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EXEMPLOS – Oliveira Dias

Março 22nd, 2013 | by Oliveira Dias

topo_oliveiradiasConfesso que não gosto muito de abordar a temática religiosa, por ser um domínio onde a dogmática é soberana e, alegadamente, detentora de verdades apoditicas.

Porém é iniludível a circunstância do mundo católico (do grego cathólicus: significando universal) ter atravessado momentos históricos este ano.

Tudo começou com a renúncia Papal, de surpresa, protagonizada por Bento XVI, fazendo deste Papa de origem germânica um exemplo diferente dos 5 anteriores Papas germânicos que se sentaram na cadeira de Pedro (do latim Petrus, significando Pedra), visto estes malogrados Papas, cada um em seu tempo, terem perecido no trono papal sem que causas naturais disso pudessem ser apontadas como responsáveis.

As razões da renúncia, que um Vaticonólogo (especialista em assuntos do vaticano), apontou já como inverosímil, a causa indicada por Bento XVI (cansaço), virão a lume um dia, não sei se em vida do agora papa Emérito Bento XVI.

O conclave que se seguiu foi fértil em novidades. Pela primeira vez aspectos particulares do Conclave (do latim Com Clave – com chave – significando reunião reservada e secreta) vieram ao conhecimento público.

Ele foi a conferência de imprensa, dada por um Cardeal Americano, assim que acabou a dita reunião secreta, dando pormenores do que ali teria ocorrido.

Ele foi o próprio Papa, agora Francisco, a explicar como surgiu o nome, que a todos pareceu normal por ele ser um franciscano (Francisco de Assis, elegeu os pobres como seu rebanho primordial), e não faltaram “opinion Makers” (anglicanismo na moda significando os fazedores de opinião)  cá do burgo a explicar isso mesmo, mas que, paradoxalmente, Francisco I, desmentiu, por, segundo ele, o nome lhe ter surgido por sugestão de um recado de um Cardeal Brasileiro. Fica por saber,  se, tal como com Dilma, a Presidente do país de origem desse Cardeal, que comunicou com o Papa Francisco, em Portinhol, ou se pelo contrário a sugestão brasileira se deu em Italiano, idioma materno do nóvel Papa.

Para meu pessoal espanto verifiquei ter o mundo ficado muito impressionado pelo facto do Papa Francisco I, ter feito questão de pagar a sua conta, da estadia como Cardeal, do seu bolso. Julgava que era normal uma pessoa pagar as suas despesas, pois se somos todos aos olhos de Deus iguais … .

Também vi e ouvi uma repórter portuguesa, relatando a caminhada do Papa Francisco I, subindo a escadaria do local onde foi consagrado, como tendo sido feita de forma ágil e atlética. Só faltou dizer que saltou os obstáculos dos 100 metros.

A minha grande curiosidade é ver se aquilo que levou Ratzinger a optar por um papel emérito, vai ou não ser debelado.

A igreja no mundo não pode respirar livremente se a sua cúpula no Vaticano estiver constrangida. Porque de constrangimentos se trata, que agora são disfarçados com minudências, sob uma capa de bonomia.

Recorrendo, novamente, aos Vaticonólogos, eles dizem-nos que são os italianos quem manda no Vaticano, e estou para ver se este descendente de italianos, como é o caso de Francisco I, nomeará, ou não, 1 Cardeal Italiano para secretário de Estado do Vaticano (função equivalente à de 1º ministro).

Quem não se recorda, de João Paulo II, definhando, no final do seu papado, sem falar, sem se locomover, mas resistindo à renuncia ? Sabemos hoje, por palavras de Dom José Policarpo que teria sido a “entourage” (núcleo restrito de assessores) do Papa a não permitir a resignação. Afinal manobra-se mais facilmente alguém que já não fala, não anda, não tem o controlo das suas funções orgânicas. Já Ratzinger não deu hipótese.

A ver vamos.

Agora, e por falar de exemplos, tem passado quase despercebido o exemplo fantástico da Igreja Ortodoxa de Chipre.

Quando este pequeno País se viu compelido a procurar o “conforto” da ajuda da Troika (termo Russo que significa triunvirato), foi confrontado com as cruéis imposições dos “socorristas”, roçando o ultraje e a indignidade soberana, qual foi a reacção ?

Perante esta “agressão” internacional não só o Parlamento bateu o pé, como Dom Crisóstomo I, arcebispo da Igreja Ortodoxa de Chipre, detentora de imenso património naquela ilha, se disponibilizou para colocar ao serviço do governo esse património a fim de mitigar a crise.

Se pequenas coisas distinguem tanto o Papa Católico, na boca dos opinadores, como classificar este gesto GIGANTESCO do Arcebispo Ortodoxo de Chipre ?

Se Jesus aqui estivesse diria qualquer coisa como isto “se o património não servir para aliviar os que sofrem, então para que serve ele

Não dá que pensar ? Lá isso dá.

Oliveira Dias

 

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