breaking news

Comunicação Politica – Oliveira Dias

Julho 18th, 2013 | by Oliveira Dias

topo_oliveiradias

As eleições autárquicas estão aí. É já em, Setembro, portanto daqui a dois meses e meio, que variadíssimas candidaturas partidárias e apartidárias se apresentarão a votos, nas 3 eleições em simultâneo que se realizam no dia 29 de Setembro.

Para um observador estrangeiro, oriundo por exemplo do Brasil, será um tanto estranho que perante 3 eleições diferentes, não correspondam a 3 campanhas diferentes – tudo se resumindo a uma única campanha, a direcionada ao órgão  executivo municipal, a Câmara Municipal (no Brasil chama-se Prefeitura, porque para eles a Câmara Munciipal é a nossa Assembleia Municipal).

Efetivamente há um claro menosprezo pela campanha à Freguesia e ainda maior à Assembleia Municipal, como se de apêndices locais se tratassem.

Existem dos mais variados modos de comunicar, consoante os gostos dos “gestores” de marketing politico que por aí existem, e as mensagens que se quer propalar, uns bons outros maus, mas isto é assim um bocado como os sapatos – podem parecer muito polidos, mas darem mau andar. O resultado não pode, pois, ser muito bom.

Quando cursava uma pós-graduação em comunicação e marketing politico, vi um vídeo de um “expert” americano onde se mostrava surpreendido pelo basismo europeu quanto à forma de comunicar e deu o exemplo de uma campanha na Inglaterra, creio que de John Major, onde se via um discurso dele em frente ao 10th de Doinwg Street, residência oficial do primeiro ministro inglês, e findo o discurso despedia-se, entrava na residência e fechava a porta.

“Wath the fuck is this???” dizia ele. Esta comunicação corta literalmente com o seu destinatário. É contraproducente.

Hoje sempre que vejo uma comunicação de Cavaco Silva lembro-me sempre daquele americano.

Reparem bem. As câmaras estão a filmar, e o Presidente assoma-se à sala, em passo cambaleante, até se posicionar defronte ao microfone. Discursa. Acaba o discurso e abruptamente volta as costas para a Câmara e recolhe-se para lá das cortinas do palácio. O telespectador, o destinatário do seu discurso, fica então a mirar as cortinas, o microfone silencioso, as paredes. Tudo errado.

Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, faz uma coisa semelhante com uma nuance significativa – a retirada. Quando sai de cena, findo o discurso, retira-se com rapidez, dando passos largos. Indicia pressa em fugir dali. Tudo errado.

Agora a outro nível, mas que aqui merece o meu escrutínio tal a surpresa causada, a apresentação de campanha da Susana Amador.

Um pequeno parêntesis para pincelar uma opinião “estrangeira”, obtida em 2005. Um amigo meu, Alexandre Postal, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, veio a Portugal em 2005, no auge da campanha autárquica de então, e foi “arrastado” por um corregelionário meu do tempo da universidade, para a apresentação de candidatura do Fernando Seara em Sintra.

A caminho do Algarve onde Alexandre Postal se iria encontrar com vários eleitos municipais portugueses, ele contou-me a sua ida a Sintra nos seguintes termos “Antônio Nuno me levou á apresentação de um camarada dele, em Sintra … ma parecia um funeral, todo mundo de paletó, o cara lá, candidato, falando, falando, falando, uma eternidade, quase morri de sono, barriga batendo hora, um horror, fechado numa sala”.

Voltemos à Susana Amador. Em 2005 a Direcção de Campanha da Susana resumia-se a 3 pessoas: O Paulo César, o Mário Maximo e eu próprio. A Susana era então uma candidata introvertida, sem grande apelo ao contato pessoal com o povo.

Não me recordo da apresentação pública da Susana, mas ao nível da comunicação a dinâmica do Paulo César foi avassaladora, motivando a logística da campanha.

Do tom monocórdico da Susana, presente nos discursos que fazia, até há bem pouco tempo, aquilo que vi na apresentação da Susana esteve nos antípodas daquilo que se lhe conhecia.

Que transformação. Dinamismo, envolvimento, feed backs motivacionais, inter-acção com a plateia, clareza na mensagem, (boa ou má, não entro nessa discussão) diria tudo quase perfeito.

Desde logo o ambiente era propício. Pensado, claro, porque nada é ao acaso. Mas é assim que deve ser. O palco estava estrategicamente situado no centro da plateia, ladeado nos 4 quadrantes pelos presentes. O micro mãos livres permitiu o deambular pelo palco, procurando contato visual com todos os quadrantes da sala. O som acompanhava os vários “picos” do discurso, para fazer o enfoque desejado.

Coube a Hugo Martins, Presidente da Concelhia de Odivelas a abertura discursiva do evento, de forma pausada, pisando todo o palco, exibindo a certeza de que o palco executivo estará ao alcance de um estalar de dedos, quiçá a presidência, saudando as outras concelhias presentes, embora esquecendo ou ignorando este ou aquele nome …  quem pode, pode, e quem tem o micro pode com certeza. Quis e mostrou, para quem quis ver.

Seguiu-se o Miguel Cabrita, candidato à Assembleia Municipal. Mostrou dominar as técnicas do discurso motivacional. Muito bom, grande surpresa. Ficou a garantia que aquele Miguel já não era o Miguel da bancada do PS. Boa escolha.

A chave de Ouro foi a leitura do comunicado do PS lido pela Presidente do partido Maria de Belém Roseira.

Foi uma excelente apresentação de candidatura, em termos de comunicação politica. Sendo verdadeiro ou não, a mensagem foi a de grande cumplicidade com todos os candidatos de Odivelas, com todos os militantes. Se assim é, o futuro só pode ser risonho.

Comments are closed.