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Editorial – JULHO/2012

Julho 7th, 2012 | by J Paiva Setubal

CÁ POR CASA

Estamos no final de mais uma temporada informativa no ano da crise de 2012.

É  a aproximação das férias, para os que as têm e podem gozá-las e para os que, tendo-as, não poderão sair de casa. Em nossa casa, férias, é coisa de ricos.

Arrumámos o diálogo com a ERC e com a SPA e agora há muito trabalho para preparar a nova época noticiosa. Não iremos de férias porque não podemos, mas iremos ter inevitavelmente, duas semanas de paragem na nossa programação diária. As alterações técnicas sobre as quais  estamos a trabalhar irão obrigar-nos, na fase de teste e consolidação, a essa paragem.

Regressaremos depois com novidades, como é costume, e com a TVL com nova roupagem.

CÁ PELO CONCELHO

Odivelas continua uma terra de oportunidades… políticas !

As movimentações preparatórias para as eleições de 2013 vão de vento em popa. As “equipas políticas” vão selecionando e anunciando os seus “melhores” (?), afinando estratégias e programando as táticas. Tomando posições, tentando o alargamento dos campos de influência e, quando à volta não há novos amigos à vista, há que oferecer uns rebuçados aos inimigos. Na maioria das vezes funciona. É gente de boa boca. É como na anedota, que são políticos a gente sabe, só falta mesmo saber o preço.

O PS continua o passeio calmo e sossegado, pelo menos enquanto Susana Amador mantiver as rédeas do partido local. Ela sabe bem como negociar (!) e com quem negociar (!). Em resultado disso mesmo o PSD não existe. Os acordos com Fernando Ferreira deixaram o PSD agarrado. Se a Juventude não se dispuser a pegar a sério na política local não vai haver PSD em Odivelas durante muito tempo. Agora então com os PSD´s a refugiarem-se no CDS, esta direita nunca esteve tão viçosa.

O PCP continua com as suas lutas intestinas, entre uma modernidade indispensável e a indefetível ortodoxia de alguns dirigentes que se sentem de pedra e cal, agarrados aos lugares que entendem como a vida própria. Mesmo assim, é neles que encontramos os restos de algum pensamento político consistente. E Odivelas é bem o retrato, em mini, do PCP nacional.

Os grandes projetos do Concelho ou desapareceram na voragem dos interesses mal definidos ou estão na grelha dos negócios difíceis de explicar e ainda mais, de justificar. “O´Tech”, “ODINVEST”, “Rede ótica”, “Pavilhão Multiusos”, “Paiã”, “Cemitério”, “Metro”, “Metrobus”,… quem sabe dizer alguma coisa ? Certamente há quem saiba… mas não quer. Sem grande contestação e sem grandes “vidros nos telhados” só os setores da Educação e do Social. Fizemos, nas últimas semanas, um debate que quisemos alargado a todas as forças políticas (desta vez o tema foi as “Parcerias Público Privadas”). Entendemos que o que se passa nas Assembleias Municipais deve ser do conhecimento do povo eleitor. É lá que se discutem e se decidem as soluções para os problemas concelhios. Lá, fora da vista do público eleitor, há forças políticas valentes, contestatárias, oposicionistas com galhardia. Verificamos mais uma vez que o PSD aos autos disse nada ! E os Independentes aos autos nada disseram ! Disponibilidade para discutir verdadeiramente em público, apenas PS, CDS e PCP. Mais ninguém ! Honra lhes seja feita. Para o bem e para o mal, só lhes fica bem dar a cara. É assim a Democracia, e não é de outra maneira. Temos pena…

Por outro lado continuam as cedências de políticos por razões de interesse público. Cabe perguntar que público tem interesse nas cedências de políticos. E o porquê das reuniões onde se tomam resoluções destas, numa altura em que todos conhecemos políticos (quase todos, infelizmente) que cedem… cedem… e cedem… A que cedências se referirão estas resoluções.

CÁ POR PORTUGAL

Passado o Europeu de inesperadas alegrias e tristeza final (é o costume) os portugueses voltam a confrontar-se com a realidade da mediocridade política e humana dos dirigentes que elegeram para cumprir as ordens que os senhores do mundo mandam para cá. O futebol deu para aliviar as agruras do dia a dia de grande parte dos portugueses. É um ópio ? Pois… talvez seja, mas o ópio tem sido usado como remédio durante séculos ! Já que estamos no campo do talvez (talvez se cumpra o défice, talvez haja mais austeridade, talvez os juros desçam, talvez a crise melhore, talvez “Nossa Senhora” reapareça em Fátima…) por que não… talvez o futebol ajude ?

Os casos de corrupção continuam saltando nas páginas dos jornais, um aqui, outro ali. Saltam alto, dão dois pulos e depois… “t’á mas é caladinho, ou levas no focinho ! “. As poupanças indispensáveis à resolução do défice do estado continuam a ser feitas… fora do estado, e claro, não chegam. Para surpresa dos nossos surpreendentes  governantes as medidas de austeridade em curso não chegam para compor as contas. Vai ser preciso retirar mais subsídios e baixar mais os ordenados aos funcionários públicos, provocar a falência de mais empresas (se possível das que forem viáveis) e provocar mais despedimentos, porque o nível atual deste roubo governamental não satisfaz ainda a incompetência, a insanidade mental destes ministros, do primeiro ao último, com o chefe maior à cabeça (professor e doutor em finanças, é o político que está há mais tempo no poder nos últimos 50 anos). Mas o que é que se pode fazer se os donos do BPN precisam de mais uns milhões ?

