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“Halloween”

Novembro 1st, 2011 | by Oliveira Dias

O que é que o Pai Natal, o Halloween, e a América têm em comum ?

È que ambos, Pai Natal e Halloween, nasceram e ou foram celebrizados na Amércia de onde partiram á conquista do mundo.

É aterrador como o marketing de hoje impõe a destruição de valores, substituindo-os por outros, mais a jeito, da onda consumista.

O Pai Natal destronou a celebração do Menino Jesus. Como ?   Corria o ano de 1930 quando um articulista, Thomas Nast,  da revista Harper’s Weeklys, aproveita uma história de um professor de grego escrita em 1822 , que gostando de escrever histórias para os seus filhos, foi desenterrar a lenda de um Bispo que vivera na Turquia, nos século III, chamado S. Nicolau (Sta. Klaus) e que gostava de ofertar prendas ás crianças mais necessitadas. Ora o professor de grego chamou-lhe Pai Natal na sua história. A Coca-Cola fêz o resto, deu vida ao Pai Natal, na pessoa de um velhote (que bem podia ser o avôzinho de qualquer pessoa), vestiu-o de vermelho, apetrechou-o com umas renas e um saco enorme de prendas.

O resultado é o que se sabe. Um êxito pleno para a Coca-Cola, que impôs uma lenda destronando uma outra de cariz religioso.

Com o Halolloween, que na língua de Camões se traduz por “dia das bruxas” sucede uma coisa semelhante, isto é, substitui-se uma tradição Europeia, por outra americana.

Aparentemente esta coisa do Halloween remonta á Irlanda, no povo Celta, os quais celebravam a noite de 31 de de Outubro, que para eles simbolizava o fim da época da fertilidade.

A Igreja Católica, que também substituiu muitos valores religiosos pelos seus, instituiu a celebração do dia 1 de Novembro como o dia de todos os santos e o dia 2 como Dia de Finados, sendo certo que qualquer referência a bruxas era severamente castigado.

A Irlanda, assim como a Inglaterra, estavam na orbita de influência da igreja Anglicana, em detrimento da Igreja Católica, razão porque quando se deu a grande procura pelo novo Mundo (américa) foi a cultura protestante, anglicana, que mais se impôs nas Américas, e com isso as suas tradições e valores, e claro o Halloween fazia parte do “package”.

Foram precisos alguns séculos até que o Halloween regressasse á Europa, em força. Mas chegou ei-la entre nós.

E porque se impôs ? Tal como o Natal, época em que as familias gastam enormes somas de dinheiro para satisfazer os petizes, que exigem as suas prendas, para eles a palavra crise é uma mera fonia sem sentido, abstrata. O Dia das Bruxas transformou-se numa excelente oportunidade comercial. É espantoso o “boom” de fantasias á venda em qualquer espaço comercial que se preze.

Claro que as escolas deram uma grande ajuda a este evento comercial, incentivando a pequenada com estas coisas.

Tendo passado 4 anos na Ilha da Madeira (2005-2009) tive um primeiro contacto com esta realidade. Na altura achei que haveria a necessidade, dado o isolamento da ilha, a serem promovidas celebridades festivas para ocupar a população. A população emigrante dava uma grande ajuda, pois os que de quando em quando regressam á ilha trazem consigo os novos valores assimilados (razão porque qualquer dia o basebol entrará no nosso quotidiano tal a aceitação que tem nesses emigrantes oriundos da Venezuela e América).

Tinha, apesar de tudo, para mim, que aquilo era um fenómeno isolado no contexto do nosso País.

Enganei-me.

Tentei explicar á minha filha de oito anos, que insistentemente exigia o seu fato de vampira, para uma condigna celebração do Halloween, que esta celebração não fazia parte das nossas tradições, dos nossos valores cristãos, que isto era uma americanização importada pelos vendilhões do Templo, etc, e tal.

Não tive qualquer sucesso na minha pedagogia.

Lenine dizia que a religião era o Ópio do Povo, enganava-se, pois o ópio do Povo é o vil metal, por quem tudo se faz.

O Natal, o dia das bruxas, o fim do ano, o começo do ano, e sei lá que mais, não passam, actualmente, de oportunidades de negócio, que representam uns milhões, sejam eles em euros, dólares ou reais.

Na mesma proporção em que crescem estes negócios, caem os valores que outrora se cultivavam.

Já alguém reparou que isto vem tudo do outro lado do Atlântico ? Isto tudo vem do mesmo sitio donde vieram a crise bancária, a crise do imobiliário, a crise financeira (dividas soberanas), a crise politica, etc, etc.

A título de registo de interesses, não sou anti-americano, limito-me a fazer constatações.

 

Oliveira Dias, Politólogo

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