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Das Tormentas à Boa Esperança

Janeiro 3rd, 2012 | by Paulo Pinheiro

Terminou o ano que mais marcou o nosso país nos últimos tempos. Portugal atravessa o período mais difícil desde o PREC, e 2012 avizinha-se como o ano mais decisivo desta década.

Depois de José Sócrates e restante governo socialista terem gerido mal os dinheiros públicos, não tenham optado por políticas estruturais de crescimento económico e terem escondido a realidade calamitosa do país, não tiveram outra alternativa, já depois de se terem demitido, senão apelar a ajuda internacional. Por esse motivo, e tantos outros, os portugueses castigaram a (falta de) governação socialista nas urnas, elegendo Pedro Passos Coelho como Primeiro-Ministro, como um grito de revolta e de necessidade de uma nova narrativa política. Nada será como antes.

Sobressai um aspecto positivo deste período: os portugueses acordaram sobressaltados da letargia social em que tinham estado nas últimas décadas, e nunca como hoje, se discutiu tanto e se deu tanta importância ao interesse público.

O desafio não poderia ser maior: fazer em 2012 as reformas que não foram feitas nos últimos vinte. Portugal não tem um plano B, não há oportunidade para errar. Os portugueses enfrentam um choque de realidade equivalente à força com a qual muitos dos dirigentes políticos deste país a ignoraram durante décadas por motivos puramente eleitoralistas, esquecendo que as reformas são investimentos fundamentais para a maior riqueza deste país: as novas gerações.

Urgem políticas estruturais para recolocar Portugal na rota do crescimento económico e desenvolvimento social: a nossa justiça tem de funcionar, ser mais justa e célere e combater ferozmente o sentimento de impunidade e a corrupção; as empresas têm de ser mais inovadoras e produtivas; o serviço público tem de ser mais eficaz, menos despesista e não estrangular a iniciativa privada; que a educação se centre no aluno e não no professor; as leis laborais sejam mais flexíveis e simplifiquem a contratação de jovens, os voluntários vejam o seu altruísmo reconhecido ou pelo menos respeitado, e que os portugueses sintam que os sacrifícios que são feitos, são mesmo necessários e sejam “um passo atrás para dar dois em frente”.

Se não formos nós a fazê-lo, ninguém o fará por nós! Portugal tem quase 900 anos de história: para se formar e crescer teve de travar duas guerras em simultâneo, contra dois adversários de maior dimensão (Leoneses e Mouros), teve uma guerra civil (1383/1385), para enfrentar a pobreza decidiu aventurar-se e expandiu construindo um dos maiores impérios da história e dos mais duradouros, tendo que defender essas fronteiras durante séculos; recuperou a sua independência, após meio século de domínio espanhol; enfrentou a tentativa de ocupação napoleónica, saindo vencedor; perdeu o Brasil, mas Portugal superou; participou na I Guerra Mundial; lutou para ter liberdade e conseguiu; quis ser europeu e assim é até hoje.

Pegando nas palavras do Presidente da República, na sua mensagem de ano novo: “Portugal é maior que a crise”. Mas isso só depende dos portugueses e na sua inegável capacidade de luta e coragem demonstrada, em tantos momentos, mas tudo nasce da vontade!

Para concluir, queria aludir a um momento na história de Portugal, que a literatura e cultura deram a conhecer, passado em 1488. Bartolomeu Dias, navegador português, ao longo da sua navegação ao largo da costa ocidental africana tentou, durante vários dias, passar por um cabo (hoje África do Sul), sofrendo violentas tempestades, levando a intitulá-lo como Cabo das Tormentas. Mas o rei português, D. João II (o Venturoso) era conhecido por não perdoar falhas e Bartolomeu Dias, sabia disso. Teve mesmo de o dobrar! Sabendo deste feito, o rei mudou-lhe o nome, porque ao ser dobrado dava acesso ao Oceano Índico e, por sua vez, à tão desejada Índia. Chamou-lhe, por isso, Cabo da Boa Esperança, o topónimo que ficou até aos dias de hoje.

Desejo a todos um 2012, que hoje se apresenta como o “mostrengo” Adamastor, e que em Janeiro chamamos o “Ano das Tormentas”, um “Ano da Boa Esperança”. Sejamos agentes da mudança, e acima de tudo, de esperança! Só depende de nós!

Paulo Pinheiro

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