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Por onde vamos

Julho 22nd, 2011 | by J Paiva Setubal

1 – Nos últimos tempos a moda é a reorganização administrativa do território.

Municípios e Freguesias estão prestes a levar uma volta.

A este respeito correm já 1ªs páginas com a informação de que não é nas autarquias que está o grande défice da administração pública.

Os “autarcas” antecipam-se e põem as barbas de molho… “nós não… nós não…!”

Tudo gente admiravelmente séria, mesmo quando acumulam sub-repticiamente funções autárquicas com interesses particulares, em escritórios particulares de onde, sob os nomes dos sócios, saem pareceres, projetos, propostas que deveriam sair dos órgãos públicos de que fazem parte.

Saem os pareceres, mas entram os euros, porque o trabalho destes “especialistas” tem de ser pago !

A prática de corrupção ao nível autárquico é um facto conhecido de todos e o ligeiríssimo véu que de vez em quando se levanta (Felgueiras, Loureiro, Ferreira Torres, Mesquita Machado, Isaltino,…) sem consequências práticas visiveis, limita-se a constituir exemplos para português ver e entreter.

As Empresas municipais inventadas pelos administradores locais sem justificação válida, para agilizar (é o verbo preferido do dialeto político para significar o contorno das leis, vulgarmente “sacar”), com o beneplácito, quiçá com o interesse, dos administradores centrais, têm sido um sorvedouro de dinheiros públicos que desaparecem sem deixar rasto, ficando pelo caminho os sinais de empreendimentos, muitas vezes imensos “elefantes brancos”, sem qualquer utilidade para a comunidade que os pagou ou vai pagar.

Foi preciso aparecer um FMI qualquer para que a falácia das “Parcerias Público Privadas” saltasse do buraco para o mundo dos números desaparecidos.

Entretanto, promessas em cima de promessas, os projetos de interesse verdadeiro são adiados sucessivamente de ano para ano, de orçamento para orçamento, de legislatura para legislatura.

2 – O acordo com o “FMI & Cª.” aponta para uma “reorganização administrativa” do território sem que a respetiva justificação esteja clara no documento.

É assim um pouco… “faz-se porque eu quero !”.

Entendemos que a reorganização do território é necessária, mas consideramos indispensável que seja justificada, e bem, com argumentos válidos que as populações possam sentir como verdadeiros.

Sem isso teremos outro “molho de bróculos” a juntar ao guisado azedo que já todos andamos a mastigar.

Mesmo sendo verdade, não chega dizer que o País mudou, os tempos são outros, a distribuição populacional e económica é diferente.

Isso não chega ! Há que procurar as razões locais, sem o que as populações que forem intervencionadas reagirão à mudança como sempre acontece quando se forçam alterações nos hábitos sociais, por mais justificados que sejam com o desenvolvimento futuro.

Há Municípios a mais ? Se calhar há.

Há Freguesias a mais e mal distribuídas ? Se calhar sim.

É preciso fazer ajustes ? Parece-me que sim.

Tudo isto pode ser verdadeiro, e provavelmente é.

Mas há algo que é indispensável (in-dis-pen-sá-vel) e que tem faltado desde há muitos anos (seguramente mais de 50).

É Inteligência e Respeito pelas pessoas (o tal “povo” que tão querido é em vésperas de eleições).

Se a estes ingredientes quiserem ou puderem juntar um pozinho de honestidade, então teremos obra.

De outra forma é melhor que vão obrar para outro lado.

3 – Nos últimos 2 ou 3 meses temos assistido com alguma incredulidade às chamadas de atenção por parte da Presidência da República, no sentido da necessidade de desenvolvimento dos setores da agricultura e das pescas.

O Presidente Cavaco Silva tem finalmente falado em termos de se perceber que quer um caminho para o país que governou durante 10 anos e ao qual preside há 6.

Há nestes alertas da Presidência o seu quê de surrealismo.

Cavaco Silva, Ministro e 1º Ministro (quem se lembra do “timoneiro” dos tabus ?) fez o que pôde para acabar com a produção agrícola e com o abate da frota pesqueira.

O seu Ministro Arlindo Cunha foi o coveiro da produção nacional agrícola e pesqueira a favor dos interesses declarados de alemães, franceses e espanhóis (lembram-se de uma coisa chamada PAC ?).

Portugal que pescava o suficiente para si próprio (ou quase) passou a ter que importar quase todo o peixe fresco que consome.

Temos a maior área marítima e importamos peixe acrescentando défice ao défice !

E é o atual Presidente da República que apadrinhou o abandono da pesca pelos pescadores portugueses, que incentivou o abate da frota pesqueira nacional, que agora descobriu a necessidade de Portugal desenvolver a pesca !

Acabamos de tomar conhecimento que o Ministro que agora tem o setor das pescas está a negociar com Bruxelas um novo abate de unidades do quase nada que ainda resta da nossa frota pesqueira.

Isto é, o Presidente que acabou com a pesca em Portugal fala na necessidade do seu desenvolvimento e o Ministro do governo que ele indubitavelmente apoia negoceia o abate de unidades de pesca.

Certamente há projetos para lançar campanhas de pesca com os submarinos.

É surreal !

Odivelas, 21/Julho/2011

JPSetúbal

2 Comments

  1. alexandra says:

    Comento o que acho que tenho que comentar se publicam ou não é outro caso…
    De facto é mesmo surreal…
    E como na pesca, também por outros sectores isso se passa. Depois veem com a historia da cota máxima para exportação e tal e nós “engolimos” ou melhor somos obrigados a isso.
    Eles querem podem e mandam…e nós cá estamos para obedecer!

  2. MaximaVaz says:

    Estava quase a desistir de comentar fosse o que fosse em qualquer lugar, mas perante este artigo, desisti de desistir.
    E digo que desistia porque há “pides” a registar comentários e “o seguro morreu de velho e a prudência foi ao enterro”.
    Bem, mas este artigo até me faz inveja! É que ganhou mesmo aos pontos!
    Ainda bem que alguém disse estas verdades. Só fala assim quem tem memória e distingue a verdade da mentira e o certo do errado. Parabéns e obrigada.