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Essencial/Acessório – Painho Ferreira

Maio 5th, 2014 | by Odv
Essencial/Acessório – Painho Ferreira
Painho Ferreira [Opinião]
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Essencial/Acessório

Nos dias de hoje as palavras democracia e liberdade andam de boca em boca.

Tal como a palavra liberdade, a palavra democracia apenas aparece no dia a dia quando algo indica que pode estar em risco. O risco da sua perda transporta essas palavras para o discurso quotidiano.

As palavras liberdade e democracia permaneciam nos discursos correntes de toda a oposição política durante a ditadura fascista, pelo motivo não menor, de que elas não existiam em múltiplas dimensõses da vida quotidiana.

Não por acaso, os sectores políticos que se opunham ao regime fascista eram designados por Oposição Democrática.

A questão de saber se quem está disposto aos maiores sacrifícios em nome da liberdade e da democracia pode ser, depois de obtidas essas conquistas civilizacionais, o coveiro delas, intriga algumas mentes pensantes.

Quando aqui se fala em mentes pensantes afastam-se obviamente as mentes promotoras das mais diversas investidas contra sectores da esquerda política. Tais mentes habitam franjas ou áreas políticas, elas sim, situadas “nas riscas” não democráticas do espectro político.

Estão os parágrafos anteriores escritos em função da extensa e subtil campanha anti-comunista que se desenvolve hoje (passados 40 anos da queda da ditadura)!

Diversos sectores políticos parecem apostados numa nova e mais profunda campanha contra o PCP, campanha essa saída das “cartilhas” duma direita liberal que resvala dia a dia para a extrema direita.

No léxico e nos temas correntes, ou seja, arrancada da “arca das velharias” de alguns políticos e pseudo-intelectuais, ressurgiu uma nova campanha anti-comunista, mas também anti-esquerda, que nada reporta de novo a não ser a tentativa que, aliás julgo se frustará, de desenterrar velhos fantasmas agora travestidos de nova roupagem pretensamente moderna!

Não espanta que tais investidas venham de alguns sectores que bem conhecemos e de que sabemos o seu profundo desprezo pelos povos.

O que preocupa é que, uma tal campanha possa ter reflexos naqueles em que a honestidade intelectual e a experiência da vida deveria precaver contra tais campanhas.

Para a democracia contribuem seguramente pontos de vista e opções políticas diferentes, por vezes de difícil conciliação. Assim, não espanta nem incomoda os democratas que, no palco do confronto político, as discussões resultantes de pontos de vista diversos, sejam parte do dia a dia, mesmo quando esses debates se tornam acesos e duros!

Os verdadeiros democratas sabem bem que, no fundo, os valores que os unem são maiores do aqueles que os separam.

   A matriz comum da democracia é bem mais forte que a base intelectual medíocre, xenófoba e exploradora que une as ditaduras que os actuais sectores de extrema direita pretendem subtilmente impôr.

É por isso que a actual campanha que emana de centros de decisão de direita a resvalar para a extrema direita deve fazer acautelar e reflectir os sectores políticos e sociais de esquerda na sociedade portuguesa.

Tal campanha deve igualmente preocupar e ser objecto de reflexão de todos quanto se situam no campo democrático independentemente da sua filiação política e partidária.

Na actual crise política e social que Portugal atravessa nada será mais prejudicial à construção de uma alternativa a este rumo de empobrecimento, que o desenterrar de velhos fantasmas anti-comunistas dignos de versículos salarazarentos.

O Partido Comunista Português transporta consigo uma história incomparável de luta contra a ditadura fascista. Os comunistas portugueses formaram a sua actividade política na luta pela liberdade e pela democracia.

Sabem por experiência própria e por vezes com extrema dureza o que custam as conquista políticas e sociais que consubstanciam alguns avanços civilizacionais.

Para os comunistas os conceitos de democracia e liberdade não são meras abstracções teóricas mas sim valores reais que repercutindo-se na vida e practica diária transformam e libertam da exploração a vida dos povos. Daí decorre a formulação tantas vezes repetida de uma democracia política, social e económica.

Tal como muitos outros democratas, os comunistas sabem que a democracia e a liberdade exigem participação, empenho diário, e o esforço permanente para o seu aperfeiçoamento.

Os comunistas portugueses têm demosntrado ao longo destes anos o seu profundo apego a tais conceitos, um apego que não é uma mera abstracção teórica mas que se repercute nas inúmeras acções que desenvolvem em todas as vertentes da vida na defesa e concretização de um Portugal democrático, soberano e desenvolvido.

 O actual rumo entra em linha de colisão com o sistema democrático. Díriamos que, a não se inverter este caminho, uma nova ditadura espreita.

   Os sectores democráticos sabem bem que é impensável fazer frente às actuais investidas da direita contra os direitos e conquistas civilizacionais do Povo Português, sem contar com a participação activa, esclarecida e organizada do PCP.

O debate para a construção da alternativa desenvolve-se nos mais diversos planos.

Cabe pois a todos os actores políticos do campo democrático estarem atentos à evolução da situação política e social, nacional e internacional.

Não faltam motivos de preocupação e reflexão!

Cabe-lhes igualmente trabalharem para estabelecer entre si as pontes que permitam resistir e inverter o actual rumo.

O resto são “fait-divers” que só servem os restritos interesses de uma minoria que não quer saber nem da democracia, nem da liberdade e que nutre uma profunda indiferença pela vida e bem estar dos povos.

 Painho Ferreira

 

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