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PREFACIO PRESIDENCIAL

Março 18th, 2012 | by Oliveira Dias

O Presidente da República acaba de dar á estampa um livro, onde, segundo parece, faz um balanço do seu primeiro ano de mandato, do segundo que a Constituição da República lhe permite fazer.

No Prefácio deste livro resolveu desancar no ex-primeiro ministro, José Sócrates, a sua animosidade pessoal, até aqui mal disfarçada, hoje, claramente óbvia para todos.

José Sócrates é, assim, recuperado para a actualidade noticiosa, a contra gosto, certamente, achando, que provavelmente Paris não é suficientemente longínquo para que o deixem em paz.

Cavaco Silva usa assim a “sua” magistratura de influência para se colar aos saudosos que ultimamente se esforçam por trazerem para as primeiras páginas dos seus pasquins, notícias sobre quem não se pode defender.

Se olharmos, em retrospectiva, para as “gafes” de Cavaco, logo nos vem á cabeça daquela dos Lusíadas, obra da qual achava ter tantos Cantos, como uma sala, ao invés dos dez que Camões escreveu e cantou. Iliteracia dirão.

E ainda haverá quem se lembre da solução que o então ex-primeiro ministro e “opinion maker” Cavaco, na sua longa travessia do deserto, debitou sobre o problema de uma função pública com demasiados recursos humanos ? Segundo ele o problema iria resolver-se á medida que fossem morrendo.

Isto foi mais ou menos quando Alberto João Jardim se lhe referia como o Sôr Silva.

Por falar da Madeira, o figurão que o Presidente lá foi fazer em 2008 ? Lembram-se ? Foi mais ou menos assim: O Presidente da República visita a Madeira, e o todo poderoso governador insular não lhe permitiu participar numa sessão especial da Assembleia Legislativa, que por Protocolo, a acontecer, deveria ser Presidida pelo Presidente da República.

O Presidente da República teve de se contentar com um repasto na dita Assembleia.

Para receber os partidos com acento na dita Assembleia insular, ao invés de usar o palácio de São Lourenço, residência oficial do seu representante na ilha, e que o governador sempre reclamou como seu, recebe os partidos no hotel onde se hospedou.

Percorreu todos os municípios da ilha, sendo recebido pelos Presidentes de câmara, como manda o protocolo, mas á frente, no lugar de serem os batedores, quem chegava primeiro era o governador, na sua inconfundível viatura, ornada com duas insulares bandeirinhas, para recolher as palmas a que sempre se achou com direito.

É mais ou menos nesta altura que um seu aficionado lança a mal explicada teoria das escutas ao Presidente da República a mando, claro está, do Primeiro Ministro. Porém nem o primeiro ministro tem poderes para mandar escutar ninguém, como pelo que se vê agora, quem era escutado era o próprio Sócrates, sem se perceber a razão das escutas realizadas a Sócrates. Se isto não é uma rajada nos pés, então não sei o que será.

Mais recentemente, Cavaco haveria de nos brindar com mais umas quantas que não lembravam a mais ninguém, desde logo, quando em campanha para o seu segundo mandato presidencial, deixou por explicar muitas questões que o envolviam a ele e a vários dos seus adjuntos, do passado, na célebre questão do BPN.

O seu discurso de vitória foi de uma inacreditável parcialidade, e tentativa de usar o resultado eleitoral para “limpar” qualquer dúvida que subsistisse sobre o BPN e a sua alegada envolvência.

Mais tarde, e na mesma linha de fogo, o seu discurso de tomada de posse foi um ataque violento a governo de Sócrates. Recorde-se que prometera Cavaco, uma magistratura activa. Estaria a referir-se ao prefácio ?

Esta deslealdade institucional não lhe ficou bem na altura, como não fica bem o seu prefácio de hoje.

Qual a razão deste prefácio ? Desde logo desvia as atenções e a pressão enorme que sobre ele se exerce por causa de uma petição subscrita por 45 mil portugueses a pedir-lhe a demissão. Para o ego Presidencial isto é a pior das coisas.

Para essa pressão, sobre o Presidente, conta muito a questão de ter abdicado do vencimento da função presidencial, desvalorizando esta claramente, em benefício das suas reformas.

Depois a célebre queixinha pública de apesar de ter reformas milionárias, estas não virem a ser suficientes para pagar as suas despesas, quando se sabe que temos mais desempregados do que funcionários públicos, gerando uma situação dramática para milhares de portugueses, a que se deve adicionar dramas com as famílias insolventes e aquelas dependentes de trabalhos precários.

A vingança é um prato que se serve frio, diz-se. A derrota custa muito a aceitar, sobretudo para quem teve o poder de mandar e comandar nas mãos durante uma década. Terá sido por isso, que Cavaco sucumbiu na tomada de posse de António Guterres, caindo desfalecido, nos braços de quem o amparou ?

Prefaciar uma obra de ataque a um politico retirado, por parte de um politico no activo, é moral, ética e politicamente aceitável ?

Não é. Por isso tenho para mim que o pósfacio, não naquela sede, mas noutra, venha a ser o prefácio da merecida resposta, pois como diz o ditado popular – cada um deita-se na cama que fez.

Quem ri no fim … ri melhor.

Oliveira Dias

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