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Precário me querem, Revolucionário me terão!

Maio 11th, 2011 | by João Figueiredo

Começo este texto esclarecendo que sim, sou da geração precária, e sim, estou em situação precária. E esclareço também que não foi só a minha situação de precariedade laboral que me tornou revolucionário, mas a mesma veio confirmar a opção que tomei há mais de uma década. E, pronto, esclareço também que sou revolucionário. Vá, sou militante do Partido Comunista Português!

Quando afirmo que “Precário me querem, Revolucionário me terão!”, quero com isto dizer o seguinte: Perante a situação de precariedade laboral cada vez maior, a resposta dos jovens deverá ser a de adoptar uma visão revolucionária da sociedade e assumir o compromisso com a transformação para uma sociedade mais Justa, Livre, Democrática e Solidária.

De facto, a vida de um jovem não está fácil e eu que o diga. Somos cada vez mais vítimas desta política de direita que o PS, o PSD e o CDS-PP têm vindo a impor ao país, afundando-o a cada dia que passa. E nós, jovens, só temos a solução de exigir os nossos direitos e, tomando decisões importantes e consequentes, assegurar o futuro do país. É que esta política é claramente a negação dos direitos da juventude. Ao promover-se a precariedade e o desemprego, ao promover-se uma situação generalizada de baixos salários, ao aumentarem-se os custos da educação, ao dificultar-se o acesso à habitação, ao serem retirados apoios sociais, como o caso das bolsas de estudo ou do abono de família, desculpem-me lá mas não se está, nem nunca se vai estar, a olhar para a Juventude como os parceiros naturais da sustentabilidade do país.

Esta é uma realidade com que se confrontam milhares de jovens como eu, e que está na origem desta situação de instabilidade permanente. Estamos perante uma ausência de perspectivas e uma enorme frustração de quem tem um curso superior ou profissional e não tem emprego ou consegue ter condições para criar o seu próprio emprego. E, se as coisas não se mudarem bastante, ou seja, se não se fizer uma volta de 180 graus já, vai-se continuar a assistir a uma geração que emigra (Ora essa, os nossos quadros técnicos a emigrar? Não me digam que cá não fazem falta?), a uma geração que tarde em sair da casa dos pais, a uma geração sujeita às mais graves dificuldades em construir uma vida. É mesmo disso que se trata, de conseguir construir uma vida. Com esta política de Direita? Não me parece.

Portanto, é preciso dizer basta!
Nós, jovens deste rectângulo à beira mar plantado, precisamos mesmo exigir o nosso legítimo direito a um emprego e a um salário dignos. Porque os nossos patrões, de livre e espontânea vontade não os darão. E nós bem que merecemos.
Fala-se que somos a geração melhor preparada de sempre. Então, que saibamos exigir o que merecemos. Temos que combater a precariedade. O futuro não tem que passar por contratos a prazo, por empresas de trabalho temporário ou por
recibos verdes. Há quem diga que o emprego para a vida é uma “relíquia” do passado, que não voltará a acontecer, e que, aliás, não há nenhum jovem que queira sequer trabalhar eternamente no mesmo. Mas não é de estagnação de
conhecimento que estamos a falar. Estamos a falar do Direito ao Trabalho e do Trabalho com Direitos. E estamos a exigir isso. Apenas e só. Deveremos lutar pelo alargamento das prestações sociais, pela defesa do aparelho produtivo
nacional (já que temos a geração mais qualificada de sempre) e pelo aproveitamento das enormes potencialidades desta juventude trabalhadora.

Pois, se não lutarmos, vejamos o que a política de direita nos reserva. Uma generalidade de empregos a ganhar o ordenado mínimo, contra os enormes lucros de quem nos explora. Olhem para a PT, para a Sonae, para a Mota-Engil, só para falar de alguns.

E, perante este problema, há quem corra a declarar que “Precários nos Querem, Rebeldes nos Terão!”. Sem dúvida que as questões de precariedade nos levam a uma situação de enorme revolta, pois a injustiça a que nós estamos sujeitos é gritante. Mas devemos direccionar essa indignação e esse protesto para a mudança que o país precisa. Para soluções concretas e consequentes. Porque, atrás das boas intenções dos jovens e da nossa genuína vontade em transformar a sociedade, existem muitos que acham que basta humanizar o capitalismo. E eu pergunto como é que se consegue humanizar um sistema responsável por tanta injustiça e tantos crimes? Com rebeldia? Não me parece.

Mas digo Sim, é Possível uma Vida Melhor! Basta escolher acertadamente. Vejam-se as 20 propostas que o PCP e a CDU têm para a juventude (em todos os escalões etários). Encontram-se disponíveis em http://www.cdu.pt/2011/20-medidas-para-juventude e estão assentes numa visão de transformação social.
Pois eu sou daqueles que declara que “Precário me Querem, Revolucionário me Terão!”. Sempre lutei pelos meus direitos e sempre cumpri os meus deveres. Participo desde há muito nas lutas dos trabalhadores, quer no 1º de Maio, quer no 25 de Abril, quer nas Manifestações organizadas pela CGTP-IN e pela Interjovem. Apoio e apoiei todos os jovens que, em condições precárias de trabalho, ou sem trabalho sequer, saíram à rua para lutar pelo Direito ao Trabalho e pelo Trabalho com Direitos.
Pois eu também sou jovem e também sofro o mesmo. Mas não me aproveito disso para benefícios próprios. Apenas desejo uma qualidade de vida melhor para nós, os Jovens que sofrem com a política de direita do PS, do PSD e do CDS-PP.
Há quem, acertadamente, diz que A Luta é Alegria! Eu digo que a Luta Continua e o próximo passo são as acções já convocadas pela CGTP-IN. Não podemos ficar indiferentes e em casa. Não se luta só num dia, para no dia seguinte voltarmos à nossa vida, como se nada fosse.
Luta-se todos os dias, com a confiança de que Vale a Pena Lutar! E tomam-se decisões coerentes e consequentes, dia 5, nas Urnas.

Despeço-me, com uma frase de uma banda da minha adolescência. “It was to start somewhere. It was to start sometime. What better place than here? What better time than now?”.

João Figueiredo

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