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Geração Rasca Vs Geração á Rasca = Day After ?

Março 13th, 2011 | by Oliveira Dias

Irritei-me quando há algum tempo atrás, alguém classificou a geração corrente em “geração rasca”, por, aparentemente, a mesma se alhear dos problemas do País, da política e dos partidos. Segundo o classificante, a geração actual preocupa-se mais em conhecer os roteiros da noite, das marcas, enfim da boémia.

Ora isso irritou-me por não me rever naquelas palavras. Recordei-me até de numa entrevista a uma rádio no interior do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, eu ter feito um enorme voto de confiança na actual geração de jovens portugueses.

Mais recentemente, surge a rábula da “geração á Rasca” cujo click foi uma canção do grupo Deolinda, onde se versejava qualquer coisa como “que parva eu sou ter de estudar para ser escravo”. Isto foi o grito de Ipiranga para um grupo de jovens trintões, lançarem um apelo pelo meio mais global á escala planetária – o facebook, internet – instando os inconformados a manifestarem-se contra a precariedade.

O resultado foram uns impressionantes 300.000 manifestantes que saíram á rua para demonstrar o seu descontentamento, face não só á precariedade, motivação que impulsionou os organizadora da “coisa”, mas quanto a uma variedade enorme de queixas pessoais que descaracterizaram a ideia inicial do protesto, transvestindo  a iniciativa numa verdadeira manif politica contra o governo e as suas politicas.

Vi palavras de ordem do tipo “acabem com os políticos”, “acabem com os partidos”, “queremos emprego”, “ ó Sócrates vai-te embora” etc.

Isto tem várias explicações. E eu não as conheço todas, se é que alguma vislumbre.

A verdade é que num contexto de crise global, com várias crises a abaterem-se sobre o nosso País, pulverizando o bom desempenho do governo, dão a ilusão que os nossos problemas internos nada têm a ver com factores externos.

Vivendo essa ilusão, acha-se, naturalmente, que substituindo os protagonistas (o governo) a coisa lá se endireitará. O futuro próximo irá mostrar a crueza dessa ilusão.

Nenhum outro governo, que se siga a Sócrates, simplesmente conseguirá, de um momento para o outro, acabar com a precariedade, e fomentar o pleno emprego.

Os políticos que apoiam este tipo de intervenção democrática, manif, nos quais se inclui o Presidente da República, depressa se verão constrangidos com o corolário natural da falta de consequências deste tipo de manifestações.

O dia seguinte qual é ? Ninguém sabe. A própria organização não tem planos para o dia seguinte, porque, segundo afirmam, apenas quiseram fazer-se ouvir, a fim de acabarem com a precariedade.

Tenho para eles uma má noticia – nunca se conseguirá acabar com a precariedade, o emprego para toda a vida é hoje um mito muito presente entre nós. Quando muito podemos, e devemos, abraçar projectos com um futuro mais ou menos longo, mas isso numa lógica de várias vivências profissionais, numa, por vezes, miríade, de instituições profissionais.

O que é absolutamente inconsequente, logo de uma enorme inutilidade, é desenvolver esforços e gastar energias, em acções, que depois não têm continuidade.

Tenho por hábito, valor e princípio pessoal, que espero as minhas filhas sigam ao longo da sua vida, que não concordando com algo, manifeste  a minha posição, nos locais adequados, mas sempre, apresentando a alternativa. Se não tenho alternativas então remeto-me á minha insignificância. Gritar por gritar resume-se a … Rasca.

Não deixei de ficar impressionado, que os manifestantes, pese embora verberassem pela extinção dos políticos e partidos, exigiam precisamente a esses, as soluções para os seus problemas.

Quer se queira quer não, são ainda os partidos quem detém a fatia de leão da representação popular. Ora os jovens “apartidários” que desfilaram ontem, podiasm fazer juz á frase de Kennedy “não perguntem o que pode o País fazer por vocês, digam antes o que podem vocês fazer pelo País”, ao invés de gritarem pelo fim da precariedade, deviam antes apontar soluções, prazos de execução, objectivos sob pena de, caso a classe politica não fosse capaz, eles próprios criarem partidos alternativos com soluções alternativas, isto se não quisessem aderir ás jotas existentes. É esse o seu papel.

A verdade verdadinha é que todos os espaços criados pela Revolução de Abril para a participação do povo nos processos de decisão, simplesmente são ignorados, por quem agora prefere manifestar-se sem apontar soluções.

As Assembleias das autarquias locais estão sempre vazias de público, assim como as Assembleias Regionais. Quanto á Assembleia da República só se vê alguma assistência quando interesses corporativos estão em causa.

Manifestações pacíficas, como aquela, são exercícios próprios de uma democracia evoluída, mas em hipótese alguma será de aceitar pulverizar a dignidade e credibilidade de quem legitimamente nos representa.

Travestir manifestações políticas contra o governo, em estados de alma desta ou daquela geração isso é inaceitável.

Quando um governo socialista, o de Guterres, integrou de uma penada cerca de 50.000 recibos verdes na função pública (ainda me lembro de um amigo meu do PSD telefonar-me a dizer epá já tenho emprego para toda a vida … ele e os vários familiares que também trabalhavam a recibos verdes para o Estado) não vi nenhuma manifestação protestando contra a falta de imparcialidade, pois muitos cidadãos gostariam de concorrer aos mesmos lugares.

Para esses precários tudo se resolveu. Ninguém protestou.

Hoje em dia grande parte das despesas do Estado são as suas politicas sociais

Oliveira Dias,

Famões.

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