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2011

Janeiro 3rd, 2012 | by Oliveira Dias

Escrevo no último dia do ano estas linhas, o que faz deste texto um balanço do ano que se fina.

Fica sempre bem, em final de ciclo, fazer uma retrospectiva, e olhar, prospectivamente, o futuro próximo.

O ano de 2011 foi a vários títulos, extraordinário, pelo que se passou no mundo, em Portugal, e na nossa região. Marcou, indelevelmente, muita boa gente. Será recordado, várias vezes, estou certo.

Inicio, esta minha retrospectiva, pelos acontecimentos internacionais mais impactantes.

Primavera Árabe, como ficou conhecida uma revolução social, movimento gerado a partir de uma contestação, veiculada pelas redes sociais, com epicentro no Egipto.

O alastramento da contestação ao regime militar, cuja cabeça era Hosni Mubarack, levou á deposição do presidente pela Junta Militar, mantendo esta porém o poder, gorando as expectativas criadas, com a contestação popular.

As consequências desta contestação que afastaram o Presidente do Egipto, contagiaram outros países, africanos, e depressa na Líbia aconteceu o impensável, Kadafhi, o Coronel temido, em tempos, internacionalmente, vê-se a braços com uma revolta que o conduz à morte sem glória, e à fuga da sua família, todos com a cabeça a prémio.

Na Siria, Baschar Al Assad, que sucedeu a seu pai, e mantém um regime com mão de ferro há décadas, vê-se a braços com a contestação popular, que tenta reprimir, com sangue. Vê-se acossado pela censura internacional, e a ONU só não lhe reserva igual tratamento como o fez para outros ditadores, porque a aliada Rússia, com o seu veto, no Conselho de Segurança, lhe dá garantias seguras.

Em Angola há uma espécie de ensaio de contágio desta primavera, mas é eficazmente contida, pelo eterno José Eduardo dos Santos.

A primavera Árabe é sem dúvida uma mudança de paradigma, onde as tiranias e sobretudo os tiranos, soçobram aos ventos da história, porque esta é feita pelo povo.

Outros tiranos terminaram a sua existência terrena, embora não devido a contestações ou revoluções, mas por causas naturais, falo de Kim Il Sung, da Coreia do Norte o “querido líder”, sucedido pelo seu filho mais novo, que ninguém conhece muito bem. Só mesmo os militares coreanos o conhecerão, a julgar pelos 7 tutores de alta patente militar, com quem o filho do grande líder terá de governar aquele país detentor de capacidade atómica.

Nada será como dantes perante estes acontecimentos.

Ainda em África, e mantendo a tradição a Guiné-Bissau assistiu a mais uma tentativa de golpe de estado, aparentemente falhada, e cuja consequência foi  a prisão de vários militares de alta patente, da etnia Balanta. Até à próxima tentativa, desta ou de outra etnia, as incertezas vão-se mantendo, num País, por muitos considerado pária, e entregue ao narcotráfico.

Europa. Continente que já conheceu melhores dias, foi testemunha de dois casamentos reais, em Inglaterra e no Mónaco, enchendo as revistas cor-de-rosa, mostrando, assim que os sistemas monárquicos gozam de boa saúde.

FMI. O Fundo Monetário Internacional, fez, em Portugal o seu 3º melhor negócio do ano. Chamado a intervir na Irlanda, na Grécia e em Portugal, estando a aguardar vez a Itália e a Espanha, a coisa parece correr bem.

Esta instituição andou pelas bocas do mundo com o afastamento compulsivo do seu dirigente Dominique Straus Khan, que assim, tal dois em um, é afastado, de modo estranho, bem á americana, com sexo pelo meio, de uma instituição poderosa como o FMI, e fica “queimado” na sua alegada pretensão de ser o rosto do opositor ao actual residente dos “champs elisées”, o submisso germanófilo Sarkozy.

Aqui novamente uma mudança de paradigma – ninguém mais estará seguro nos seus lugares de topo internacionais, especialmente se forem clientes de hotéis, onde empregadas solicitas, condicionalmente, se mostram a jeito.

Com o FMI, o Banco Central, e a UE é inaugurado um novo vocábulo na língua portuguesa – Troika. Dela se falará mais á frente.

Mas o triunvirato (troika em português) surge em cena graças a outra mudança de paradigma: durante muito tempo, mais ou menos desde o século XVIII e o século XX, os grandes fluxos monetários internacionais faziam-se entre a Europa e os Estados Unidos da América, com o surgimento de países emergentes, hoje eufemísticamente chamados BRIC (Brasil, India e China), os fluxos monetários alargaram-se e a Europa e os States perderam a sua posição dominante. Isto graças a uma criação do capitalismo – os especuladores, ou seja os mercados, essa coisa indefinida, volátil, mas letal para as economias.

