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Editorial – Ano Novo …

Janeiro 11th, 2011 | by J Paiva Setubal

“Ano Novo, Vida Nova” dizem muitos.

Não me parece que vá ser exatamente assim e, antes pelo contrário, parece-me que será Ano Novo e verdadeiramente Vida Velha, e como acontece com a maioria dos velhos em Portugal, “Vida Velha” significará “Vida Pobre”.

É com essa promessa que começamos 2011.

Na nossa casa não temos muito por onde nos queixar. As dificuldades são de todos os dias, e se são cada dia maiores é também porque aquilo que nos pedem é cada vez mais exigente.

Queremos mais e melhor, temos projetos para pôr em marcha dentro do nosso projeto de Comunicação e iremos anunciá-los muito em breve.

Iremos falar muito e tão alto quanto nos for possível do “Olival do Pancas”, sabem o que é ?

Entretanto é a hora de fazer um balanço à atividade de 2010.

É um exercício de recuperação do bom e do mau que ocorreu durante os 365 dias passados.

Não é que tenha grande significado e que garanta seja o que for para o futuro, mas é um sumário de atividade que pode ajudar mais tarde, num futuro mais futuro, a recordar o que foi feito, ou que aconteceu, em determinada fase deste nosso campeonato.

Em casa

Ano “chato” este finado 2010.

Começou com expectativas elevadas mas logo, logo, saltaram algumas realidades que puseram no seu lugar da reciclagem algumas dessas expectativas, importantes sem dúvida, mas muito complexas também.

E se o começo foi assim, o final foi bem pior !

Pontos altos do ano ?

. Se tivéssemos que eleger apenas um acontecimento certamente daríamos o 1º lugar ao início das nossas emissões regulares diárias. O que isso significa para uma televisão local fica bem visível com o facto de ser única em Portugal. E Odivelas não percebe isso ! É tudo uma questão de capacidade de entendimento.

 . Logo a seguir nesta espécie de hierarquia de acontecimentos, colocamos a conversa/entrevista com Júlio Pomar. É um dos maiores da arte e da cultura portuguesa contemporâneas.

. O “Anda Bernardo” que arrancou connosco numa conversa ocasional na Escola da Paiã e que o esforço e o trabalho de muitos (Fapodivel, Jaime Carvalho, Fernanda Ramos, …) fizeram com que ganhasse dimensão perante o desprezo da grande maioria dos responsáveis autárquicos (Câmara e Assembleia).

. O trabalho realizado sobre o comércio local e a questão da “tabela de taxas de publicidade e de ocupação dos espaços públicos” que forçou uma correção que permitiu repor algumas esplanadas que se haviam retirado.

. A reportagem do Grande Prémio de Ciclismo de Loures, que levámos a cabo e que nunca havia sido feita com uma cobertura tão forte e tão próxima do acontecimento.

. O trabalho realizado sobre a origem do Concelho, como nasceu e como trabalhou o MOC (Movimento Odivelas a Concelho) com o levantamento das opiniões dos que participaram, trabalho que faltava para que a memória não desapareça e os factos fiquem para a História tal qual aconteceram.

. A cobertura e transmissão em direto de vários eventos, com destaque para as “Conferências de Odivelas” organizadas pelo “Círculo D.Dinis”. A importância dos participantes, dos temas abordados e a forma como o foram ficam na história de Odivelas e do seu Centro de Exposições.

. Também os trabalhos realizados no âmbito das Comemorações do Centenário da República, quer em Odivelas, quer em Loures, marcaram a nossa atividade do ano com “descobertas” que partilhamos com os nossos leitores.

. No final de 2011 queremos que o “Olival do Pancas” faça parte do presépio de Odivelas. Como uma estrela. Bem visível.

 Odivelas

O aperto do cinto aí está passando dos anúncios à prática, e como “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” aí estão também as primeiras brechas na concordância generalizada no grupo político que dirige a Câmara.

As juntas de freguesia, a maioria socialista pelo menos, sempre tão concordante e elogiosa começa a mostrar as suas discordâncias, por agora, com a situação da delegação de competências.

A Presidente, que há muito tempo avisa para as dificuldades, não tem outra saída que não seja cortar a sério nas despesas, esperamos que cumprindo a promessa de deixar de pé todo o apoio social cuja necessidade cresce inevitavelmente.

. E fazendo agora o apanhado das referências do ano a nível concelhio é justamente no social que elegemos para 1ª referência. Uma palavra para a iniciativa a que a CMO chamou de Teleassistência. Gostámos do que vimos e esperamos que os poucos postos instalados se multipliquem rapidamente tal como foi prometido. É das tais iniciativas que podem salvar vidas, e uma só que seja já paga bem todo o investimento que é necessário e que afinal, pelas informações recolhidas, é mínimo.

. A preocupação com a recuperação e manutenção do património histórico do Concelho está aí. Se tal se confirmar com realizações é caso para festejar, mau grado algumas irreversibilidades que bem podiam ter sido evitadas e não estão tão bem explicadas quanto é exigível (construções a menos de 50 metros do Aqueduto das Águas Livres, desaparecimento da Anta das Batalhas, construção na zona de proteção do Convento de Odivelas). Os protocolos assinados com entidades com conhecimento científico na matéria deixa-nos a esperança de que algo está em marcha e fala-se, finalmente com alguma insistência, na salvação do túmulo de D.Diniz e na abertura do Convento à população. Poderá começar aí a salvação do Centro Histórico da cidade.

