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As Eleições Legislativas e o Resultado da CDU

Junho 17th, 2011 | by João Figueiredo

Há coisas que me fazem muita confusão. Faz-me confusão como é que se consegue fazer uma análise deturpada de um resultado eleitoral e encontrar derrotados, porque convém desvalorizar certa força política. Aquela que mais mossa faz na Luta contra os ataques aos direitos dos trabalhadores, ao desenvolvimento do país e à qualidade de vida das populações.

Foram mais umas eleições em que, saindo os resultados, os comentadores ao serviço de quem pretende denegrir a CDU (PCP-PEV) iniciaram a campanha de desvalorização do bom resultado obtido pelos Comunistas e seus aliados. Primeiro, dizendo que foi uma derrota da esquerda, escondendo o facto de a CDU ter sido a única força de Esquerda a subir em percentagem e em número de deputados, mesmo que descendo em número de votos.

Sejamos claros. Subimos em votos e em percentagem em distritos em que tradicionalmente é difícil subirmos. Subimos em percentagem, mas não em votos, em distritos similares. Ganhámos um deputado em Faro, onde já não ganhávamos há duas dezenas de anos. Subindo nesse distrito, em votos e em percentagem. Descemos em voto e em percentagem em distritos onde temos tradicionalmente mais força (autárquica e legislativa), e onde o “medo” da Direita é mais sentido, existindo mais facilidade em voto útil no PS. Mas, no global, a diferença entre eleições é de menos 5142 votos. Ora isto dá, em média, menos um voto por cada freguesia e consulado. Num quadro eleitoral em que votaram menos 95 mil eleitores. Num quadro eleitoral de eleições antecipadas, em que o tempo real de campanha (onde incluo a pré-campanha) obviamente diminui. Em eleições normais, as mesmas são geralmente em Setembro/Outubro, e a pré-campanha começa logo no início do ano. Logo, o tempo de consciencialização é maior. Num quadro eleitoral em que somos constantemente deturpados, silenciados e boicotados pela grande comunicação social e até por certas entidades, em claro desrespeito pela Lei. Num quadro de eventual fenómeno de voto útil no PS. Como é que uma diferença de 5 mil votos é sinal da “derrota que o PCP quer esconder”? O que se quer esconder, neste país, é apenas e só as políticas desastrosas do PS, PSD e CDS-PP.

E ainda há quem diga que queremos esconder a constante diminuição de eleição em eleição. Depreendo eu que essas pessoas não estiveram cá de 2002 em diante. Nem sequer leram o Comunicado do Comité Central do Partido Comunista Português. Olhem para os resultados e digam onde é que existe uma diminuição de eleição para eleição. Mas eu digo: 2002 – 378640 (6,97%); 2005 – 432009 (7,56%); 2009 – 446994 (7,86%); 2011 – 441852 (7,91%). Mas pronto, já nas anteriores tínhamos “perdido”, aos olhos de quem não quer ver o que é evidente.

Outra coisa. Os mesmos que dizem que este resultado é uma derrota, serão os mesmos que diriam que, se votassem os 95 mil que não votaram agora, a CDU teria na mesma estes 440 mil votos. Como se fosse uma coisa estanque. É que a diferença são 22 votos em cada freguesia e consulado. Bastava votarem mais 10 pessoas em cada sítio, que pelo menos 1 voto (pela questão da probabilidade) seria da CDU. E a votação seria igual e eu ficaria muito curioso para saber qual seria o motivo da derrota da CDU nesse caso.

Voltemos a ser claros. O nosso eleitorado varia. Temos um eleitorado fixo e militante, que são 300 mil, a subir de eleição para eleição (e para comprovar veja-se os resultados de um candidato presidencial menos conhecido ou de umas eleições europeias e vejam como temos subido), temos um eleitorado base, 400 mil votos e, como todos os partidos, temos um eleitorado volante, cerca de 100 mil votos, que nos dá diferenças entre votações legislativas, presidenciais com um nome sonante ou autárquicas. Mas a questão está na subida do eleitorado base, que é o sustento da subida gradual da CDU desde 2002. Em 2002 eram 300 mil, agora são 400 mil. É esta a “descida” que querem fazer crer que a CDU tem tido.

Mas o importante é a população ter Direito ao Trabalho e Trabalho com Direitos e o País estar, verdadeiramente a Produzir! E, para essas lutas, independentemente da votação que tenham, o PCP e os seus aliados estarão sempre na linha da frente.

 

João Figueiredo

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