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“Templário”

Julho 27th, 2011 | by Oliveira Dias

O massacre na Noruega por um extremista que se diz Templário, tendo este ingressado numa ordem supostamente templária, fundada em 2002, na Noruega, com o objectivo de lutar contra a islamização da Europa, motiva-me este artigo.

O “leitemotiv” que subjaz a estas linhas prende-se com o sentimento de profunda repulsa, que qualquer homem livre e de bons costumes deve sentir, sobretudo quando o infeliz norueguês, a quem me recuso dar publicidade ao seu nome, cometeu o perjúrio de conspurcar o avental que é exibido nalgumas fotos onde o desgraçado aparece indumentado com um avental maçónico, ostentando a jóia de Venerável Mestre (assim uma espécie de Presidente da instituição).

De resto a sua condição de ex-obreiro foi já confirmada pelo respectivo Grão Mestre da Maçonaria Norueguesa, com a ressalva de que o infeliz tinha sido expulso da congregação.

No melhor pano cai a nódoa. A maçonaria selecciona os melhores e torna-os excelentes. Porém o caminho da luz depende da vontade do caminhante.

Claramente o infeliz assassino é uma daquelas pedras em bruto que só falsamente se tornou polida.

Certamente a mística experimentada numa organização iniciática, como é a Maçonaria, a par do sistema de altos graus dos diversos ritos praticados, onde o Templarismo é praticado, terá levado este assassino a interessar-se pela tal ordem maçónica fundada, em termos profanos, em 2002.

Na realidade, ritos existem onde o grau de Cavaleiro Templário é o topo da pirâmide hierárquica. Não é fácil lá chegar. Admito que o assassino não tenha logrado alcançar o mais alto grau da Maçonaria Templária, pois se assim tivesse acontecido, surgiria indumentado como tal.

Ser, hoje cavaleiro Templário, é possível de duas formas distintas: ou pela via iniciática, o que se consegue através da Maçonaria Templária, ou pela via Profana, isto é, por constituição de meras associações de direito privado. Em Portugal conheço duas associações profanas, com reconhecimento internacional, em especial junto da ONU como ONG’s, E ainda, ao nível da Maçonaria Templária pelo menos quem pratica o Rito Escocês Antigo e Aceite, e o Rito de York. No primeiro ser cavaleiro templário corresponde apenas a um grau intermédio dos altos graus, e no segundo corresponde ao último grau no sistema de altos graus.

Acontece porém que nenhuma daquelas vias, a iniciática e a profana, autoriza o respectivo titular a afirmar-se herdeiro da célebre cavalaria Templária do século XII.

E porquê ? Porque a Ordem dos Cavaleiros Templários foi erecta canonicamente, e abatida também canonicamente. Desde a extinção da Ordem pelo Papa Clemente V, no século XIV,, que nunca mais o Vaticano autorizou a erecção daquela Ordem, e os pedidos nesse sentido, em pleno século XX foram vários.

Há notícia do patriarca da igreja ortodoxa ter emitido uma bula canónica reconhecendo uma ordem templária profana, como sucessora daquela outra. Mas isso são fait divers que não acrescentam nada ao assunto, em termos substantivos.

Hoje, vive-se o templarismo, unicamente abraçando os seus princípios e valores, aspectos esses que se mantêm imutáveis, ao longo dos séculos. Um dos princípios templários, que aquela augusta Ordem professava era aquilo que actualmente se designa como o ecumenismo, isto é, o diálogo entre as várias religiões.

Aquilo que aconteceu na Noruega, está nos antípodas do templarismo, e por isso o autor reclamar-se cavaleiro templário é uma afronta aos virtuosos cavaleiros de outrora.

Um Templário era simultaneamente Guerreiro e Monge. Como guerreiro combatia o infiel, mas somente na medida em que este se lançava numa histeria conquistadora da Europa de então. No Oriente os Templários encaravam os islamitas como irmãos, pois deles obtiveram muito conhecimento vedado ao comum dos mortais.