Os países habituados a gerirem, a seu bel prazer, as dívidas soberanas, coisa que sempre fizeram sem percalços, viram-se de repente, confrontados com ataques especulativos ás suas dívidas soberanas. No caso Europeu tal teve uma intenção muito precisa – acabar com o Euro, pois esta moeda estava a tornar-se incómoda, e a última coisa que os “mercados” queriam era que o euro passasse a ser a moeda das transacções internacionais do petróleo (que ainda é o dólar).

Para tanto bastava atacar as economias mais frágeis, entenda-se a Grécia, a Irlanda, Portugal, Espanha e por aí fora. Claro que isto significa a implosão do desiderato Europeu.

Assim o ataque ao Euro é outra mudança de paradigma – o sonho europeu, celebrado a 9 de Maio, está condenado. Outra Europa, outro Mundo nos espera.

Continente Americano. Raiz da maior parte dos problemas da Europa (para infelicidade dos detratores de Sócrates, que nele preferem ver o mal de todas as coisas), dali vieram várias crises: Financeira, bancária, imobiliário, e por aí fora.

Barack Obama, sai do Iraque, 10 anos depois de o ter invadido, por causa do petróleo, nãos sem antes caçar Sadam Hussein, outro ditador desaperecido, bem como o mais procurado do mundo Bin Ladden, liquidado como um rato, no Paquistão.

Guantanamo ainda alberga tropas americanas. Promessa incumprida, portanto.

Hugo Chávez tem cancro. Cristina Crichner tem cancro. Fernando Lupo tem cancro. Lula da Silva tem cancro. Fidel Castro já tinha cancro. Presidentes respectivamente da Venezuela, Argentina, Paraguais, Brasil e Cuba. Entretanto Dilma a actual Presidenta do Brasil já teve cancro mas venceu-o.

Conclusão ? a América Latina não é local que se recomende, pois por ali politico ganha cancro, sem se perceber como ou porquê.

Isto traz à memória o antigo presidente da Ucrânia, que foi intencionalmente contaminado com uma doença rara de pele, numa acção atribuída ao ex-KGB.

E por falar em KGB, um seu antigo dirigente, acaba de vencer, pela segunda vez, as eleições para a Presidência da Rússia, terminando o seu consulado de primeiro-ministro. Tudo certinho “by the book”. A foice e martelo.

O ocidente tenta dar razão ás vozes de protesto surgidas na oposição, mas a verdade é que a Europa está de mãos atadas, pois depende energeticamente da Rússia, e estes até se dispõem a ajudar a EU no fundo europeu a criar. Está-se mesmo a ver que a contrapartida é a Europa fazer vista grossa á questão da Síria.

Tudo isto em 2011, lá fora.

E cá dentro ?

O ano começa com a vitória Presidencial de Anibal Cavaco Silva e o seu discurso de tomada de posse parcial, dirigido apenas a quem o apoiou. No mesmo discurso considerou sanadas pela força dos votos quaisquer dúvidas surgidas com o caso BPN, e outras levantadas, e não esclarecidas durante a campanha. O mote foi, se ganhou as eleições é porque todas as acusações de que foi alvo eram infundadas. Assim prometeu, no discurso de tomada de posse “Magistratura Activa”. Ninguém sabia o que era, mas isso não durou muito tempo.

Pouco tempo depois, enquanto toda a oposição suspirava pela vinda do FMI, Sócrates negoceia com UE o famoso PAC 4. Nada diz ao Presidente da República para não perder o efeito útil da surpresa com que os mercados seriam apanhados. Mas Cavaco não gostou.

Pedro Passos Coelho que pacientemente esperava pelo sinal de partida, decide travar o passo ao minoritário governo de Sócrates, para gáudio de toda a oposição em peso. Fundamento ?

Sócrates demite-se, forçado pelo chumbo do PAC 4. Passos Coelho ganha as eleições, e brinda o País com um pacote muito mais penoso que o PAC4 indo muito além das exigências do FMI,BCE e UE. Pelo caminho Pedro Passos Coelho reduziu a pó promessas eleitorais, e “vacas sagradas” do direito de trabalho, sistema nacional de saúde, e estado social, etc, numa imposição neoliberal como nunca se viu por cá.

