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“ad nauseam”

Abril 20th, 2011 | by Oliveira Dias

Sócrates. O homem é mal amado desde que chegou á liderança do Partido Socialista. Em bom rigor já o era antes disso. Como Ministro do Ambiente deixou clara a sua força interior, a intransigência para com os problemas ambientais, que firmemente teimava em solucionar.

O PSD tem, neste momento um problema grave. Depois de ver sucessivamente derrotados os seus amados lideres, por Sócrates, depois de estarrecidamente terem visto Sócrates, em 2008, arrumar as contas públicas, ao mesmo tempo que apostava fortemente nas politicas sociais, o PSD julgou ser chegada a sua oportunidade, primeiro com a redução do governo liderado por Sócrates a um apoio parlamentar minoritário.

Os Marketeeres de S. João á Lapa vaticinavam então que Sócrates na melhor das hipóteses não duraria mais que um par de meses. Por isso, não só o PSD mas toda a coligação negativa apostou claramente num governo PS a fritar em lume brando, razão porque todos os partidos da coligação negativa se recusaram a fazer parte da solução, recusando o convite do primeiro Ministro face ás crises que se avizinhavam. Seria uma questão de tempo.

Contra todas as previsões Sócrates já ia a meio do mandato, e não caía. Nem o empurrãozinho da Presidência da República funcionava, com o processo das Presidenciais.

A cronologia da queda começa então com o discurso de vencedor de Cavaco nas Presidenciais, virado exclusivamente para os portugueses que nele votaram. Mau prenúncio.

Depois segue-se-lhe o discurso da tomada de posse, em que esquecendo a pose de Estado Cavaco verbera um dos ataques mais incisivos que o governo e Sócrates tiveram de ouvir com semblantes esfíngicos. Pudera.

Depois a famosa acção de Sócrates que apresenta um conjunto de  objectivos para o PEC IV em Bruxelas, tendo tido o cuidado de reunir na véspera com o líder da oposição, e este, indignado vir a público dizer que só teve conhecimento do documento por telefone, e a proclamar que o “teatro acabava ali”.

A Assembleia reclama a discussão do documento, que nem tinha de lá ir, e a coligação negativa, mostra-se em todo o seu esplendor – chumba o PEC IV, sabendo que a consequência disso era a demissão do governo. Foi o que aconteceu.

Conseguiram, finalmente o que queriam há já tanto tempo.

Porém o tiro saiu pela culatra – o País entrou numa louca espiral com os especuladores a agradecerem a mãozinha da coligação negativa, e a coisa ficou preta, muito preta.

O PSD de Pedro passos Coelho apercebeu-se do erro. Tentando emendar a mão, desdobra-se, agora em declarações que visam explicar o inexplicável, e a esconder a verdadeira razão porque no pior dos momentos temos de ir a eleições – por causa do veto da coligação negativa, que eles próprios lideraram. E utilizando o velho método de Himmler o genial propagandista de Hitler, segundo o qual uma mentira repetida mil vezes vira verdade, esfalfam-se os “markeeters” de Passos Coelho em apregoar que a culpa é de Sócrates.

È nauseante.

Impotentes face a uma volte face na situação, os “marketeers” de Pedro Passos, tiram um Coelho da cartola – Fernando Nobre.

O campeão da cidadania, deixa cair a máscara, e todos ficam a saber que deseja o prémio de consolação, já que não conseguiu ser a primeira figura do Estado, contenta-se, agora em ser a segunda figura, sim porque essa coisa de ser deputado não é lá com ele. Ninguém lhe explicou que para chegar a Presidente da Assembleia da República, tem primeiro que ser deputado ?

É curioso que um homem antipartidarite se submeta precisamente a um partido (um qualquer) para chegar onde quer.

Confrangedor. Mas percebe-se, quando as primeiras figuras do PSD se escusam a aceitar o convite de Pedro Passos para ingressarem nas listas de candidatos a deputados. Não confiam nele, logo não querem misturas espúrias.

É nauseante.

Entretanto com a troika da ajuda externa em Portugal, o líder do PSD afirma alto e bom som, que é necessário um entendimento alargado para o futuro do País, e eles estão dispostos a fazê-lo, mas com uma condição – sem Sócrates.

Desta forma ambiciona o PSD alargar a sua margem de influência, já que receia não serem suficientes os votos do povo, e impõe as suas condições, e vai de vetarem as lideranças dos outros partidos. Salazar também pensava assim, e por isso instituiu o partido único, e tolerava umas tendências na Assembleia Nacional … desde que fosse ele a mandar. Se a moda pega … .

É nauseante.

A ingenuidade e a impreparação políticas levam o PSD ao desespero e de há alguns anos a esta parte de substancial só tem existido a soes campanha de difamação pessoal, sem tréguas, e valendo tudo, absolutamente tudo para o derrubar.

Ainda nos lembramos todos que foi uma coisa semelhante, campanha de difamação pessoal, que levou Luis Filipe Menezes a desistir da liderança do seu partido – PSD -, onde os barões do mesmo nunca digeriram a sua vitória.

Resultou com o PSD, não resultou com Sócrates, nem com o PS.

A voz foi devolvida ao povo. Mas já se vê o que acontecerá se o PSD não tiver o resultado que tanto ambiciona – a culpa é do marketing político do PS que manipula o povo.

É nauseante.

Oliveira Dias, Politólogo

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