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POLITICA BOOMERANG

Junho 7th, 2012 | by Oliveira Dias

Não costumo verberar as minhas preferências em matéria de “opinion makers”, mas desta vez, e pela primeira vez vou revelar quais são, sem obedecer a nenhuma ordem em especial, assim: aprecio bastante o Perez Metello, em assuntos económicos, homem sério com clareza de exposição, o Miguel Esteves Tavares, pelo modo desassombrado como diz o que pensa, de forma muito fácil de entender, e a Fernanda Câncio, pelos temas incisivos, pertinentes e acutilantes que aborda.

Claro que nem sempre concordo, ou subscrevo tudo que dizem ou escrevem, mas admiro-os pela forma como são sérios e sobretudo explicativos, sem rodriguinhos subliminares.

Ora isto vem a propósito da crónica da Fernanda Câncio publicada no Diário de noticias edição 25 de Maio de 2012, sob o título “ Nós e o Lobo”.

Vale a pena ler. Ainda pensei, quando vi o título que a Fernanda Câncio, tinha recuperado Hobbes, o filósofo que declarou a grande verdade “o homem é o lobo do próprio homem”.

Mas não. Ela ironizava a circunstância de, a propósito da novela Jornal Público / Miguel Relvas, tudo se tratar de uma grande ironia. Quem se não lembrará do enorme escarcéu que o PSD fez quando acusaram Sócrates de pressionar a comunicação social ! Aqui del Rei que o Estado de Direito desaparecera. Enfim um xinfrim danado só porque o homem, ou um assessor, não me recordo bem, telefonou a jornalistas para não publicarem determinada matéria.

Hoje toca ao PSD, qual boomerang, provarem os excessos de então, de parte a parte.

Penso que existe um enorme exagero nas reacções a situações de menor importância, é a concretização, mais uma vez de um ensinamento muito actual, cuja paternidade, confesso, desconheço, mas que a ouvi da boca de um brasileiro, numa formação fantástica de marketing no Rio de Janeiro – é o efeito 10/90.

Um acontecimento menor, cotado nos 10% da escala da importância, recebe uma reacção (cada acção/reacção) na escala dos 90%. Claramente sobreexagerada.

Explicando. Tal como aconteceu com Sócrates, não sei se Miguel Relvas tentou a não publicação de determinada matéria. Mas acho natural que uma pessoa que se julgue injustiçada pelo tratamento noticioso de uma acção por si praticada tenha a tentação de, pelo menos, tentar evitar a sua concretização, desde que com urbanidade como é óbvio.

Ora parece ter-se institucionalizado que quem telefone a um jornalista pedindo-lhe que não publique algo, o que não deixa de ser uma ingenuidade, ou que um magistrado diga a um colega numa conversa “en passant” que esta ou aquela matéria já terá prescrito, se comine imediatamente e sem apelo numa tentativa de pressão.

Isto até parece lá na primária quando certos meninos sempre em estado de prontidão, estão sempre a postos ao que se passa para á mínima acção se apressarem a fazer queixinhas.

Quando fui chefe de gabinete de um Presidente de Câmara muitas vezes assisti á ingenuidade do Presidente tentar impor, com urbanidade entendamo-nos, o tipo de noticias que o jornalista que cobria a nossa região deveria fazer e até a dar-lhe sugestão de títulos.

Qual era invariavelmente a resposta do referido jornalista ? Com um sorriso estampado na cara dizia “senhor Presidente faça o seu trabalho que eu faço o meu”, e lá íamos para os copos, cada um na sua. Tentativas de pressão ? cá nada. Entre adultos é assim.

O que seria de certos jornalistas cá do Burgo se tivessem de ir trabalhar para a Madeira … Morriam de ataque cardíaco.

Uma jornalista, por quem o poderoso líder de bancada do PSD da Assembleia legislativa não se engraçava nada, para além de ter sido proibida de cobrir as acções onde o todo poderoso participava, sob pena de ser expulsa, sem urbanidade, chegou até a ser perseguida em corrida pelo dito, pela Fernão Ornelas abaixo (é assim a baixa lá do sitio) e ela ás vila Diogo pois sabia que o homem não queria dar-lhe beijos e abraços. Tudo filmado e no Youtube. Então se uma simples conversa vira Pressão, isto é o quê?

Nunca percebi o motivo de algo que aconteça em Lisboa por simples que seja, envolve lodo a ERC, a Procuradoria, prime time em tudo o que é comunicação social, mas se for no Funchal, ninguém fala, ninguém viu, ninguém chateia ninguém que seja autoridade.

Obviamente é intolerável fazer uma ameaça envolvendo a vida privada de um jornalista. E se isso aconteceu, sejam retiradas as devidas consequências.

No resto, não deixo de achar muita piada ás gaffes do PSD que parecem tiradas em fotocópia do que no passado aconteceu.

Em termos estritamente políticos é uma desonestidade, o PSD ter apresentado um documento estratégico aos pares europeus, em primeira mão, quando foi precisamente isso que criticaram violentamente a Sócrates ao ponto de lhe terem chumbado o PEC 4, com  a preciosa ajuda de todos os outros partidos da oposição com assento parlamentar, obrigando o País a chamar os senhores do FMI, Banco Central Europeu e União Europeia. É muito feio fazer hoje o que se criticou ontem.

Aliás nessa matéria o PSD, hoje, está a apanhar todas as pedras que mandou ao ar no passado. E num telhado de vidro … a coisa vai partir, é a mesma certeza que se tem quando se lança o boomerang, regressa sempre ao sitio de quem o lançou.

Oliveira Dias, Politólogo

 

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