breaking news

Bully… quê?

Janeiro 23rd, 2011 | by Oliveira Dias

Oliveira Dias – Politólogo

Bullyng, conceito hoje na ordem do dia, designa a violência infanto/juvenil, cujos agressores, têm por objectivo ridicularizar, diminuir ou mesmo humilhar os dissemelhantes.

Custa aceitar que angélicas criancinhas, capazes de barbaridades, para com os outros, normalmente quem, não satisfazendo certos padrões grupais, são marginalizados, até á sua expulsão de um território assumido como a sua coutada, normalmente a escola.

A identidade de grupo, requisitos de “normalidade”, deficiência física, mental ou cultural e até mesmo religiosa, são factores de ostracização. A integração das vítimas nunca é equacionada.

Esta violência grupal, é gerada por instintos animalescos, não sublimados, que se formam no processo de educação do indivíduo desde a infância até á idade adulta.

Os mecanismos de compensação,  existem, nas mais variadas formas: ou a vítima “obedece” á expulsão determinada pelo comportamento grupal dos agressores (muda de espaço, muda de território) e com isso premeia a violência. Esta, a violência, ao invés de acabar, sai reforçada, e rapidamente o grupo escolhe outra vitima; a vitima é apoiada pela família, célula nuclear da sociedade,  e aqui os agressores são confrontados com uma reacção muito forte e muitas vezes desincentivadora das práticas comportamentais violentas, pelo menos fisicamente, continuando porém a violência psicológica; ou a vítima procura apoio especializado, sob a forma de aconselhamento psicológico, e até psiquiátrico caso as repercussões danosas na vitima entrem no campo médico.

A escola, é um espaço onde os nossos filhos deviam estar em segurança, assimilando competências para o seu futuro. Afinal transforma-se num espaço de horrores, onde os nossos filhos ficam indefesos e sujeitos á arbitrariedade compulsiva de uma escumalha violenta, levando-os a  sentirem-se impunes.

Impunes ?

sim porque as comunidades escolares não têm recursos financeiros que lhes permitam ter pessoal auxiliar, seguranças e afins com o objectivo de assegurar a paz da comunidade escolar.

sim porque ao contrário de antigamente em que o professor era também carrasco (quem não se lembra das reguadas, puxões de orelhas até fazer feridas, etc) dada a autoridade em excesso associada á função, hoje basta levantar a voz a um aluno para se ter problemas. Do 8 para o 80, num ápice.

 Os docentes queixam-se da ausência dos pais nas questões educativas, mas quando um encarregado de educação pede uma reunião com a directora de turma, invariavelmente são marcadas em horário de expediente normal, pois o professor não recebe, fora de horas ou ao fim de semana, os Pais.

Parece que algumas pessoas não vivem neste mundo. Nos dias que correm o patronato exige uma cada vez maior dedicação dos seus funcionários, pagando-lhes o mínimo possível. Lá é aceitável, para o Patrão, alguém pedir uma tarde ou uma manhã para poder ir a uma reunião na escola? A precariedade laboral leva a que muitos trabalhadores nem se atrevam a usufruir os seus direitos, com receio de serem dispensados.

Enquanto a classe docente não entender isto, a ausência dos encarregados de educação continuará a verificar-se e nada tem a ver com uma hipotética menor atenção do seu educando, mas sim fruto da pressão laboral.

Enquanto andarmos entretidos com as consequências e ignorarmos as causas, estaremos do lado dos problemas e cada vez mais longe do lado das soluções. A Violência infanto/juvenil (e não lhe chamem bullyng) é um drama Social, de perda de valores e princípios, e quando o não é são casos de polícia. Comparar isso a uma gaita num funeral é no mínimo grotesco.

Comments are closed.