De resto o islão tinha a “sua” Ordem Templária, pois os hómologos dos Templários cristãos eram os “Assassins” e só a ignorância plebeia os promoveu a Assassinos.

Como Monge o cavaleiro Templário era um homem de paz, e em paz procurava viver e conviver com as demais religiões, e povos.

A cordial convivência com as demais religiões era um dos apanágios dos cavaleiros Templários.

A carnificina, em combate, sucedia como meio de auto-defesa, pois quem ousasse enfrentar a cavalaria templária, só podia esperar a sua determinada acção, onde  a palavra rendição não existia, e para quem a morte em combate era mais bela que a vida obtida covardemente.

Jamais um Templário faria aquilo que o assassino norueguês concretizou.

Jamais um iniciado nos augustos segredos da Arte Real comungaria daquela prática inumana.

Quando um past-venerável Mestre, mais que sabedor, devendo ser sábio, se permite tais desumanidades, é caso para dizer, hoje mais do que nunca “desembainhai as vossas espadas irmãos, que os nossos augustos mistérios estão a descoberto”.

A Europa de hoje atravessa um período de tremenda incerteza quanto ao seu futuro próximo. A solidariedade, que deveria ser o cimento da União, anda ausente das decisões das instâncias comunitárias, os exacerbados nacionalismos quando potenciados por factores de cariz religioso, fazem emergir o que de pior a Europa conheceu aquando da idade das trevas.

Quando o desemprego, chaga social que não conhece fronteiras, anda paredes meias com casos como aquele líder muçulmano, desempregado, com várias esposas a viver em França, desempregadas, e que se lhe juntaram graças á norma do tratado de Lisboa que regula o agrupamento familiar (o estrangeiro que consiga a obtenção de residência na União tem direito a chamar a família para junto de si) recebendo uma multiplicidade de subsídios, dado que o Estado Francês apenas lhe reconhece uma esposa como legitima, as restantes são consideradas como famílias monoparentais, cada uma delas com vários filhos do dito muçulmano, auferindo subsídios por isso, e consegue um pecúlio mensal superior a 6 mil euros (nem ele nem as mulheres trabalham) fazem questionar o cidadão francês sobre a politica social que sustenta estrangeiros com subsídios milionários?

A Noruega, País cotado em primeiro lugar no índice do desenvolvimento humano, onde os ministros vão para o serviço de transportes públicos e os Reis cumprimentam os seus súbditos com um aperto de mão, onde se paga altíssimos impostos, ganha-se bem, mas todos os serviços do Estado são gratuitos, contrastando com uma Noruega que até 1960 não passava de um país piscatório, onde a pesca do bacalhau era a principal actividade, mas que a descoberta do ouro negro, nos seus fiordes, lhes rende, desde então, algo como 40 mil milhões de dólares por ano, dando-se ao luxo de possuírem reservas num fundo soberano de 400 mil milhões de dólares, consegue gerar coisas abomináveis como esta do massacre de 95 pessoas numa ilha, e um atentado á sede ministerial do País.

Urge repensar tudo isto.

Já dizia o meu reitor Professor Luis Arouca – o ”o subdesenvolvimento existe quando não há um equilíbrio nas trocas”. A Europa ou encontra um equilíbrio entre o que dá e o que recebe em troca, intra – muros, mas também extra – muros, e os nacionalismos exacerbados surgem quando as portas estão escancaradas, e do outro nem janelas se entreabrem, ou então o risco de implosão devido a fenómenos sociais violentos poderá vir a tornar-se uma realidade.

Pela ilha italiana de Lampedusa podem entrar todos os cidadãos africanos que quiserem, mas se o amparo vier apenas dos contribuintes europeus, não haverá omeletas para todos.

Este é o contexto, para a barbárie que aconteceu na Noruega, e o factor religioso é somente um bode expiatório.

O Templarismo pode constituir-se numa via para encontrar uma plataforma de entendimentos, visando soluções mas estas não podem ser apenas unilaterais.

Non Nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam (divisa templária em latim – Não a nós, senhor. Não a nós, mas ao teu nome dá a glória).

 

Oliveira Dias

Past Knigt Templar York Rite

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