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Voltando “à rasca”…

Abril 15th, 2011 | by Odv

1 – Em 1994 o Ministro da Educação chamava-se Manuela Ferreira Leite e o primeiro Ministro de Portugal chamava-se Cavaco silva.

A semelhança de nomes com personagens da política atual, não é coincidência.

Nessa altura os estudantes começaram a receber a Sra. Ministra, virados de costas e com o respetivo fundo à mostra.

Nessa oportunidade foram denominados de “geração rasca” e não demos por qualquer  protesto desses jovens, nem qualquer explicação de discordância por parte dos responsáveis políticos da altura.

Justamente se conclui que todos concordaram com a designação, jovens acusados e políticos acusadores.

Anos depois os participantes voltam a encontrar-se, agora com um pequeno ajustamento semântico, deixaram de constituir uma “Geração Rasca” e passaram a ser uma “Geração à Rasca”.

E orgulhosamente levantaram a bandeira do “à rasca”.

2 – Há 2 semanas, uma 6ª feira cerca das 24 horas, tentei (TENTEI !) fazer o percurso que passando S. Mamede, Príncipe Real e R. do Século, me levaria a S.Bento e depois à 24 Julho, Alcântara e por aí fora até Odivelas.

No Largo do Príncipe Real tive de fazer meia volta (tal como vários outros) porque era impossível continuar (já era quase 1 hora de Sábado).

O espaço entre a Rosa Araújo e o Príncipe Real foi feito em 45 minutos !

Fui saber o que se passava e lá vi a Geração à Rasca, toda (ou quase).

Tentei perceber se se trataria de uma manifestação de luta pelos direitos que essa geração tem.

Mais convencido fiquei de que seria isso quando passou por mim um Maseratti.

Acabei por constatar que estava enganado.

Em vez de uma “justíssima” marcha lenta de protesto pelas condições pobrezinhas em que vivem, trava-se de copos, barulho, risos, roupas poucas mas muito “bués” e mais ainda “super”.

3 – No dia da manifestação que percorreu a Av.Liberdade e os Restauradores tive a oportunidade de visitar um velho e muito bom amigo, reformado, tal como a mulher, igualmente boa amiga de muitos anos (mais de 50).

E lá encontrei em casa um casal de 30 e tal anos que animadamente se orgulharam de ter estado na manif.

Ele desempregado, ela ainda com emprego e com 3 filhos.

Ele teve ao longo dos seus 30 e tal anos, as mais variadas possibilidades de emprego (muitas e algumas de fazer inveja aos outros empregados).

Nunca fez nada. Quando tocava a trabalhar… vou ali e já venho.

Na situação atual, afirmou alto e bom som (nesse pormenor não há poupanças) que prefere o fundo do desemprego do que andar a trabalhar em coisas que lhe pagam o mesmo… e em que é obrigado a levantar-se cedo (que chatice) e eventualmente a chegar tarde (que chatice), e andar de um lado para o outro durante o dia (que chatice).

Este jovem nunca quis (do verbo Querer) acabar o 12º ano, “isso das novas oportunidades é uma vigarice do Sócrates” além de ser preciso estudar e ir a aulas (que chatice).

4 – Fala-se do desemprego dos jovens.

Não conheço qualquer época em que os jovens não fossem desempregados ?

Se souberem de alguma época que não tenha sido assim esclareçam-me.

Sempre os jovens foram desempregados, pois como havia de ser ?

Este percurso sempre foi simples e linear…, primária, liceu/secundário, universidade, e chegava-se onde o dinheiro deixava chegar.

A grande maioria tinha de começar a inventar trabalhos para sustentar a escola (ou a família).

Andava-se a pé (áh pois claro, a pé, fosse qual fosse a distância, fizesse sol ou chuva).

Pegava-se em tudo o que pudesse ser transferido para “tostões” (era a moeda mais baixa) e andava-se para a frente (fazer seguros, vender livros, ajudar o carvoeiro da esquina, dar explicações a mais novos com dificuldades de estudo) qualquer coisa servia para angariar honestamente mais uns tostõezitos que depois eram gastos na compra de sebentas ou em cafés para o manter os olhos abertos ao fim de muitas horas de trabalho.

5 – A Geração à Rasca, como se auto-denomina, tem como objetivos (… ???), sendo que consideram um direito a exigir a qualquer custo, obter o bacharelato, a licenciatura, o doutoramento, os MBA, MBB, MBC…, mais as Pós-graduações, Pré-graduações e mais todas as graduações que existem e acabar com dúzias de atestados de sapiência científica… menos o atestado de saber fazer alguma coisa.

Trabalhar para conseguir acabar um curso superior ? Que chatice… Alguém que pague. Esta geração não teve culpa de ter nascido, logo tem direitos.

É tão simples que toda a gente percebe.

6 – Para completar esta vergonha jovem e nacional deixo um excerto de uma entrevista feita há, talvez, mês e meio.

Todos os “à rasca” que impedem sistematicamente o transito, à noite, no Príncipe Real e/ou em S.Pedro de Alcântara têm a obrigação de ouvir com atenção o que aqui é dito por um jovem da mesma geração deles.

Se no fim dos 2 minutos ainda não tiverem percebido o que é estar “à rasca”, então não há hipótese, é estupidez mesmo.

Entretanto deixo um aviso, é capaz de ser “uma chatice”.

Paiva Setúbal

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