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Odivelas e O Evangelho Político, Segundo Edgar Valles

Julho 10th, 2013 | by Antonio Tavares

ATopiniaoATAntes do mais uma declaração sobre a Dra. Corália Rodrigues, e Eugénio Marques: Conheci a Dra. Corália Rodrigues quando a TVL, na altura OdivelasTV, usou as instalações do Centro de Exposições. Fiquei com a melhor impressão da Dra. Corália Rodrigues que foi aliás de um trato impecável e inexcedível na colaboração com a então OdivelasTV. Não tenho nada a apontar à Dra. Corália Rodrigues, muito pelo contrário. Eugénio Marques é pessoa que conheço há muitos anos quando colaborei de forma estreita com a Associação dos Bombeiros Voluntários de Odivelas. Eugénio Marques é pessoa de valores que eu considero e em que confio.

O anúncio da candidatura Independente de Eugénio Marques, à União de Freguesias da Pontinha e Famões, surpreendeu Edgar Valles (Pai), tendo aquela posição suscitado, uma reflexão neste último sobre a “bondade” da candidatura “independente”, sem esquecer Corália Rodrigues, de quem diz ser uma força da natureza.

Vamos à análise da “veneranda” opinião de Edgar Valles, sobre a atitude de Eugénio Marques, derrotado, em eleições internas, por Corália Rodrigues, como diz.

Edgar Valles, começa por recordar que Eugénio Marques, atual Presidente da Junta de Freguesia da Pontinha, faz parte da Concelhia do PS de Odivelas, tal como Corália Rodrigues, embora Edgar Valles o não tenha referido, e ainda, que Eugénio Marques á semelhança também de Corália Rodrigues, se apresentou a escrutínio interno, numa espécie de primárias, visando a escolha do candidato do PS para Pontinha e Famões.

Assim ambos, Eugénio Marques e Corália Rodrigues, fazem parte de uma estrutura partidária, a Concelhia do PS, cuja atuação no xadrez partidário local, tem responsabilidades na “censura” feita a Eugénio Marques.

Quando Edgar Valles escreve que Corália Rodrigues ganhou folgadamente as eleições internas, omitiu que essas eleições foram inquinadas pela bizarra interferência da secção de Odivelas, numa escolha cuja legitimidade estatutária pertencia em exclusivo à secção da Pontinha e isto com o beneplácito ativo da concelhia do PS, em última análise do secretariado.

Famões, estranhamente, não tem uma secção, pelo que é a secção de Odivelas que acolhe os militantes de Famões.

Com a extinção da Freguesias da Pontinha e da Freguesia de Famões, consequentemente com a criação da nova freguesia Pontinha/Famões, verifica-se que nesse novo território subsiste apenas uma estrutura partidária – a secção da Pontinha. Os estatutos do partido socialista consagram uma jurisdição territorial exclusiva. Só à secção da Pontinha existia a legitimidade de proceder à escolha do seu candidato às eleições autárquicas. Já agora, esclareça-se, já que Edgar Valles o não quis fazer, que Eugénio Marques VENCEU o escrutínio na Pontinha, e que só com os votos da secção de Odivelas, Corália Rodrigues conseguiu o que queria, pois contou com o apoio do secretariado de Odivelas desde o primeiro momento.

Assim não se compreende como a secção de Odivelas se meteu ao “barulho” metendo a sua enxada em seara alheia, viciando, a favor de Corália Rodrigues, o resultado final.

Ora sabendo á priori da inevitabilidade da sua vitória é natural que Corália Rodrigues escrevesse o que escreveu, e que foi sublinhado por Edgar Valles. Caro Edgar Valles, assim … não vale.

Portanto estamos perante um processo Ilegítimo.

Depois Edgar Valles fala em fidelidade? Bom, quando muito seria lealdade, porque costumo dizer que a fidelidade é para as nossas companheiras. Mas a lealdade também é um caminho de dois sentidos. Como ser leal a quem nos recusa essa lealdade? Edgar Valles também o não disse, mas digo eu para que se saiba: quando do falecimento de José Guerreiro, Eugénio Marques teve de assumir a Presidência da Junta de Freguesia. Por motivos de impedimentos profissionais, foi solicitado a Corália Rodrigues que assumisse o tempo inteiro na Junta para ajudar o Eugénio Marques. Ela aceitou … e agora quer o lugar dele. Isto é lealdade?

Portanto estamos perante um processo Desleal.

Quando em 2002 a secção do PS Odivelas resolveu acolher de braços abertos António Rodrigues como candidato a Famões, em detrimento de outro, sabendo da vontade desse outro militante do PS em ser o candidato (caso tivesse havido primárias internas esse outro estou seguro sairia vencedor) tendo este traído o seu partido de sempre o PCP, e à custa do qual se elegeu, não me recordo de Edgar Valles ter escrito nenhum artigo condenando a deslealdade cometida com o militante do PS e da pouco ortodoxa forma de premiar traidores de outros partidos, que se utilizam de processos indignos para colher vantagens.

Veja-se que hoje o mesmo António Rodrigues acompanha e apoia Corália Rodrigues, com certeza na esperança de obter um lugarzinho na lista, putativamente em representação de Famões, dizem que será o número dois…

Portanto estamos perante um processo indigno.

Quando Edgar Valles fala em candidaturas independentes “espúrias” é certo que isto tem de ser entendido de forma flexível, pois na essência nenhuma candidatura é independente. O cariz de independência refere-se á malha partidária.

Quando Eugénio Marques é afastado de forma ilegítima, desleal e indigna é bastante compreensível que não concordando com o seu partido, não queira sancionar a censura que lhe fazem, mantendo-se em silêncio.

Houvesse mais bom senso e alguma moderação na conquista do poder a todo o custo, e as coisas seriam certamente diferentes, para melhor.

Internamente os partidos são máquinas triturantes, e os sindicatos de voto decidem tudo, em favor nem sempre dos mais capazes. Existem regras mas, pasme-se, não se aplicam a todos. E este caso de Pontinha e Famões é bem disso paradigmático.

Edgar Valles ainda consegue ir buscar o exemplo do atual Presidente da Junta de Freguesia do Olival Basto, Joaquim Farinha … e diz que respeitou o partido. Isso significa que respeitar o partido, mesmo quando o partido não respeita um militante, é que é bom? Na minha terra isso é subserviência.

Quanto a Joaquim Farinha, atual Presidente do Olival Basto, não discuto se fez bem ou mal, parto do princípio que agiu de acordo com a sua consciência e só isso é suficiente para honrar uma pessoa. Agora espero que o respeito que ele mostrou pelo partido não se venha a traduzir nalgum lugar de compensação, nas listas para a Assembleia Municipal ou Câmara Municipal, pois nesse caso tudo não passa de uma permuta.

Edgar Valles não resiste a uma certa sobranceria quando no seu “evangelho sobre política” vaticina que Eugénio Marques será derrotado nas urnas, e o grupelho dele ficará reduzido à sua insignificância.

Tenho várias afinidades com diversos militantes do PS e respeito o trabalho realizado, mas não consigo fechar os olhos quando a sede de poder se sobrepõe a valores que eu penso deveriam ser os do PS.

António Tavares

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