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A Presidenta

Janeiro 8th, 2011 | by J Paiva Setubal

Só por completa cegueira e surdez nos pode passar ao lado o que se está a passar no Brasil.

Quer queiremos quer não, o Brasil está aí connosco.

São os portugueses que foram e vão ao e para o Brasil, são os brasileiros que vieram e continuam a vir para ou a Portugal, mas acima de tudo é a língua, uma gramática muito nossa, muito complicada, que o povo brasileiro toma em mãos para aligeirar, para simplificar, para agilizar, para indigestão de muitos puristas que sendo incapazes de construir algo novo, agarram-se de unhas e dentes ao imobilismo de uma gramática que existe para suportar esse corpo vivo que é a riquíssima língua portuguesa.

O Brasil que queremos incentivar a investir em Portugal, que queremos que compre dívida portuguesa, que cresce, em plena crise mundial, a níveis de 2 dígitos, está a dar uma das maiores lições ao mundo que alguma vez foi possível ou pensável.

Primeiro, um metalúrgico praticamente analfabeto que é eleito Presidente e que deixa a Presidência, ao fim dos 2 mandatos constitucionalmente permitidos, com uma taxa de popularidade de 80% (!).

Segundo, a eleição impensável há meia dúzia de anos, de uma mulher para a Presidência daquela imensa Nação.

A “Presidenta”, como se autodenominou, arrancou a falar da pobreza e da sua erradicação.

Da riqueza e da sua distribuição.

E nestes exemplos, que não temos qualquer esperança de ver refletidos em Portugal, inclui-se um discurso cujo conteúdo é, só por si, um tratado de vida social.

Depois de ouvir este discurso os politicozinhos que dizem governar Portugal há décadas deveriam ser capazes de sentir vergonha.

Mas não são !

Paiva Setúbal

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