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A Importância do País a Produzir!

Junho 16th, 2011 | by João Figueiredo

Foi um dos pontos fundamentais da campanha da CDU nestas últimas eleições. Chamem-lhe “bandeira”. Mas, na realidade, a campanha “O País a Produzir” não foi nada “inventado” à pressão, para este ou aquele momento propagandístico. A campanha nasceu há já algum tempo, no seio do PCP e do PEV, cada um com as suas especificidades, complementares. “O País a Produzir” saiu para a rua logo após as eleições presidenciais, mas também fazia parte da campanha do meu camarada Francisco Lopes. “O País a Produzir” é algo que os Comunistas defendem desde sempre.

O meu amigo Paulo Pinheiro, da JSD, num dos últimos programas do Voxx XXI, disse que o problema da CDU (referindo-se ao PCP) era de estar “preso” há 90 anos, entendendo eu que o Paulo se referia a estar preso a ideias caducas. Pois aí é que reside a questão. Infelizmente, na visão de Social-Democratas, Liberais, Conservadores, e todos aqueles que, de alguma forma, estão complacentes com esta exploração capitalista a que o país está sujeito, o país a produzir é coisa do passado. Se não, não se justificava que viessem todos a correr, defender aquilo que o PCP desde sempre defende (exacto, desde há quase 91 anos). Para o Partido Comunista Português, o país a produzir é algo fundamental para o desenvolvimento de Portugal. Tenho pena que seja dos únicos partidos a defender verdadeiramente isso.

Mas fundamental como? Vamos agora sair da “caixa” dos partidos e vamos pensar na experiência que fomos adquirindo jogando jogos de estratégia de recursos, no caso daqueles que os jogaram ou ainda jogam, como é o meu caso. Aqueles que não o fizeram, pensem apenas em como é que geriam os destinos da Nação, se estivessem a desempenhar esse papel.

A minha experiência a jogar esse tipo de jogos (em longas tardes de férias escolares) fez-me concluir o seguinte: Seja qual for a dificuldade do jogo ou a finalidade, para se poder desenvolver a sua civilização, o seu negócio, a sua cidade, etc, é necessário que o jogador produza, por si próprio e tendo em conta os seus recursos e as suas necessidades, os bens essências à sua sobrevivência, realizando em paralelo trocas comerciais benéficas e mutuamente vantajosas. Ora, transpondo este caso para a realidade do nosso país, nem Portugal se encontra a produzir, nem a participação nesta União Europeia é vantajosa e benéfica para o país, nem as imposições das duas troikas (a ingerente e a submissa) servem os interesses do país, ao ponto de o porem realmente a desenvolver-se.

Esta visão de pôr o país a produzir e de ter verdadeiras trocas comercias que levem ao desenvolvimento económico do país pode ser vista como Capitalismo? Eu chamo-lhe Sustentabilidade. E a CDU tinha propostas válidas nesse sentido, o da sustentabilidade do país. Aqueles que defendem a economia de mercado, etc e tal, foram os que assinaram o “assassinato” social e económico do país e que o (des)governam há 35 anos. PS, PSD e CDS-PP.

Porque o país precisa, realmente, de uma política de defesa e promoção da produção nacional, com um programa de industrialização do País, potenciando todos os recursos nacionais, que tenha como eixos essenciais: Reforço do investimento público, voltado para a indústria, a agricultura e as pescas, apostando na substituição de importações por produção nacional, a par do desenvolvimento das exportações, num quadro de alargamento e diversificação de relações externas; Aproveitamento integrado de todos os recursos nacionais, concretizando medidas de combate ao desemprego, ao trabalho precário, à desvalorização dos salários, à desregulação dos horários de trabalho, fomentando os importantes recursos naturais do subsolo e energéticos, agrícolas e florestais e os recursos do mar; Defesa e reconstituição de um forte e dinâmico Sector Empresarial do Estado, recuperando para o sector público sectores básicos e estratégicos da nossa economia, designadamente na banca, na energia, nas telecomunicações e transportes, tal como a Constituição da República prevê, sendo indispensável para reestruturar o tecido produtivo; Uma forte aposta nas micro, pequenas e médias empresas e a dinamização e defesa do mercado interno, pela melhoria do poder de compra dos trabalhadores e reformados, através de uma adequada política de apoio ao investimento, garantindo preços dos factores de produção que assegurem a competitividade da produção nacional.

E esta visão do “País a Produzir” é parte fundamental de uma Política Patriótica e de Esquerda que o PCP e a CDU apresentaram e continuarão a apresentar ao País. É uma visão assente na realidade que temos e partindo da sociedade em que vivemos. Uma visão de Sustentabilidade, ao contrário da visão de destruição e dependência externa em que o novo governo PSD/CDS-PP irão mergulhar o país.

Voltando aos jogos, aconselho ainda a quem quiser, que leiam um texto que escrevi à luz de um projecto literário que tenho. Chama-se “O Almirante Visionário” e pode ser encontrado em http://osescudosdalusitania.blogspot.com/2011/02/cronicas-e-estudos-da-biblioteca-de.html. Conta a história de como um dirigente de um povo e os seus ajudantes conseguiram fazer face às dificuldades e colocar esse mesmo povo a produzir. É escrito à luz de um universo de fantasia, fortemente inspirado em jogos de computador e mundos mágicos, mas na raiz do texto está a importância de se ter um país a produzir.

Para terminar, escrevo um pouco sobre a hipocrisia de quem é um dos principais responsáveis pela situação dos pequenos produtores nacionais, já que lhes impõe condições de subserviência. No sábado, dia 18 de Junho de 2011, Lisboa vai assistir (ou assistiu, conforme a data em que o Odivelas.com publicar este artigo) à maior campanha publicitária de uma cadeia de Supermercados e Hipermercados, duplamente responsáveis pela situação dos produtores e pela situação dos pequenos comerciantes. Campanha essa, encapotada de “apoio” à produção nacional, à qual a televisão pública dará cobertura. Refiro-me ao mega piquenique do Sr. Belmiro. É tão bom quando se apoia aqueles que se destrói, para ficar bem na fotografia. Mas o país não precisa de campanhas de propaganda. Precisa sim, de medidas concretas, sem show-off. O país precisa mesmo de produzir.

João Figueiredo

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