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O que dizem os documentos….

Agosto 26th, 2010 | by Máxima Vaz
O que dizem os documentos….
Patrimonio
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ESCRITURA V

“Que he hua lista da prata que se deu a elRey D. Dinis sendo Infante, quando elRey seu pay lhe deu casa, & dos fidalgos que entrarão a seruilo; està na Torre do Tombo na gaueta das Cortes; serue para os Capit. XIV, até XVII do mesmo livro 16.

Em nome de Deus ámen. No ano de 1316 começou D. Dinis a ter casa e com o fim de a manter, atribuiu-lhe o rei D. Afonso, seu pai, quarenta mil libras por ano no dia vinte de Junho e no dia seguinte saiu de Lisboa.

Em nome do Senhor esta é a oferta de prata que recebeu Estêvão João, o reposteiro-mor de D. Dinis. Em primeiro lugar recebeu da Rainha um bacio com as insígnias de águias e leões que pesou três marcas e cinco onças de prata.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e quatro onças.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e seis onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e sete onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou uma marca e quatro onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e quatro onças e meia.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça e meia.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e uma onça e meia.

Igualmente uma escudela que pesou duas marcas e um quarto de onça.

Igualmente um cutelo de prata que pesou cinco marcas.

Igualmente um cutelo de prata, que pesou quatro marcas e sete onças e meia.

Igualmente um saleiro de prata que pesou uma marca e um oitavo de onça.

Igualmente um saleiro que pesou uma marca e meia onça.

Igualmente um saleiro que pesou uma marca e um quarto de onça.

Igualmente um saleiro q1ue pesou uma marca.

Recebeu igualmente doze colheres de prata que pesaram uma marca e um quarto de onça.

Recebeu igualmente um jarro de prata que pesou três marcas e seis onças e meia para dar água para as mãos de Dom Dinis.

Era de 1316. Esta é a oferta de prata que está na escançaria de Dom Dinis.”

Compete-me fazer aqui algumas chamadas de atenção: A data é da Era de César e não da Era de Cristo; Não actualizei a ortografia, incluindo os acentos gráficos, por uma razão pedagógica: se nunca se tivessem feito actualizações ortográficas, a língua seria muito diferente da de hoje e até da deste documento. Usaríamos ainda o “Galaico-Português”. Sou de opinião que antes de nos pronunciarmos a favor ou contra o acordo ortográfico, precisamos de reflectir com dados históricos, precisamos das nossas “memórias”. Salta à vista o pormenor da enumeração, que refere as peças uma a uma e os pesos sempre por extenso. Isso tornava muito improvável a falsificação e a subtracção de metal a cada peça. Aconselho a consulta de outros artigos disponíveis, e refiro especialmente “À Mesa com o rei”. E não deixo de lançar um desafio: Alguém será capaz de fazer a equivalência dos pesos aqui declarados, aos pesos actuais?

Maria Máxima Vaz

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