dê ao luxo de gastar centenas, senão milhares, de euros em software pago.

António Tavares

(1) Software – Programas que executam instruções previamente codificadas e gravadas num ficheiro obedecendo a uma determinada linguagem de programação.

One Comment

  1. meldias says:

    Excelente artigo.

    Sou um utilizador do Open Office regular quer a nível profissional, quer a nível particular (uso Linux em casa) e testemunho as suas reais potencialidades.

    “Tendo em conta que existem alternativas para equipar um Computador totalmente com Software gratuito – Sistema Operativo (Linux) e Programas, a bem de todos nós, não deveria ser apoiada financeiramente pelo Governo Central e Autarquias qualquer instituição que se dê ao luxo de gastar centenas, senão milhares, de euros em software pago.”

    Efectivamente este é um problema e mais ainda a nível do ensino público onde se deveria estabelecer contacto com as plataformas alternativas gratuitas existentes. Possuo 3 computadores portáteis com cópia legal do Windows e em dois deles está também instalado o Linux. Tudo o que necessito, faço com Linux pois as vantagens são muitas e as desvantagens a mim não me afectam. O meu computador de secretária é um Pentium 4 a 2.0 ghz com 512mb de RAM e 64mb de placa gráfica. Insuficiente para correr o Sistema Operativo da Microsoft mas capaz de correr o Linux. Por aqui se vê que as escolas poderiam tirar melhor proveito e partido de hardware considerado desactualizado e ensinar aos alunos outras alternativas.

    Antes de me considerarem faccioso, utilizar 2 sistemas operativos é mais um caso de valorização pessoal e gosto por aprender. Ambos têm vantagens e desvantagens, cumpre ao utilizador saber escolher qual o que mais lhe agrada trabalhar. Muito resumidamente posso esclarecer algumas.

    Windows

    Vantagens:
    – Amplamente utilizado.
    – Inúmeros programas para escolha e utilização
    – Excelente para jogos (para quem gosta, pessoalmente não sou adepto)
    – Pré instalado em quase todos os computadores comercializados.

    Desvantagens:
    – Insegurança a nível de software malicioso e vírus que por vezes obriga a utilização de software de terceiros (com licenças a pagar) para colmatar essa falha.
    – Elevada exigência de hardware
    – Actualizações a pagar (por vezes implicam a troca do computador).

    Linux

    Vantagens:
    – Gratuito, assim como a grande maioria dos programas disponibilizados.
    – Seguro e imune a software malicioso e vírus (obriga o utilizador a saber regras muito básicas de utilização de qualquer software)
    – Pode-se experimentar sem instalar no computador (usando os live CD pode-se satisfazer a curiosidade sem estragar nada no nosso PC ou até executar algumas tarefas que exigem um nível de segurança superior ao Windows, como por exemplo, consultar e executar tarefas na nossa conta bancária online)

    Desvantagens:
    – Salvo algumas raras excepções, não vem pré-instalado de fábrica na grande maioria dos computadores (embora seja um processo muito simples e à distância de 7 cliques de rato).
    – Incompatibilidade com algum hardware (tecnicamente isto não é culpa do Linux e sim do fabricante de hardware, pois não produz os drivers) embora seja uma questão meramente pontual.

    Tal como o Windows, requer algum tempo para estudo e aprendizagem mas depois de se ultrapassar essa fase, torna-se incrivelmente fácil e intuitivo. Ao contrário do que para aí se diz e escreve, o Linux é amplamente utilizado noutras vertentes e muitos dos equipamentos que utilizamos tem a sua base (telemóveis, modems, routers, etc.). Grandes fabricantes mundiais apoiam o Linux (Google com o Android e o Chrome OS, Samsung com o BADA, etc.)

    Aconselho vivamente a fazerem o teste via Live CD como primeiro contacto.