Na Madeira, cai finalmente a máscara a Alberto João Jardim – mentiu a tudo e a todos, e agora vai ter de pagar amargamente a sua irresponsabilidade. O seu modelo de desenvolvimento foi ruinoso.  O pior é que o País apanha por tabela.

No Continente o primeiro ministro recomenda aos portugueses que emigrem. Parece que por cá já não são precisos para nada.

As Freguesias, autarquias criadas no século XIX, e que fazem concorrência com os municípios, a ver quem representa mais o povo, têm a certidão de óbito passada para quase metade delas, só falta mesmo a assinatura.

Nada de mais, pois os Governos Civis também foram desta para melhor. Creio que Mouzinho da Silveira não faria melhor, mesmo tendo em conta que rebentou com metade dos municípios quando teve oportunidade de o fazer. Verdade seja dita o Regedor já tinha desaparecido, o administrador do Concelho também só faltava mesmo o Governador Civil (estes eram todos representantes do ministro do interior nas respectivas áreas territoriais, a saber – freguesia, Concelho e Distrito, os dois primeiros acabaram com o 25 de Abril, e o último foi agora em 2011).

Nem tudo foi mau. Ronaldo, Mourinho e Pinto da Costa, são os melhores do Mundo nos seus “metiers”, respectivamente; futebolista, treinador e dirigente desportivo.

O Fado é alcandorado a património imaterial da humanidade. Os Chineses “descobrem”Portugal.

Isto dos Chineses é uma muito boa noticia. Vejamos: eles trataram-nos muito melhor no processo de passagem da soberania sobre Macau para eles, do que os Indianos no caso de Goa, Damão e Dio. Os Chineses podendo simplesmente “correr” connosco preferiram negociar pacificamente.

Com a questão da debilidade portuguesa, na divida soberana, os chineses compraram mil milhões de euros de divida portuguesa. Os Brasileiros ficaram-se pelas intenções fraternas e os Alemães emprestaram dinheiro, via triunvirato, ganhando milhões com a nossa aflição.

Agora entram no capital da EDP. Mas fazem mais do que isso, prometem fazer investimentos avultados e abrir linhas de crédito, e já têm em vistas a aquisição de um banco.

Dinheiro fresco e vontade de gerar mais valias em que todos ganham, é isso que a China representa. A minha recomendação é que aprendamos mandarim ou cantonês (as línguas oficiais da China) pois creio vir a ser muito útil no futuro.

China e Portugal, é uma parceria de futuro para ambos.

Do Internacional passemos ao local.

Sim o nosso cantinho também teve os seus momentos em 2011.

Famões parece que vai ser anexada á Pontinha. Nenhum drama com isso, ganha-se dimensão até. Pode até ser que nas autárquicas me candidate, o que seria um projecto muito interessante, pois o território da Pontinha mais o de Famões é um desafio importante.

Por falar em Famões, este foi o ano em que a freguesia viu perder o seu centro de saúde, tão dificilmente conquistado, ainda me lembro disso, tendo passado para a Ramada, onde por sinal até tem menos condições do que tinha em Famões. O senhor Presidente de Famões andaria distraído ? Parece que sim.

Mas nem tudo são más noticias, a Igreja conta com um novo centro paroquial, moderno, bem equipado, uma mais valia para a população.

A Câmara Municipal de Odivelas, deu o seu grito de Ipiranga ao anunciar a ruptura com os SMAS de Loures.

13 anos depois é assumida uma posição que deveria ter sido a primeira a ser tomada em 1999.

Um erro. Culpados ? São todos.

O Novo Hospital da Região, localizado em Loures, segue em bom ritmo e anuncia uma nova centralidade na região. Aos poucos vamo-nos libertando do estigma de periferia da grande Lisboa.  É também uma boa noticia.

O Movimento Odivelas a Concelho, a quem se deve a criação do Município de Odivelas, foi pelo 13º ano esquecido nas comemorações da efeméride, e as medalhas de mérito continuam a ser atribuídas a todos excepto aos obreiros do processo, relegados para o pó do esquecimento.

Assim correu o ano de 2011. Muita coisa a fazer a diferença entre o passado e o futuro próximo.

E nós, os que teimosamente nos preocupamos com estas coisas, fazemos mesmo a diferença.

Uma última nota. O projecto OdivelasTV sofreu um revéz, teve de levantar ancora e rumar a Lisboa.

Para constar registe-se o seguinte: quando a força de um projecto se cimenta na força da convicção, ideais, virada para as pessoas e com as pessoas, nada nem ninguém lhe conseguirá tolher o passo. É o caso do Projecto do OdivelasTv.

FIM

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