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CDS á Lupa

Maio 5, 2011 | por: Oliveira Dias

Hoje apetece-me falar do CDS-PP.  Ou simplesmente PP. Dizem alguns entendidos que PP é um acrónimo de Partido Popular, outros, sempre vão alertando para a singularidade de “Paulo Portas” se encaixar na mesma sigla. Coincidências? Os factos mostram-nos que talvez não. Enfim coisas.

Vamos ao que interessa, sim porque pouco interessa se o partido popular serve para encher egos narcisistas, e começo por uma particularidade do líder do CDS (não, não vou falar da orientação sexual do homem, como alguns se permitiram fazer em relação a Sócrates, sem cuidarem de serem verdadeiros), o Paulo Portas é de sangue azul. É verdade, se muitos que por aí andam fossem descendentes de Pedro Alvares Cabral ou de Sacadura Cabral, não cabiam em si de satisfeitos. Pois o presidente do PP é. Temos portanto um nobre na política, diferente do outro Nobre que quer ser Presidente da Assembleia, esse parece que é plebeu.

O CDS, ainda não era PP, quando em 1976 votou contra a Constituição da República Portuguesa, tendo sido de resto o único partido, com acento parlamentar, a fazê-lo. Coerências de quem não se revia no ditame de um Estado em busca do Socialismo.

A sigla PP, foi acrescentada no consulado do ignorado (que é pior que ser esquecido) Manuel Monteiro, a conselho de, imaginem lá, Paulo Portas. Era Marketing. Era necessário uma roupagem nova, assim diziam os entendidos. Paulo Portas, era então, o viperino Director do “Independente”, título eufemístico pois a sua principal característica era a da sua profunda dependência editorial de Paulo Portas.

Manuel Monteiro, qual cordeirinho, foi superiormente guiado por Paulo Portas até á sua expulsão e excomunhão, no célebre congresso em que uma senhora dele disse, o “sr. Sabe que eu sei, que você sabe que eu sei”. Mais tarde ela anunciou que até o rato Mickey ganharia a Paulo Portas as eleições. Blasfémia.

Afinal foi Monteiro quem desfez a parábola do partido do táxi, e o guindou a partido charneira, quem diria. Partido do arco do poder, como hoje é uso dizer-se.

Paulo Portas é um político muito eficiente. Sabe o terreno que pisa, e tem uma grande propensão a trocadilhos fraseológicos engraçados. Coisas que lhe ficaram do jornalismo.

Recordo que em tempos fiz um curso no Cenjor e lá se recomendava um certo “ar” para as peças jornalísticas se destacarem. Hoje, isso é visível sobretudo nas reportagens televisivas.

Já no parlamento, Paulo Portas, nunca intervém sem antes ter a lição muito bem estudada,  engrossa a voz e apresenta a sua expressão mais feroz, quando zangado se dirige ao primeiro-ministro, como se fosse dono da verdade absoluta.

A imagem do político impoluto que Paulo Portas procura transmitir assenta em técnicas de marketing político bem elaboradas. Sim pensavam que era só o Sócrates quem utilizava as técnicas de marketing político? Estão enganados. E muito.

Falemos um pouco disso, mas não muito, porque a consultadoria é cara. Paulo Portas, também conhecido como “Paulinho das Feiras”, é o único político português que tem ao seu serviço uma marketeer saidinha da primeira pós graduação que se fez em Portugal de “Comunicação e Marketing Politico” nos idos de 1998, na Universidade Independente. Sim esta universidade não teve só o Sócrates como aluno. Eu próprio lá estudei e tirei uns cursos. Continuando, essa pós graduação teve como aluna a Dra. Mariana. Discreta, pouco participativa, acho que nunca lhe ouvi a voz, nem sequer quando Paulo Portas era visado por apreciações menos positivas (não só ele, outros políticos, nesse curso, eram visados pela critica azeda da rapaziada candidatos a futuros marketeers). Mais tarde ela aparece ao lado de PP como assessora de marketing político. Na altura tornei-me amigo de um militante do PP, também aluno naquela pós graduação, que não escondia o seu desagrado face á ascensão da Mariana, que nem era do PP, segundo me dizia ele.

Foi uma época gira, esse colega do PP e eu chegámos a ser contratados para fazer formação aos autarcas do PP, em vários pontos do País. E chegámos a fazer o marketing da candidatura do Rosado Fernandes a Setúbal. O Rosado teve um piadão terrível, quando na primeira reunião nos diz que estava a fazer um favor ao PP, e que precisava de ser animado, perguntando e seguida se lhe arranjavam um automóvel com motorista porque esta coisa de andar em campanha era uma maçada cansativa. É já a seguir, respondeu-lhe o meu colega, Director de campanha do homem. Carro nem vê-lo. À já agora uma que poucos sabem, antes do Rosado Fernandes ser escolhido como cabeça de lista para Setúbal, todos torciam por uma senhora mal conhecida que estava indecisa entre Leiria ou Setúbal, e tinha nada mais nada menos que 20 mil contos para a campanha. Escolheu Leiria, para desanimo da dircção de campanha para Setúbal, e chegou longe … foi ministra da justiça, e  reformou-se com um cargo de topo na CGD.

O meu colega é que não se conformava, a Mariana era a assessora de Marketing Politico do PP, sem nunca ter feito nada naquele domínio, ao invés de nós que assim que acabamos  curso partimos logo para a consultoria. Anjos da casa não fazem milagres.

A verdade é que a Mariana mantém-se firme e hirta e até já faz plano televisivo nas entrevistas, comunicados, e outras intervenções do Paulinho das feiras.

A verdade é que Paulo Portas não dispensa o Marketing Politico. Ora pois.

Quando o PP chegou ao governo na boleia do PSD, logo trataram de constituir um gabinete para colocações no estado. Aquilo era um fartote de CV a chegar ao gabinete para colocar a rapaziada. A minha colocação só não aconteceu por “perfilhar e militar num partido cujos valores não se coadunam com os do CDS-PP”. Até achei isso normal, pois concordo com o princípio.

Hoje quando ouço algumas primas-donas verberarem contra as nomeações e colocações até tenho arrepios. Parece que os princípios só se aplicam a alguns que não os próprios.

Mas compreendo que se os cargos de nomeação política facilmente ascendem aos 10 mil, na administração pública, e os militantes do CDS mal chegam aos 8 mil, a clientela é fácil de contentar para aquele partido. Daí a manifesta ânsia de poder dos dois PP – Paulo Portas e Partido Popular.

Mas este partido do arco de poder é o tal que onerou o governo de Sócrates com uma factura de 1 bilião de euros para pagar dois submarinos, envoltos num escândalo de luvas pagas, segundo a justiça alemã, e depois, como se nada fosse consigo, integra a coligação negativa que sentenciou o consulado de Sócrates.

O PP é de facto muito sui géneris.

No mundo da biologia marítima aqueles peixinhos que pululam á volta das baleias e tubarões mordiscando as sobras de comida, as peles secas e outros detritos,limpando os dentes destes seres vivos, chamam-se parasitas.

Os partidos que se limitam, a andar á boleia de outros … também.

Carpe Diam

 

Oliveira Dias, Politólogo

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