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Nem gregos nem celtas: portugueses! – Painho Ferreira

Novembro 15th, 2013 | by Odv

topo_painhoVai alta a  vozearia de alguma  Direita política portuguesa! Há muito tempo que em Portugal uma parte dessa tal Direita dita pró europeia deixou de pensar pela própria cabeça. Dito de outro modo: há anos que repetem cá dentro os refrões do “politicamente correcto” da Direita europeia. Esqueceram de todo a Social-Democracia e incomoda-a essa coisa estranha que dá pelo nome de democracia.

No geral não primam pelo rigor e muito menos se preocupam com a colagem à realidade das análises que despejam impiedosamente sobre os portugueses.

Paulo Portas, o dito responsável pela reforma do Estado, mais não conseguiu parir que um guião para a destruição do Estado-Social. Essa conquista que emergiu da Revolução de Abril está a passar agora à  categoria de “demónio maldito” nas palavras e acções sinuosas dessa Direita portuguesa.

Alguns analistas que se recusam a pôr em causa a lógica da acumulação desmedida de lucros, meios financeiros e poder nas mãos de “meia dúzia” de “grandes senhores”, vão mesmo exibindo publicamente nos “media” gráficos e tabelas em que pretendem demonstrar a inevitável falência do sistema de Segurança Social, do Ensino Público e por aí fora… até que um dia chegarão a colocar em causa a viabilidade de Portugal como nação independente.

A soberania nacional é coisa que não lhes diz nada ou pouco significado tem! Sentam-se à sombra do Estado e da lógica que tornaram vigente e vão-no maldizendo enquanto endeusam e enchem os bolsos e os cofres dos grandes grupos privados.

Isto liga-se ao tema abordado num artigo anterior: estamos uma vez mais diante de um problema de referencial de análise.

Experimentem eles a trocar o seu referencial de análise e compreenderão seguramente a imoralidade e a injustiça reinantes.

Não há nas palavras anteriores qualquer ingenuidade da minha parte, até porque, tendo lido Marx, cedo percebi que a História se torna em grande parte incompreensível se desprezarmos a questão dos grupos sociais em confronto (classes) e dos seus interesses objectivos.

A questão dos referenciais de análise prende-se muito mais com aquela de saber se é possível uma abordagem objectiva dos dramas sociais que ocorrem no Portugal de hoje.

Será possível uma análise objectiva das  múltiplas causas desses dramas que atravessam a vida de centenas de milhares de portugueses?

Se escutarmos atentamente os diversos comentadores, tudo parece indicar que essa análise objectiva se tornou quase impossível, na mesma proporção em que os seus interesses de grupo foram sendo pressionados e em que as suas incertezas quanto ao seu próprio futuro aumentam. Para alguns  o medo instalou-se! Há o medo de ser politicamente incorrecto ou seja o medo de questionar o próprio referencial de análise!

O medo pode apoderar-se dos que ainda têm algo a perder. Contudo, o medo não pode afectar indefinidamente todos os que foram reduzidos a condições de vida indignas e desesperantes.

Ninguém pode recear perder o que já não tem!

A continuar o actual rumo, o número daqueles que já nada têm a perder, pode aumentar exponencialmente. Então o poder de manipulação dos factos e das realidades que hoje é palpável em muitas campanhas de intoxicação da opinião pública esbater-se-á.

Quando, como agora, o Governo lança a ideia de sucesso na condução política utilizando ardilosamente uma falsa diminuição dos índices de desemprego, poderá ainda convencer incautos mas, o número daqueles que acreditam diminuirá inevitavelmente porque não deixará de ser confrontado com a realidade.

Se o Governo quiser realmente saber se o desemprego diminuiu ou aumentou, deve confrontar os números relativos  à população activa. É que não basta limpar os desempregados das listas dos centros de emprego para que o desemprego diminua.

Quando uma política que já provou que não conduz ao  desenvolvimento do País e quando essa mesma política produz um empobrecimento em larga escala, chegou a altura de ser questionada responsavelmente por todos os que utilizam os media e o espaço publico de discussão.

Sabe-se através de dados recentes e nomeadamente através da proposta do Orçamento de Estado para 2014 que o actual Governo se prepara para manter e agravar o rumo seguido.

Olhando isto dum referencial que não seja o da minoria de agiotas nacionais e internacionais que enriquecem agora mais do que nunca, o prosseguimento desta política parecerá uma aberração.

É tempo de quebrar o ímpeto desta política! É tempo de dizer basta!

É tempo de dizermos que não queremos ser nem gregos nem celtas. Essa opção não se coloca!

Queremos ser portugueses e ter os nossos direitos e deveres.

Soube-se há pouco que aquele senhor da Troika que veio ao nosso País propor (impor) a redução das pensões e o aumento da idade da reforma, acabou de se reformar com 61 anos e uns milhares por mês. Acresce que continua no activo recebendo mais uns largos milhares para “vender” a sua teoria da austeridade mas só para os outros.

Ora, coisas como estas, não são uma inevitabilidade. Pelo contrário: partindo do referencial de quem se vê roubado, usurpado dos seus direitos e também dos seus deveres, são uma aberração! Num futuro talvez não muito longínquo a  aberração anterior poderá parecer-nos tão fora do senso comum e revoltante como o comércio de escravos.

Tudo parece indicar que, se a vida nos permitir continuar a caminhar pelo tempo fora, chegaremos a um dia em que pela força de quem partiu de referencias diferentes daqueles dos tais “grandes senhores”, a aberração das políticas actuais estará classificada como um momento particularmente negro da História Portuguesa.

Importa reflectir sobre a compatibiliadde das actuais políticas com o modelo democrático definido pela Constituição da Républica.

Quando alguma Direita põe em causa o Tribunal Constitucional, de facto o que pretende é pôr em causa a Constituição e a própria democracia. São intensões velhas e caducas às quais, quero acreditar, os portugueses darão o devido destino.

Ao mesmo tempo que ”vergasta” duramente o PS , a Direita faz-lhe o “namoro”. Nesse “transe casamenteiro” ajudam empenhados os analistas e ideólogos defensores dos acordos de regime a elaborar pelos chamados partidos do arco da governação: PS/PSD/CDS. Para essa gente o debate político e social deve terminar por aí. Ao invés de se debruçarem sobre políticas alternativas e sobre soluções de problemas preferem a eterna discussão sobre a repartição de postos chave, lugares e poderes.

O que realmente pretendem do PS é um compromisso para poderem avançar no processo contra-revolucionário e partir para a construção de uma ditadura mascarada de democracia.

Entretanto encontram pela frente as organizações de trabalhadores, muitos movimentos cívicos e os partidos de Esquerda.

A Direita sabe que sem o PS será rapidamente derrotada!

Será que o PS sabe que alinhar com a direita nestes tempos de hoje pode ser um suicídio?

Resta desejar que o PS não cometa “arakiri”, entrando nessa armadilha que a Direita, com Cavaco Silva à frente, lhe pretende montar de forma tão zelosa.

Neste ponto cabe às consciências e à acção dos militantes do PS um papel de grande importância.

Como alguém de esquerda só posso desejar que saibam estar à altura dos desafios.

Entrar em ruptura com a actual polítca, procurando séria e consistentemente com as forças de esquerda um compromisso global para construir um o caminho que devolva aos Portugueses a esperança, será bem melhor que pertencer ao “arco da ingovernabilidade”.

Painho Ferreira

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