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A caridadezinha, já José Afonso falava dela

Abril 1st, 2012 | by Odv

O Povo português tem dado, ao longo dos quase mil anos de existência como Povo independente, quase sempre senhor do seu nariz e do seu futuro, sobejas e exemplares provas de solidariedade.

Quer seja em favor de povos estranhos, quer seja internamente sempre que a necessidade a isso tem dado oportunidade.

É uma característica da nossa gente, às vezes a par de enormes e desmedidas provas de violência gratuita, mas no fim ressalta quase sempre um coração do tamanho do mundo.

Não vale a pena listar exemplos.

Eles foram, ao longo de séculos, deixados por toda a parte onde os portugueses têm existido, e têm existido portugueses em toda a parte.

A situação de enorme dificuldade pela qual estamos a passar (nem todos, mas a maior parte passa grandes dificuldades), tem permitido mais uma vez demonstrações de grande e preocupada solidariedade, entre os que têm pouco e os que têm nada.

Como sempre os oportunistas, na chamada classe política (refiro-me aos da “falta de classe política”), e são muitos (direi mesmo, quase todos), encontram aqui mais um excelente campo de manobra para as suas ambições de subir na vida a qualquer preço, técnicas que dominam na perfeição, sem vergonha e sem remorsos.

São os do poleiro que não querem sair, são os de fora do poleiro que querem subir e são os que já estiveram no poleiro e agora querem voltar a qualquer preço.

O nosso projeto de Comunicação Social independente, e portanto nós próprios, fomos em tempo próprio acusados de “municipalizáveis”.

Foi uma manobra montada de forma completamente estúpida, mas entre políticos tudo o que é estúpido colhe, e na sequência foram várias as tentativas para travar este processo que temos em marcha.

Estas considerações vêm a propósito de um movimento que em Odivelas está em plena marcha e que se baseia na aparente municipalização dos atos de solidariedade, não da solidariedade tal qual é entendida por quem é solidário por natureza, mas da forma como é entendida pelos que têm muita pena dos pobrezinhos agora, para os enganarem descaradamente no futuro próximo, assim que a oportunidade chegar e assim que subirem a um qualquer poleiro.

A aproximação (verdadeira miscigenação) de iniciativas de caridade entre entidades oficiais e particulares (os chamados movimentos de cidadãos e certamente de “cidadonas” (são as cidadãs que são Donas) vai fazendo o seu caminho amplamente publicitado como convém, para que todos saibam que “nós somos muito bonzinhos, até nos preocupamos com os pobrezinhos, fazemos muitas recolhas de alimentos e muitas distribuições de saquinhos de auxílio”.

Lamento não acreditar na bondade destas ações.

Talvez a vida me tenha feito ser injustamente desconfiado, mas de facto sou e estou com pouca apetência para demonstrações de ingenuidade, ou de parvoíce que é a ingenuidade premeditada, ao serviço de vigaristas à solta.

De qualquer forma só com a aproximação do tempo eleitoral tiraremos a limpo se a minha desconfiança é ou não razoável.

É minha convicção que estamos a assistir, em Odivelas, à Municipalização Oficiosa da Caridade.

Olha, sem querer inventei um novo MOC, que giro.

JPSetúbal

 

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