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PONTINHA: UMA CANDIDATURA INDEPENDENTE ? – Edgar Valles

Julho 5th, 2013 | by Odv

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Irá mesmo surgir uma candidatura independente na Pontinha, como noticiou Odivelas TV, em notícia subscrita por António Tavares, editada em 22 de Junho? Recordemos o essencial da peça: “No Concelho de Odivelas acaba de nascer uma nova Candidatura à Presidência da Junta de Freguesia da Pontinha – Eugénio Marques, que se apresentará como Candidato Independente nas eleições de 29 de Setembro. Um movimento de apoio emanado de uma vontade genuína dos Cidadãos e um desafio sentido por Eugénio Marques pela positiva, fazem desta candidatura um caso sério no Concelho e de Eugénio Marques um forte Candidato à Presidência da Freguesia da Pontinha”. A candidatura poderá realmente surgir, mas nada terá de independente. Eugénio Marques  é membro da Comissão Política concelhia do Partido Socialista. Tem feito parte das listas apresentadas pelo PS à assembleia de freguesia da Pontinha. Nas eleições internas, marcadas para o dia 13 de Abril, também designadas por “primárias”, apresentou a sua candidatura aos militantes socialistas, apelando ao voto partidário, de modo a ser o candidato do Partido Socialista à presidência da Junta da união de freguesias Pontinha-Famões. Apelando ao voto , Eugénio Marques  manifestou a sua fidelidade ao Partido Socialista, tendo terminado a sua mensagem da seguinte forma:

No próximo dia 13 de abril temos de dar um sinal de confiança às pessoas de Famões e da Pontinha, que sempre nos apoiaram. O PS vai estar, como sempre esteve, com as populações, pelo que conto com o seu apoio, para que juntos e empenhados, nesta admirável missão pública, possamos garantir que o PS dê às mais de 34 mil dos moradores desta nova freguesia a esperança e a certeza de continuarem a ter, como sempre tiveram, na sua freguesia um PS como garante de um futuro de qualidade e dignidade”.

( o sublinhado é nosso) No dia 13 de Abril, os militantes  do Partido Socialista  tiveram de optar entre Eugénio Marques e Corália Rodrigues, que se apresentaram a sufrágio, depositando o seu voto nas urnas. Por maioria confortável, Corália Rodrigues foi a vencedora . Como vencedora, é a candidata do PS às eleições para Pontinha-Famões. Na sua carta aos militantes, Corália traçou o caminho que adotaria se tivesse perdido as eleições:

“A partir de dia 13 de Abril, seja qual for a decisão soberana dos militantes, empenhar-me-ei com todas as minhas forças na vitória do PS na Pontinha e em Famões, e também em fortalecer o projeto Socialista no Concelho de Odivelas, apoiado no excelente trabalho autárquico liderado nos últimos oito anos pela nossa camarada Presidente Susana Amador.

De facto, a democracia é isso mesmo: aceitar a derrota nas urnas. A notícia da autoria de António Tavares indica  que Eugénio Marques , tendo perdido as eleições internas no PS, estará prestes a seguir outro caminho e que se terá esquecido da “admirável missão pública”  a que aludia na sua mensagem transcrita. É um caminho contrário à fidelidade outrora proclamada aos ideais do Partido Socialista e que, a concretizar-se, o levará à sua expulsão de militante. É um caminho que nada tem de independente . Como escrevi no “Guia do Autarca”,

 “Os partidos políticos são necessários, mas não é justo que os cidadãos  tenham   de estar a eles associados para intervir na vida autárquica.

Mas será que as candidaturas de “grupos de cidadãos”, conhecidos por   candidaturas independentes, constituem um novo espaço de intervenção  política?

“Muitas listas de cidadãos independentes não têm como primeira motivação servir a democracia, nem criar um novo espaço de intervenção cívica de  todos aqueles que não se identificam com qualquer força política”, lamentou o coordenador autárquico da CDU, Jorge Cordeiro, em declarações ao jornal “Publico”, em Novembro de 2001.

Cordeiro considerou que “as candidaturas independentes estão a ser utilizadas de forma perversa e creio que não existe nenhuma lista concorrente às eleições autárquicas que não esconda atrás de si membros partidários que avançam para um candidatura independente por não terem sido escolhidos pela direção do seu partido para encobrir estratégias partidárias  ou numa atitude de vingança” ( Almedina, 3ª edição, 2006 pág.31).

 A apreciação de Jorge Cordeiro aplica-se como uma luva a esta pretensa e putativa candidatura independente, com uma diferença: quem  escolheu Corália Rodrigues, esta admirável força da natureza,  não foi a direção do PS, mas os seus militantes.

Esperemos que Marques tenha um assomo de lucidez  e  saiba colocar os interesses coletivos acima  da mesquinhez de um projeto cujo móbil (  vingança) nada tem a ver com os interesses da população e com a “admirável missão pública” de que há escassos três meses se dizia imbuído.

A este propósito, salientamos o contrate com a posição de Joaquim Farinha, Presidente da Junta de Freguesia do Olival Bastou, que comentou a sua não indigitação para candidato à União de Freguesias Póvoa-Olival Basto da seguinte forma:

“ …Custou-me, pensei duas vezes em apresentar-me como “independente”, mas com mais de 35 anos de luta no PS, achei que o Partido, em si, me merecia mais respeito. Definitivamente, tomei a decisão de me manter fiel aos meus princípios socialistas” (“Loures-Odivelas”; Magazine, edição de Junho, pág.26).

Farinha colocou o substantivo o independente entre aspas, ou seja, “independente”, pois bem sabia que seria um falso independente. De notar que há também uma grande diferença entre Farinha e Marques.

Farinha é um Presidente de junta eleito, com a única maioria absoluta nas freguesias de Odivelas. É carismático, tem obra feita. Ao contrário, Marques não é um Presidente de Junta eleito, não tem carisma, não tem obra feita, não soube cavalgar na altura certa, e a sua inépcia vai ao ponto de, na última Assembleia de Freguesia da Pontinha, ter confessado que não tinha grande experiência.

Se a lucidez não imperar, a derrota inevitável de Marques  nas urnas mostrará que a candidatura  nada tem a ver com a “  vontade genuína dos Cidadãos” , constituindo antes uma expressão de um grupúsculo, desenraizado e sem os apoios iniciais que julgava (ainda) ter… Edgar  Valles

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