A última extraordinária sentença veio do dirigente Frasquilho. Afirmou este dirigente sentir-se muito preocupado com a decisão do Tribunal Constitucional relativo aos cortes dos subsídios de férias e de Natal do funcionalismo público. “É o aspeto que isto dá lá para fora…”. Quanto ao facto em si (o governo legislar inconstitucionalmente) não é preocupante ! Isso, lá fora (?) todos entendem ! São todos da mesma laia.

A reforma autárquica está por um fio. Vem aí agora com força… nas Freguesias. Estes rapazinhos que dizem que governam o país não têm nenhuma ideia da “camisa de onze varas” onde estão metidos. Vão ficar muitos “tachos sem tampa”, e os que ficarem “destapados”, após as primeiras promessas passadas, vão falar. Ai vão, vão ! E vão contar coisas que sabem. E não vai haver tacho para todos. Prevemos um tempo de muitas comadres zangadas e de muitas verdades descobertas. Vai ser lindo…

Entretanto nas Câmaras não se fala. A coisa aí fia mais fino. Imaginem a Tia Merkel mandar acabar com 1/3 das Câmaras do País.  É verdade que a EDP, a PT, a CGD, a CP, a REN, a Brisa, a Mota,… têm grandes obrigações e tem ainda muitos lugares para preencher (por exemplo, há Administrações que ainda só têm 11 Administradores, podem muito bem passar a ter 15) mas mesmo assim não vai dar para todos, não ! Além disso é preciso que os chineses autorizem. Isto está dificil para os autóctones.

As mentiras dos doutores (mais os engenheiros, e os mestres, e os professores, e os professores doutores) começam a saltar por todos os lados, entre exames copiados, cursos que nunca existiram e frequências… de praia. Esta história dos cursos comprados (a dinheiro ou em favores) é velha, mas era apenas do conhecimento de alguns. Agora veio à tona e há quem esteja a pescar nestas águas. Tantas vezes afirmamos que o “rei vai nu” que aí está, constipou-se e já não há roupa que lhe sirva. Sócrates, Relvas, e tantos, tantos outros… É a tal geração mais bem preparada do País, esta que nos governa agora, mais a próxima que aí vem que são os filhos daqueles já devidamente enquadrados nos partidos dos pais.  É a geração dos “espertalhuços” seguida pela geração dos “invertebrados sem vergonha”. Que tempo tão mal gasto pelos Avós ! Resta-nos manter a esperança nas exceções, poucas mas válidas, se não se estragarem pelo caminho.

CÁ PELA TERRA

Na Europa vamos de resgate em resgate. Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, Chipre,… Pelos vistos aquela estória do viver acima das possibilidades não foi só com os portugueses. E quando chegar a vez da França e da própria Alemanha, certamente se irá concluir que afinal a razão é outra e nada tem a ver com vidas acima das possibilidades. E se alguém viveu acima das possibilidades não foram os povos desses países mas sim as chamadas elites, que sem produzirem, sem visão de futuro, sem inteligência prospetiva, acabaram matando a galinha dos ovos de ouro com que durante décadas alimentaram a ambição sem fundo dos seus interesses pessoais. Na América a coisa já deu a volta e, aparentemente, os Estados Unidos preparam-se para recuperar o equilíbrio. Na Europa, onde a falta de visão política atingiu o absurdo, quis-se fazer a união de coisas impossíveis de unir, quis-se conciliar o inconciliável. São gerações de lutas, de vidas culturais divergentes, de interesses antagónicos, que se quiseram meter na mesma panela e fazer deles um cozinhado comestível. É o que se vê, uma indigestão completa. Quem ficou surpreendido ? E ainda falta, nas contas dos teóricos europeístas, juntar a Turquia, a Rússia, e mais uns quantos… Como é possível pensar numa junção de interesses económicos e políticos entre Franceses e Ingleses, Belgas e Holandeses,  Alemães e Romenos,  Austríacos e Húngaros, Italianos e Finlandeses… Pretende-se que umas décadas curtas, cheguem para conciliar antagonismos de séculos. A História não é a estória, não se escreve num mês com um final feliz. E os senhores desta guerra não sabem isto ?

Os Orientes, o próximo, o Médio e o mais afastado, continuam a ser polos de graves preocupações para os que gostariam de ver o mundo em Paz. Os fundamentalistas judeus e os vários fundamentalistas árabes não deixam ninguém descansado. O Egipto está de novo à beira de graves conflitos internos. Veremos como vai ser digerido o resultado das eleições agora resolvidas, mas com que estabilidade ?

No Oriente mais afastado, a Coreia do Norte, agora com o seu “novo Grande Lider” continua a irritar vizinhos e a amedrontar ocidentais.  Até quando ? E qual o resultado do “dia seguinte “ ? Se houver.

J.Paiva Setúbal

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