breaking news

“Politólogos” I

Julho 28th, 2012 | by Oliveira Dias

O que é um Politólogo, afinal ?

A primeira vez que me perguntaram isto, foi na apresentação de um evento em Coruche, em 2002, logo após uma primeira apresentação do meu primeiro livro “A Cartilha do Eleito Local”, em Santarém, onde era Deputado Municipal, e assinava artigos na imprensa com aquele qualificativo.

Um Politólogo, não é um Jurista;

Um Politólogo, não é um Psicólogo;

Um Politólogo, não é um Economista;

Um Politólogo, não é um Sociólogo;

Um Politólogo, não é um assistente operacional de Informática;

Um Politólogo, não é um Vereador.

Recordo, a propósito disto (recordar vem do latim “re cordare” – trazer de volta ao coração) um pequeno episódio que ilustra bem o preconceito que ainda vai grassando por aí – quando em 1997 participei num jantar, em Loures, de apresentação da candidatura do Dr. Menezes Rodrigues á Câmara Municipal, na minha mesa estavam militantes do PS de Famões que ao saberem que eu era o cabeça de lista á Freguesia, de imediato me questionaram sobre qual era a minha ocupação profissional.

A minha resposta desencadeou um esgar de reprovação e repulsa naqueles comensais perguntadores. O meu pai, que me acompanhava nesse jantar repreendeu-me, no regresso a casa, por ter dito áquela gente que eu era VIGILANTE, numa empresa de segurança.

Um outro episódio, enquanto vigilante, aconteceu quando um dia um colega meu, á época, foi surpreendido pelo Director de uma unidade do Metro Lisboa a dormir.

O senhor Engenheiro-Técnico (daqueles que tinham apenas 3 anos de curso superior, (ainda não existia a coisa de Bolonha) e gostava que lhe chamassem Engenheiro, vociferou alto e bom som que a ralé dos vigilantes não passavam de uns vegetais sem qualquer serventia. E eu, azar, ouvi isto porque já estava no meu turno.

Não me contive e dispus-me a ir falar com o senhor Director, mas fui impedido por um sindicalista do Metro, que por sinal vinha ter comigo muitas vezes para pedir esclarecimentos sobre situações laborais do Metro, fruto de longas conversas trocadas. Aí numa catarse individual deitei cá para fora a minha raiva, em sonora afirmação que não aceitava que alguém com 3 anos de curso superior, viesse menosprezar um cidadão com 8 anos de formação superior (4 anos em Direito e 4 em gestão pública), e que a mais do que eu só podia creditar a mordomia de que usufruía á conta dos contribuintes. O senhor pediu-me desculpa.

Recuando um pouco mais, outro episódio pessoal, ilustra que o preconceito está bem mais enraizado do que seria desejável: em 1989 trabalhando no Porto de Lisboa, e pretendendo inscrever-me no curso de Direito da Universidade Moderna, o gerente da empresa quis falar comigo por causa dessa minha pretensão.

Curioso, apresentei-me perante o todo poderoso administrador que inquisitivamente me atirou, “por que carga de água um ajudante de mecânico quer ir para o curso de Direito?”. Sentindo a revolta de quem achava que aquele senhor não tinha nada a ver com isso, limitei-me a retorquir com outra pergunta – “e por que não senhor doutor?”.

Num passado recente, exercendo a função de chefe de gabinete de um presidente de câmara, estava eu á porta dos Paços do município a receber uma comitiva de eleitos locais do Concelho de Viseu, e um dos Presidentes de Junta (estavam lá todos a passear á conta do erário municipal) cumprimenta-me perguntando “você é o motorista do senhor Presidente não é?”, ri-me, folgadamente, divertido com a situação e respondi afirmativamente, pensando para comigo “Há sempre um idiota perto de nós”.

Numa outra ocasião, na Venezuela, numa enorme cerimónia de recepção, e fruto do modo informal como trajava, fui afastado dos VIP (ICC – importantes como carago). Mais tarde sou solicitado a resolver um problema, pois não havia ninguém com suficiente á vontade na matéria para descalçar a “bota”. Em poucos minutos estava tudo de sorriso na cara – mas quem é o homem ? – perguntava-se – é o chefe de gabinete do Presidente. As desculpas pelo lapso de me terem menosprezado, foram mais que muitas.

Como se vê estou vacinado contra estes preconceitos que até me divertem. Agora isso não significa que fique feliz com eles.

Na Madeira há um ditado que diz mais ou menos o seguinte: “se queres conhecer o caracter de um vilão (homem da vila) põe-lhe o cajado (símbolo de poder) na mão

Oliveira Dias, Não Jurista

 

Comments are closed.