. Odivelas ficou este ano com um parque escolar, em muitos casos exemplar. E esse facto não pode ser escamoteado por muitos erros de gestão que possam ser apontados aos procedimentos que levaram até à sua construção. Não há que misturar. Uma coisa são as escolas novas e recuperadas com condições pedagógicas e de vida exemplares e outra os negócios que possam estar por detrás dessas construções/recuperações. Os primeiros têm de ser elogiados, os segundos deverão ser denunciados e provados pela justiça.

. O mesmo diremos referindo o novo Pavilhão Municipal. É um elefante branco ? Custou 3 vezes o que seria necessário ? Talvez, os técnicos que se pronunciem, façam-se inquéritos e provem-se as acusações. A democracia tem ferramentas para isso. Para já é um equipamento que pode trazer a Odivelas muitos e bons acontecimentos. Assim a gestão respetiva tenha vistas suficientemente largas.

. No campo da cultura direta tanto a Malaposta como o Centro de Exposições mantiveram atividade valiosa permitindo aos odivelenses momentos de cultura, da melhor e mais séria que é possível. Esse é sem dúvida um ponto de relevância no Concelho. Por parte das Juntas de Freguesia houve também movimentação que deve ser referida. As festas de Verão na Pontinha, as exposições na Ramada e em Odivelas, os coros na Póvoa, a recuperação das instalações das Sociedades Musicais em Odivelas e Caneças, as marchas também em Odivelas e Caneças, o desenvolvimento público da Escola de Fado de Odivelas (Junta)…

. E para 2011 Odivelas (Concelho) terá o “Olival do Pancas” para se preocupar. É uma aposta para este ano.

Portugal

. Ano de 2010 foi preparatório para eleições presidenciais e o presidente-candidato gere os seus tabus exemplarmente (entrou em campanha há 4 anos !).

A maior parte da concorrência é má, incapaz de mostrar condições para fazer melhor. Tirando Fernando Nobre e Defensor de Moura, os restantes não são nada convincentes. Alguns pela história, outros pela conotação partidária.

Se as expectativas se confirmarem teremos mais uma evolução na continuidade. É mau mas faz parte da crise !

. O ano de 2010 marcou uma surpreendente reviravolta na Igreja Católica portuguesa. Habituamo-nos a ver os pastores reunir e acolher o rebanho ordeiramente. Desta vez aparecem a espantar as ovelhas. Os sinais vindos do cargo mais alto da igreja católica portuguesa são de alarme social, alertando para a possibilidade dos conflitos que poderão vir a acontecer… A nós parece-nos que esta Igreja está mortinha por uma boa conflitualidade social, e não vá o pessoal distrair-se, o melhor é mesmo chamar a atenção e alertar as consciências para a justeza da luta (não a que há, mas sim a que pode haver…). Também já nos aconteceu sermos acusados daquilo que poderemos vir a fazer ! É surrealismo puro.

. Ano de eleições é sempre boa altura para retomar o tema central da vida nacional, preocupação do dia a dia dos portugueses do Minho ao Algarve (com passagens pelas ilhas). A morte de Sá Carneiro/Amaro da Costa. É uma “cena” inevitável. Cá estamos de novo com mais comissões de inquérito. Não há pachorra ! Enquanto continuarmos a pagar ordenados principescos e reformas de 8 anos aos “representantes do povo” iremos manter, eternamente renovadas, estas preocupações pelo nosso bem-estar.

. Com eleições ou sem elas, o tema corrupção continua nas primeiras páginas da Comunicação Social, pelo menos na de âmbito nacional. É estranho tanto fumo sem nenhum fogo. É mais uma particularidade  portuguesa. Todos sentem a teia de interesses que prende políticos, gestores, empresários… Fazem-se escutas (que não fiquem dúvidas, somos contra as escutas e contra a invasão da privacidade individual) que são publicadas, todos as ouvem, todos interpretam o seu conteúdo como criminoso, e desde as negociatas do futebol até às negociatas de políticos e empresários todos vão passando incólumes, os que são apanhados e os que não são. E nenhum cargo, área profissional ou política escapa às acusações, ou pelo menos à desconfiança, sobre compadrios, negociatas obscuras, enredos financeiros, favorecimentos de amigos à custa dos dinheiros públicos. Figuras (ou figurões ?) que têm ou tiveram as mais altas posições hierárquicas na governação do País ou na gestão de grandes empresas participadas pelo estado são apanhadas em indícios de corrupção, são tornados públicos esses indícios para que não restem dúvidas, mas nada acontece para além disso. É roubar milhões e passar a viver faustosamente (e descansadamente) em magníficos resorts nas ilhas do Atlântico, ou de outro sítio qualquer. O ano de 2010 fica como o ano de todos os perdões sem vergonha. E do descrédito geral e acabado da função política.

Mundo

Já chega o que de muito mau aconteceu e está a acontecer por cá.

Odivelas, Jan/2011

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