breaking news

MAÇONARIA vs MAÇARIA

Dezembro 14th, 2011 | by Oliveira Dias

Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira, Região Autónoma insular alvo de vastas noticias, nos últimos tempos, não pelas melhores e transparentes razões, por via da ocultação de dados de reporte obrigatório em matéria orçamental, ao Ministério das Finanças, como forma de “ultrapassar as Leis do Sócrates”, como o próprio, impunemente, afirmou em público, tem dado grande destaque a uma instituição, vulgarmente chamada MAÇONARIA.

Na realidade o Governador da ilha esforçou-se imenso, durante a campanha eleitoral, não em explicar aos madeirenses que lhes iria ao bolso, por via do aumento de três impostos (IVA, IRS e IRC), mas sim a verberar contra aquela que segundo ele seria o maior dos males da Madeira (então e o Sócrates, já não serve para os seus dislates ?), isto é, a tenebrosa Maçonaria.

Segundo o Governador, a Maçonaria tinha como superior objectivo conquistar o poder na Madeira – que afronta, pois toda a gente sabe que só o Governador pode governar na ilha – e arredá-lo do Poder.

Não se sabe ao certo, a quem se refere o, agora empossado Presidente da Ilha, pela enésima vez, pois uma rápida consulta na net inunda-nos com informação bastante para se concluir que isto de se falar de Maçonaria é muito vago, tantas e tão profusas as instituições que se reclamam de Maçonaria.

Lojas selvagens, lojas irregulares, lojas regulares, lojas mistas, lojas independentes, enfim o cardápio parece não ter fim.

Então a que Maçonaria se refere o Governador ?

O homem tem um ódio fidagal aos Ingleses, visto estes terem usurpado durante 30 anos o governo da ilha, aquando das invasões napoleónicas, e daí para cá eram as famílias inglesas os grandes proprietários da ilha. Imagine-se que ao conjunto de 3 ilhas Desertas e o conjunto de 3 ilhas selvagens, eram propriedade de Ingleses, a quem o Estado português comprou as 6 ilhas na década de setenta do século passado, integrando-as, então no Arquipélago da Madeira, então um Distrito.

Grande parte da luta de Alberto foi o de rechaçar a importância dessas famílias inglesas, a quem apontava a responsabilidade pela exploração do povo superior da Madeira.

Ora é público que a Maçonaria Inglesa tem por grão-Mestre um familiar directo da Rainha Isabel, o Duque de Kent, e por terras de sua magestade a Maçonaria é tão importante que consta, para se ser inscrito na Ordem do Advogados tem de se ser Maçon.

Será esta Maçonaria, discretamente presente na Madeira, contra quem Alberto expele a sua verbe mais amarga ? Não, claro que não, porque estes são poderosos.

Então resta-nos a Maçonaria caseira. E o que temos ? A mais antiga o GOL (Grande Oriente Lusitano) é considerada uma Maçonaria irregular.  Convencionou-se dizer que em termos internacionais a Maçonaria irregular é residual. O peso da Maçonaria Regular vem todo dos Estados Unidos, a maior potência maçónica do Mundo.

Mas outros há, irregulares também, como O GOMP (Grande Oriente Maçónico de Portugal), cujo Grão Mestre já foi Grande Oficial da única que se reclama Regular em Portugal – GLLP/GLRP – os Direitos Humanos, com uma Grã-Mestrina, a GLRP, conhecida por Casa do Sino, devido á cisão provocada por Braga Gonçalves, e apodados de irregulares. Finalmente temos a Grande Loja Legal de Portugal / Grande Loja Regular de Portugal, tida, e reconhecida como Maçonaria Regular, em Portugal.

Vulgarizou-se apontar o GOL e a GLLP/GLRP como as mais importantes Maçonarias em Portugal, respectivamente os Irregulares e os Regulares.

Então será contra estes, que Alberto João Jardim aponta baterias quando, nos seus discursos mais inflamados lá debita uns quantos mimos, para os Jacobitas da Maçonaria, que lhe querem o quinhão, do qual não abdica.

O GOL viu os seus elementos, no passado, serem perseguidos pelo regime da quinta vigia, sede de governo regional, a tal ponto que se lhe não conheciam Lojas maçónicas na região. Só este ano é que o Grão Mestre (agora ex) afirmou publicamente existirem na Madeira 1 Loja e um Triângulo (que são duas formas organizativas maçónicas) recentemente criadas.

Mas foi em 2009 que, pela primeira vez na história da ilha, a dita maçonaria Regular (GLLP/GLRP), logrou inaugurar o seu Templo Maçónico, sob a orientação de um continental, de esquerda. Com estes 3 defeitos (Maçon, Continental e do PS) o putativo responsável pela implantação da Maçonaria Regular Portuguesa, na Região Autónoma, rapidamente sentiu na própria pele que o regime jardinista não perdoa. Por ordem de Alberto João, aquele incauto Maçon, ficou no desemprego, fortemente aconselhado a sair da ilha. Quem, também, ficou fora do baralho foi o politico que chamou aquele maçon para trabalhar consigo, profanamente, sem desconfiar que naquele homem de confiança havia outros predicados esotéricos.

Sabe-se que o empenhado responsável da loja regular (Gllp/Glrp) solicitou auxilio á sua augusta Ordem, sem que alguma vez lhe chegasse o socorro tão ansiosamente por ele aguardado. Esse “auxilio” acabaria por chegar sob a forma de decreto do Grão Mestre afastando-o, contra a sua vontade, daquilo a que no meio se chama “cadeira de Salomão”, ou seja, da responsabilidade da Loja que erguera, sozinho, com custos pessoais e profissionais tremendos.

O regime vencera duplamente: afastava um elemento demasiado incómodo, e afirmava o seu poder pessoal perante uma organização, que segundo se consta terá poder de influência. Mas não tem.

Assim derrotadas as duas Maçonarias, tidas como as mais influentes, em Portugal, contra quem, afinal, se move Alberto João, quem é o fatal culpado de tudo isto ?

A resposta vem pela boca do povo, afastado destes meandros esotéricos, de que nada percebem, a não ser aquelas coisas um bocado para o abichanado – qu’isto dum home andar de avental só em cozinha de hotel, e não todos – e dizem á boca pequena – “a culpa desta porra toda é da MAÇARIA.”

Solidariedade, fraternidade e justiça parecem, hoje, não passar de vocábulos repetidos mecanicamente, de forma a induzir uma ilusão perene, crua, e amarga para quem, em Portugal ainda acredita no “Pai Natal”.

O Poder, qualquer tipo de poder, é como Galo em capoeira: onde há mais do que um é bicada de meia noite até só um restar de pé para reivindicar o direito de pernada sobre tudo quanto tenha penas lá no pedaço. O resto é história.

Oliveira Dias, Politólogo

Comments are closed.