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PSD, CDS, PCP e BE, o que têm em comum?

Maio 11th, 2011 | by Rui Cabral

No dia 23 de Março os partidos da oposição (PSD, CDS, PCP e BE) uniram-se em torno uma e só uma vontade comum: Impedir a acção governativa do PS, demitir José Sócrates. Esta posição até poderia ser admissível se resultasse num entendimento ou num caminho alternativo que se pensasse melhor para Portugal. Hoje, todos percebemos a sede de poder do PSD juntou-se ao oportunismo do CDS que, por sua vez, se aliou à irresponsabilidade habitual do PCP e BE.

O PCP e o BE, prisioneiros de uma coerência sem utilidade para uma alternativa de governação, continuam contra, contra o capitalismo, contra o mercado, contra a Europa, contra as dívidas, contra o comércio internacional. Serão coerentes, mas uma coerência sem grande utilidade para Portugal, não permitindo um Governo à esquerda que cumpra com as suas responsabilidades e se comprometa com metas e objectivos.

Todas as propostas destes dois partidos resumem-se em três resultados: gastar ainda mais do que gastámos até aqui, aumentar ainda mais os impostos e não honrar os nossos compromissos.

Paulo Portas (CDS) continua na sua dança política, em que o único objectivo que tem é o de chegar ao poder através de uma coligação. Cedo pensou que seria possível fazê-lo com o PSD, hoje em dia a sua calma aparente em relação a Sócrates indica que o par lhe é indiferente desde que vá para o Governo.

Até aqui tudo normal no panorama político nacional. O que me surpreendeu foi a atitude de um grande partido, o PSD. Surpreendeu-me que um partido com a responsabilidade histórica do PSD tomasse as atitudes de um pequeno partido de oposição.

O PSD, após mais de um mês da queda do Governo, ainda não tinha nenhum programa… e isto é que é um escândalo. É um escândalo derrubar um Governo primeiro e pensar nas propostas depois. É um escândalo derrubar o Governo precipitando uma crise política, com as consequências visíveis, sem qualquer projecto político e recusando discutir ideias concretas (como Manuela Ferreira Leite referiu no Parlamento).

Para um partido como o PSD tomar uma decisão deste género, teria de ter bem claro um projecto a seguir e esse projecto teria de ser bastante diferente do projecto do Governo.

Mas não é sobre um projecto alternativo que o PSD está a lutar. O PSD está a lutar pelo poder (leia-se sobrevivência de Pedro Passos Coelho) e contra uma pessoa em particular: José Sócrates. Pedro Passos Coelho vinha a ser colocado em causa internamente pois era acusado de assinar por baixo tudo aquilo que José Sócrates propunha. A menos de um ano do novo Congresso do PSD, Pedro Passos Coelho sabia que esta seria a sua derradeira oportunidade para derrubar o Governo, pois se esperasse pelo Orçamento ficariam visíveis os resultados do trabalho desenvolvido pelo Governo. A verdade é que Pedro Passos Coelho tinha duas escolhas, ou agia de acordo com os interesses do país, e corria o risco de nunca ser Primeiro-Ministro, ou agia de acordo com os seus interesses pessoais e dava o tudo por nada.

O Governo, por seu lado, adoptou as medidas que se impunham, com o apoio da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e parceiros europeus. Fê-lo sem olhar a eventuais prejuízos eleitorais e descontentamento popular. É esta uma das diferenças que os eleitores vêm entre o PS e o PSD. O PS procurou servir os interesses do país e não os seus interesses eleitoralistas, o PS tem um programa eleitoral, o PS não se envergonha das suas opções políticas.

O PSD, com constrangimento das suas propostas, procura fazer o balanço dos últimos seis anos, esquecendo que o balanço dos últimos quatro anos foi feito pelos Portugueses. Esta postura mostra o que sempre se soube, o PSD nunca aceitou a derrota de 2009, nunca aceitou a decisão dos portugueses e penalizou-nos a todos por isso.

O PSD não desenvolve, à semelhança de 2009, uma campanha a favor de projectos e ideias, mas sim uma campanha contra o PS, contra José Sócrates.

Os portugueses querem um debate de ideias e projectos de futuro, e irão penalizar mais uma vez o PSD pela sua postura política vazia no conteúdo e cujo único objecto é o ataque pessoal.

Respondendo à questão inicial: O que o PSD, CDS, PCP e BE têm em comum é que são todos contra Sócrates.

Rui Cabral

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