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Em Junho de 2011

Junho 17th, 2011 | by J Paiva Setubal

Em Junho de 2011

Por casa

Há algum tempo que não vinha, pessoalmente, ao V. convívio através desta coluna de editorial.

Não por falta de assunto, mas sobretudo por excesso de trabalho.

Costumo dar notícias do que se passa internamente, mas desta vez muito do que se passa internamente resulta visível para o exterior, até porque têm sido alterações exatamente com esse objetivo.

Assim durante este tempo aquilo que podemos referir de mais significativo é a melhoria na qualidade da imagem transmitida pela OdivelasTV e a melhoria de imagem geral no serviço de notícias.

Tecnicamente foram tomadas algumas medidas que melhoraram o rendimento das transmissões, facilitando a sua receção em cada computador.

Ainda há algum trabalho mais a fazer, mas para já, alcançámos um patamar de exigência que está bem acima do que poderíamos esperar há um ano.

 

Pelo País

 

Num País de surpresas diárias tivemos hoje a apresentação pública e oficial da relação dos nomes que constituirão o próximo Governo Constitucional.

Não nos interessa especular sobre a competência dos Ministros agora indiciados, nem sobre a adequação das suas personalidades políticas e técnicas aos cargos a que estão destinados.

A esse respeito apenas nos compete, neste momento, desejar que todos eles sejam capazes de, em conjunto, dar a volta à situação que Portugal vive.

Pegamos neste tema por duas razões centrais.

Uma porque é um tema inevitável, e só esse já seria definitivo. A expectativa sobre o futuro de Portugal está de tal forma periclitante que, finalmente, parece que os portugueses acabam ligando à governação do Estado mais atenção do que ligam aos mexericos do futebol (estrangeiro para aqui, estrangeiro para acolá) ou às novelas “cor de rosa”, rouxa, violeta ou “cor de burro quando foge” das vidas privadas e públicas dos “estadistas” que as eleições livres, democráticas e justas têm produzido.

A outra porque pretendemos relacionar claramente os obstáculos que têm vindo em desenvolvimento crescente ao longo dos últimos 20 anos, perante a passividade e em muitos casos com a colaboração ativa de alguns dos tais “estadistas” referidos atrás.

Assim aqui deixamos a nossa esperança para o novo Governo deste Portugal quase milenar:

– Finanças e Economia:

Esperamos ser possível pôr cobro ao controlo dos empresários sobre os responsáveis pelas compras dos organismos públicos;

Esperamos ser possível pôr um ponto final ao desvio continuado do dinheiro que a EU envia para recuperação económica do País, desvio para empresas privadas, para sociedades off-shore, para utilização privada de amigos e familiares dos responsáveis pela gestão desses dinheiros;

Esperamos que os orçamentos aprovados para as obras públicas sejam honestos e não fruto de acordos fora de portas, com as chamadas derrapagens combinadas logo à nascença do projeto e dos quais a maioria das PPP são um exemplo;

– Justiça:

Esperamos que o poder político seja capaz de controlar o desvario generalizado da não-justiça que existe em Portugal, com o beneplácito dos seus intervenientes principais;

 

Que a corporação judicial não sobreponha os seus interesses privados ao bem geral e à justiça que deveria praticar e do qual o último e vergonhoso exemplo ocorreu com o exame efetuado na última semana a 137 auditores de justiça. Estes 137 chicos-espertos devidamente acompanhados pela direção do CEJ (Centro de Estudos Judiciários !) mostraram a quem mantivesse alguma dúvida, o que seria deste país se a comunicação social andasse a dormir. Mesmo assim é o que é, calcule-se o que seria se estes casos não viessem a público. Este “Chico-espertismo” português que sistematicamente fica impune, arrasou uma sociedade, vilipendiou princípios, roubou razões.

Sempre impunemente porque estes atos são praticados por quem depois irá avaliar e julgar outros parecidos ou iguais. A isto chama-se desonestidade ! Bem pode clamar a Procuradora Maria José Morgado, no meio de surdos voluntários.

– Saúde :

Esperamos que a Ordem dos Médicos deixe de mandar mais do que o Ministro da Saúde.

Esperamos que a corporação farmacêutica e o inefável Dr. Cordeiro deixe de mandar mais do que o Governo eleito.

Esperamos o fim do desvio de doentes do SNS para consultórios privados, assim como o fim do negócio dos atestados médicos;

– Forças Armadas :

Esperamos uma onda de “bom senso”. Como é possível tantos “Chefes” para tão poucos “Índios”…

Onde estão as ameaças externas ? Vamos preparar a dinamitação das pontes sobre o Tejo para o inimigo não chegar a Lisboa ? Para quê carros de assalto, armas pesadas e outros parecidos ? É apresentada como razão a intervenção de unidades portuguesas em campos de operações estrangeiros. E isso faz algum sentido ? Alguém com algum sentido da realidade entende que se podem deixar morrer portugueses à fome em Portugal, ou nos hospitais com falta de cuidados médicos, para gastar milhões de euros em material de guerra que os srs. Bush, Durão, Portas ou Merkel entendem mandar para o Afganistão ou para Iraque ? Está tudo doido ? E os submarinos servem para quê ? Quantos aviões de controlo costeiro e quantas lanchas rápidas de ataque ao terrorismo das drogas se teriam comprado com o mesmo dinheiro ? Ou o problema da defesa nacional passa pela proteção contra os tubarões do mar enquanto os tubarões da terra andam à solta ?

E o sistema de controlo do movimento costeiro, tão sofisticado e que funciona… não funciona porquê ?

– Educação :

Esperamos que finalmente acabe o reinado de Mário Nogueira. Já chega de asneira e de bluff que os sucessivos e amedrontados ministros têm suportado. Esperamos que cada escola possa escolher os melhores professores e os melhores auxiliares, numa competição livre por uma Escola melhor.

Esperamos que acabe o mito do “topo da carreira” e que esse “topo” seja exclusivamente para os que de facto merecerem lá chegar.

 

Não esgotamos aqui a relação das nossas esperanças, que é também a relação daquilo que tem de ser feito, se o Governo quiser, honestamente querendo, reencaminhar a sociedade portuguesa para um clima de confiança que faça com que cada um se preocupe a sério com a produtividade do seu trabalho, em todos os níveis da sociedade portuguesa.

Sem isso… o melhor mesmo é começar a apagar as luzes. Iremos de surpresa em surpresa até à evidência final.

 

Hoje ficamos assim.

 

Odivelas, 17 de Junho de 2011

 

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