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A solidão

Abril 17th, 2011 | by Máxima Vaz

Vamos falar de solidão, mas da solidão que dói, que nos entristece e amargura. É que pode haver solidão desejada, que sabe bem. Essa solidão só a procura quem tem uma vida muito activa, muito vigor e muitas responsabilidades. A essas pessoas fazem bem uns dias de isolamento, para descansar e reflectir, para recuperar forças e voltar ao trabalho.

Mas não é dessa solidão que vos quero falar. Nem da solidão procurada pelos espíritos contemplativos, que buscam no isolamento o seu ideal de perfeição, o encontro com o sobrenatural.

Quero comentar uma outra realidade – a solidão a que estão votados os nossos queridos idosos.

Todos os povos antigos tinham um profundo respeito pelos seus anciãos. Os mais velhos foram sempre muito ouvidos e considerados pelo seu saber. A vida deu-lhes experiência e com ela aprenderam as lições que dão o conhecimento, que depois colocavam ao serviço de todos.

Nos momentos difíceis consultavam-nos, pediam-lhes opinião. Rodeavam-nos de atenções e olhavam-nos com respeito carinhoso. Guardavam para eles os melhores lugares no seio da família. À mesa serviam-lhes a comida em primeiro lugar. Os idosos eram, de facto, o centro das atenções e preocupações de todos os seus familiares. Quando não podiam ter a companhia dos adultos tinham a das crianças. Muito raramente estavam sozinhos, e quando isso acontecia era por pouco tempo.

Hoje, a realidade, para nossa vergonha, é muito diferente desta. Esquecemos a dívida para com os mais idosos, a quem devemos tudo o que somos, centramos a vida em torno dos nossos interesses pessoais e deixamo-los entregues a si próprios, com as dificuldades resultantes da sua idade. Mas a dificuldade maior é o peso da solidão, é verem-se prisioneiros do isolamento, privados do convívio com os seus familiares.

É urgente, é imperioso e de toda a justiça, alterar esta realidade. Os idosos precisam de amor, merecem-no, e mais que isso, têm direito a ser amados.

Nós temos obrigação de cuidar deles com amor, com carinho, com respeito.

E nem sequer é caridade, é justiça, é um direito deles. Conquistaram-no com trabalho e sacrifícios, com o amor e carinho com que nos criaram.

O amor foi a força que lhes permitiu vencer obstáculos, transpor montanhas, para que nós tivéssemos o que eles nos puderam dar. Não é justo que não lhes saibamos retribuir. Não é humano faltarmos-lhes com a nossa companhia. Não é digno mantê-los afastados do nosso convívio.

Apelo a todos os filhos que tratem os seus pais com amor e respeito. Não os deixem sozinhos.

Paguem a dívida e invistam no vosso futuro!

Para eles, aqui deixo um fraterno abraço e os votos de uma vida feliz.

Maria Máxima Vaz

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